Começou a distribuição de vacinas aos países mais pobres através da OMS

| 24 Fev 21

As vacinas contra a covid-19 começaram a chegar nesta quarta-feira ao Gana, que se torna o primeiro entre os 100 países mais pobres do mundo a receber doses de imunização contra a doença, fornecidas pela iniciativa Covax. Enquanto isso, o Vaticano e outras entidades relgiiosas pedem a libertação das patentes, para que as vacinas sejam produzidas em maior quantidade e cheguem mais rápido aos países mais pobres. 

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As primeiras vacinas contra a covid-19 chegaram ao Gana pela Iniciativa Covax. Foto © Unicef.

 

Quarta-feira, 24 de fevereiro, ficará para a história como o dia em que as primeiras vacinas adquiridas através do sistema Covax chegaram às autoridades de saúde de um país que faz parte da lista dos 100 mais pobres do planeta. As 600 mil doses da vacina AstraZeneca/Oxford que entraram no Gana foram – de acordo com comunicado conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da UNICEF – produzidas pelo Instituto Serum, em Bombaim, sob licença daquele consórcio.

A iniciativa Covax é uma plataforma de colaboração internacional laçada em meados de 2020, liderada pela OMS, pela GAVI e pelo CEPI para impedir que os países mais ricos monopolizem a produção e aquisição de vacinas contra o vírus SARS-CoV-2 e tem como objetivo imunizar até ao final deste ano dois mil milhões de pessoas de maior risco nos países mais pobres do mundo.

A vacinação da população dos países que não dispõem de recursos para produzir ou comprar vacinas tem sido objeto de vários pronunciamentos políticos e numerosas chamadas de atenção. No final da primeira reunião deste ano do G-7, a 19 de fevereiro, os líderes das sete maiores economias do mundo ocidental garantiram ter acordado um montante de 7,5 mil milhões de dólares para apoiar a OMS na aquisição e distribuição de vacinas nos países de economias mais frágeis. Mas nenhum compromisso foi comunicado quanto ao calendário, ou ao número de doses a serem entregues.

Pelo contrário, vários dos líderes presentes na cimeira procuraram assegurar as suas opiniões públicas nacionais de que aquela decisão não iria abrandar o ritmo de vacinação no país. Angela Merkel, alvo de fortes críticas vindas de todos os sectores políticos, incluindo o SPD, seu parceiro de Governo, pela lentidão com que a população alemã vem sendo vacinada, foi particularmente taxativa: “Nenhuma fase da vacinação alemã será retardada” pelo compromisso de ajuda aos países mais necessitados, que a chanceler classificou de “uma questão de elementar justiça.”

A decisão do G-7 surgiu por pressão da administração Biden, que na véspera da cimeira divulgou ter acionado a autorização dada pelo Congresso em dezembro ao seu antecessor Donald Trump para comprometer quatro mil milhões de dólares na ajuda à vacinação da população dos países mais pobres. Entretanto, Trump promovera a saída dos EUA da OMS, decisão que Joe Biden revogou logo após ter tomado posse, tendo em fevereiro decidido que essa ajuda seria destinada a suportar financeiramente a iniciativa Covax.

De acordo com as melhores estatísticas, no dia 19 de fevereiro, a Alemanha tinha vacinado 5,6% da sua população, enquanto o Reino Unido vacinara 25,4%, os EUA 17,4%, os Emirados Árabes Unidos 54,3% e Israel 81,8 por cento da sua população. A rapidez e a percentagem de população vacinada têm correspondido, em termos aproximados, à riqueza de cada país, sendo que tal não acontece na União Europeia por esta ter adotado um sistema comum e centralizado de aquisição e de distribuição de vacinas.

 

Saúde, riqueza e geopolítica
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Além das razões humanitárias, a imunização da população mundial garante aos países ricos a sua proteção contra o contágio vindo do exterior. Foto: Lisa Ferdinando/Wikimedia Commons

 

Várias organizações e líderes religiosos têm sublinhado a necessidade de garantir vacinas para todos. No campo católico destaca-se, na primeira semana de fevereiro, a tomada de posição da Caritas Internacionalis apelando à realização de uma reunião especial do Conselho de Segurança da ONU para assegurar o acesso de todos os países às vacinas contra o vírus da covid-19 e iniciar rapidamente o processo da transformação da dívida externa dos países mais pobres em fundos disponíveis para que estes possam modernizar os seus sistemas de saúde.

Na terça-feira, dia 23 de fevereiro, na sequência de sucessivas declarações do Papa Francisco a favor do acesso sem discriminações à vacinação, o observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas, em Genebra, Ivan Jurkovič, solicitou, de acordo com o Vatican News, a suspensão de “algumas restrições relativas à propriedade intelectual, que impedem o acesso universal às vacinas contra a covid-19”. Segundo Jurkovič, “em muitos países existem inúmeros laboratórios capazes de produzir vacinas de forma segura e eficaz, e que não podem fazê-lo precisamente em função das restrições de propriedade intelectual”.

Além das motivações humanitárias, a imunização da população mundial é uma forma de os países ricos garantirem a sua proteção contra riscos de contágio vindo do exterior. A OMS calcula que para erradicar a covid-19 será preciso imunizar 70% da população mundial (5,5 mil milhões de doses), mas que vacinando dois mil milhões de pessoas de acordo com escolhas criteriosas será possível proteger o pessoal de saúde, os mais velhos e os mais vulneráveis, reduzindo de forma muito significativa a mortalidade causada pelo vírus SARS-CoV-2.

Por outro lado, a inação do Ocidente no apoio aos países mais pobres para combaterem a pandemia tem também permitido o estreitar dos laços entre a Rússia e a China e aqueles países, nomeadamente em África, continente a que Moscovo, imitando as autoridades de Pequim, já decidiu entregar, até ao final de maio, 300 milhões de doses da sua vacina Sputnik V.

 

A iniciativa Covax
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A vacinação pode ajudar reduzir os impactes das perdas de vidas e na economia mundial. Foto: Direitos reservados.

 

Mais do que em operações bilaterais, o G-7 decidiu investir na organização desenhada pela OMS, a iniciativa Covax, em que participam também a GAVI e o CEPI.  A plataforma estima que a pandemia faça perder à economia mundial 375 mil milhões de dólares por mês e propõe-se reduzir este impacte, bem como o número de vítimas, através de um acesso planeado e justo à vacinação, dando prioridade ao pessoal de saúde e aos mais vulneráveis, independentemente do país do mundo em que se encontrem.

A GAVI (Aliança Global para as Vacinas) é uma organização que ganhou expressão no combate para vacinar as crianças dos países mais pobres graças a uma primeira doação de 750 milhões de dólares da Fundação Bill & Melinda Gates no final da década de noventa do século passado. É dirigida por um conselho de 32 pessoas: 18 representantes dos Estados que contribuem financeiramente para o seu desenvolvimento, da indústria farmacêutica e de outros parceiros; nove peritos de renome internacional; quatro membros designados pela OMS, UNICEF, Banco Mundial e Fundação Gates; e o presidente executivo. Até hoje, a Fundação Bill & Melinda Gates já entregou à GAVI 4 mil milhões de dólares.

Por seu turno, a CEPI (Coligação para Inovações de Preparação para Epidemias) é uma organização filantrópica lançada em 2017 para financiar projetos de investigação independentes com o objetivo de desenvolver vacinas contra epidemias causadas por agentes infeciosos emergentes. Atualmente a sua ação está muito centrada no apoio à investigação das vacinas anti-SARS-CoV-2.

 

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