Pedro Strecht coordena

Comissão de estudo dos abusos apresenta-se e anuncia contactos para vítimas

| 9 Jan 22

Pedro Strecht apresentará a sua equipa de trabalho na Gulbenkian. Foto © Direitos reservados

 

A nova Comissão Independente para Estudo dos Abusos de Menores na Igreja (CIEAMI) apresenta-se publicamente na tarde desta segunda-feira, 10 de Janeiro, em conferência de imprensa a realizar na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, a partir das 17 horas. Será o primeiro passo para um primeiro relatório que o seu coordenador, o médico pedopsiquiatra Pedro Strecht, espera ter concluído até final deste ano. Um telefone e endereço electrónico de contacto, para eventuais queixas de vítimas, serão divulgados na ocasião.

Na sessão, estarão presentes todos os seis membros da comissão – três homens e três mulheres. Além de se apresentarem pessoalmente, os seus membros falarão sobre os objectivos e métodos de trabalho do organismo, os tempos e modos de “recolha e tratamento de depoimentos, informação documental e outros dados de relevo”.

Criada por vontade dos bispos, mas com total autonomia de funcionamento, promete o responsável da CIEAMI e o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e bispo de Setúbal, José Ornelas, a comissão inclui, além de Strecht, o antigo ministro Laborinho Lúcio, a socióloga Ana Nunes de Almeida, o psiquiatra Daniel Sampaio, a terapeuta familiar Filipa Tavares e a cineasta Catarina Vasconcelos.

No dia 2 de Dezembro, quando foi apresentado como responsável da CIEAMI, Pedro Strecht garantiu que não espera entraves ao trabalho do grupo: “É óbvia e genuína a vontade” da hierarquia em “conhecer e saber o que aconteceu”, disse na ocasião, como relatou o 7MARGENS.

“Contamos com a total disponibilidade e interesse da própria Igreja em conhecer a verdade e chegar onde chegarmos”, acrescentou.

 

Falar “sem medo” dos “crimes hediondos”

 

O grupo de trabalho garante total independência da hierarquia da Igreja Católica. Foto © Alexas_Fotos | Pixabay

 

Com alguns contornos do seu trabalho ainda por esclarecer – e que deverão ficar hoje clarificados, como prometeu Pedro Strecht –, a comissão será “autónoma e independente” da Igreja Católica, e pretende que as vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero venham relatar “finalmente e sem medo” os “crimes hediondos” que sofreram, disse Pedro Strecht. Não lhe cabendo fazer investigação criminal – que estará a cargo das autoridades judiciais –, a CIEAMI abordará também os casos de encobrimento, que terão levado “ao silenciamento de todos estes casos”.

“Dar voz ao silêncio” foi, aliás, o título que Pedro Strecht deu à sua comunicação de apresentação, em Dezembro, passando em revista o que tem sido o escondimento social destes casos e o modo como a Igreja Católica te lidado com o tema.

O grupo trabalhará num apartamento descaracterizado em Lisboa, para poder acolher eventuais vítimas e trabalhar sem constrangimentos. O trabalho financiado pela própria CEP, que promete todos os meios necessários para o trabalho. “Se me sentir coagido, seria o primeiro a dizer ‘paro por aqui’”, garantiu Pedro Strecht em Dezembro.

Na mesma ocasião, o presidente da CEP, afirmou que os bispos são “os primeiros interessados em fazer luz” sobre os casos que tenham acontecido em Portugal. “Que surja o mais realisticamente possível a nossa realidade”, afirmou, numa intervenção em que destacou o trajecto de Pedro Strecht como “fundamento da confiança” que os bispos depositam no coordenador e restantes membros da comissão.

Pedro Strecht citou o Papa Francisco, para referir que é preciso “o fim de uma cultura de morte e silenciamento cúmplice” praticado durante décadas por pessoas da própria Igreja, nem que seja “impelidos pela dor e pela vergonha de não terem sido boas guardiãs dos menores que nos foram confiados”.

E concluiu: “Foi isso que aconteceu durante muito tempo: a Igreja protegeu, o Estado escondeu, as pessoas comuns não valorizavam nem sequer estavam atentas nem sequer imaginavam as repercussões que isto poderia ter em crianças e adolescentes que passavam por este género de situações. Felizmente que as mentalidades mudaram e que hoje podemos olhar para todas estas questões na Igreja e noutras franjas da sociedade de forma nova, aberta e verdadeira.”

 

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