LOC/MTC de Braga

Combater a “imoralidade do precariado”

| 24 Out 21

Mulher a trabalhar à secretária: LOC alerta para o facto de casas dos trabalhadores não terem “as condições adequadas para o exercício do teletrabalho”. Foto © Christina Wocintechchat | Unsplash

 

Promover a dignidade e igualdade entre homens e mulheres e o respeito pelos direitos conquistados; e “combater a imoralidade do precariado, que mata a dignidade, a saúde e a família e desmantela a sociedade” são algumas das preocupações do Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC), da diocese de Braga, saídas da assembleia realizada este sábado.

A assembleia, que teve o arcebispo-primaz, D. Jorge Ortiga, a participar em parte dos trabalhos analisou, em especial, a problemática e consequências da vida dos trabalhadores precários, na sequência de uma atividade de observação e reflexão realizada na primavera deste ano, nos diferentes locais em que o Movimento está implantado.

Para a LOC/MTC, “a flexibilidade e a precariedade bloqueiam qualquer projeto de vida a médio/longo prazo, porque o trabalho marca e determina a vida pessoal, familiar e social”. O direito aos afetos, a constituir e apoiar a família, ter filhos e exercer o papel de esposos, pais e mães saem gravemente comprometidos, num regime como o atual, acentua o comunicado tornado público.

Citando o Papa Francisco, o comunicado refere que “maior precariedade, trabalho irregular e chantagem sobre os trabalhadores tira dignidade, impede a plenitude da vida e exige resposta vigorosa”. Daí a reivindicação que fazem e que se dispõem a levar à prática, nos locais em que vivem, de que “os trabalhadores têm direito a poder planificar a sua vida para além do trabalho”.

Acreditamos que é possível conciliar o trabalho com a vida familiar; congratulamo-nos com o esforço de algumas empresas que implementam medidas para este efeito, sobretudo para promover o cuidado e acompanhamento dos filhos ou dos idosos. Não dispensamos, no entanto, o valor da família reunida para tomar as refeições, passear, visitar os doentes, celebrar a fé e desfrutar do domingo”, fazem notar as conclusões da assembleia.

De resto, avançam, “há trabalhos ao domingo que são dispensáveis: comércio, fabrico de automóveis e suas componentes, fabrico de têxteis e calçado entre outros, que impedem muitas famílias de usufruir, juntos, o mesmo dia semanal de descanso”.

O Movimento sublinha a valorização que faz do associativismo, e em particular o sindicalismo, entre os trabalhadores, pois “a força dos fracos só se conquista com a união”, observa, acrescentando que o individualismo, em que “cada um se basta a si mesmo”, torna-se “campo aberto para leis mais permissivas e atentatórias dos trabalhadores, manipulação ideológica e fomento de relações individuais de trabalho”.

Na ação que vê necessária para combater as tendências mais gravosas do mundo do trabalho, a LOC/MTC refere, nomeadamente: a luta por uma proteção social para todos e regime fiscal favorável aos mais pobres.

Alerta ainda para a questão do teletrabalho, que a pandemia veio colocar sobre a mesa. Não diabolizando a questão e admitindo que em certas áreas possa ser de aceitar, alerta para a insuficiência e atraso da legislação existente. Além disso, chama a atenção para o facto de as casas dos trabalhadores não terem “as condições adequadas para o exercício do teletrabalho”, já que “trabalhar a partir do sofá, da mesa da cozinha ou da sala e com os filhos pequenos por perto, não é solução”. Por outro lado, entregues a si próprios, “os trabalhadores desconhecem os seus direitos” e o teletrabalho “tende a tornar-se mais um sector de flexibilização e uberização do trabalho humano, que fomenta o precariado”.

Tendo em conta os desafios das novas tecnologias e suas incidências no setor do trabalho, as conclusões apontam pata a necessidade de apostar também em debates e formação, sem esquecer o fenómeno do uso das redes sociais, com as suas potencialidades e limites, “especialmente quando deixam pessoas para trás”. Defende, assim, a necessidade de desenvolver o desenvolvimento de atitude crítica, capaz de discernir o que é verdadeiro e falso na informação e nas notícias.

 

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