
“Tem de se criar um ambiente político exigente no qual todos os países cumpram o que tantas vezes prometem, mas tardam em cumprir.” Foto COP29
Bacu, no Azerbaijão, recebeu a 29ª Conferência do Clima das Nações Unidas, entre os dias 11 e 21 de Novembro, para decidir a nova meta para o financiamento dos países mais pobres e vulneráveis ao aquecimento global. Ali se discutiu também o dinheiro necessário para combater as alterações climáticas.
Apesar da grande importância desta Cimeira, o ainda Presidente dos EUA, Joe Biden, não compareceu a esta importante reunião. O Presidente de França, Emmanuel Macron, optou também por não estar presente. O mesmo sucedeu com Lula da Silva, que teve uma recente queda que lhe provocou um traumatismo craniano. A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi outra dos ausentes. Justificou-se com o facto de estarem em curso audições dos comissários europeus da sua nova equipa. O chanceler da Alemanha primou igualmente por não comparecer, porque o seu governo estava a desmoronar-se, com ministros a saírem. Também o primeiro-ministro da Índia ficou por Nova Deli. Os presidentes da Rússia e da China também não estiveram.
Todas estas ausências manifestaram quão pouco os que mandam na política e nas finanças do mundo estão a encarar seriamente as alterações climáticas que atingem o nosso planeta azul. O recente exemplo de Espanha, um dos países mais ricos do mundo, onde muito recentemente se espalhou a desolação e a dor nos seus habitantes, devido às cheias na região de Valência, que derramaram a morte e o caos em muitos lares, devia ter sensibilizado todos os líderes dos países para encontrarem soluções, que, pelo menos, mitigassem desastres como este.
Esta cimeira, recorde-se, foi designada como a “COP do financiamento” uma vez que lá se discutiram as novas metas para o apoio financeiro aos países mais ricos para as nações de baixos recursos.
Todas estas verbas têm como objectivo que os países mais pobres reduzam as emissões poluentes e se adaptem aos efeitos das mudanças climáticas. Podem ser situações meteorológicas adversas que podem destruir muitas vidas e bens.
Segundo os especialistas, se não acelerarmos a redução de emissões poluentes no planeta no fim deste século, o aquecimento global pode ser de 3,1 graus Celsius, bem acima da média de 1,5 ou no máximo de dois graus, considerado no Acordo de Paris.
As emissões de gases com efeito de estufa atingiram um pico histórico, aumentando 1,2% no ano passado, em relação a 2022, contabilizou o relatório Emissions Gap 2024, do Programa de Ambiente das Nações Unidas.
A recente eleição de Donald Trump para Presidente dos Estados Unidos, tendo em conta o seu anterior mandato, levantou certamente algumas questões a esta Cimeira, acerca da problemática das alterações climáticas. Este negacionista parece estar mais preocupado em refazer uma economia baseada nos combustíveis fósseis e no proteccionismo, do que combater as alterações climáticas, provocadas pelo efeito de estufa.
O que salta à vista dos cientistas é saber se o tempo está contra nós. Quanto mais se leva a omitir as políticas que combatem as alterações climáticas, tanto pior para o planeta. Se não querem superar um aquecimento global de 1,2 graus, os políticos têm de começar já a descer as emissões de gases poluentes. Amanhã, pode ser já tarde.
Tem de se criar um ambiente político exigente no qual todos os países cumpram o que tantas vezes prometem, mas tardam em cumprir.
Em Bacu, o grande desafio da Cimeira consistiu em levar todos os países a que se comprometessem a apresentar os novos objetivos de redução de emissões de gases poluentes. Ou pelo menos que haja progressos até à próxima conferência, a COP 30, que se irá realizar em Belém (Baixo Amazonas), no Brasil.
Recorde-se que o Papa Francisco, na sua carta encíclica Laudato Si’, de 2015, sobre o cuidado da Casa Comum, já advertiu para os cuidados que devemos ter, para que o planeta deixe de ser um espaço poluído, pela ambição do homem. “A cultura ecológica, adverte o Papa, não se pode reduzir a uma série de respostas urgentes e parciais para os problemas que vão surgindo a volta da degradação ambiental, do esgotamento das reservas naturais e da poluição. Devia ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida” (LS, nº 111)
Florentino Beirão é professor do ensino secundário. Contacto: florentinobeirao@hotmail.com
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