
O Papa elogiou o trabalho da Comissão, tendo aconselhado os seus membros a “não ficarem atolados”, a “perseverar e a seguir em frente”. Foto © Vatican Media.
Foram conhecidas esta segunda-feira, 8 de maio, as conclusões da assembleia plenária da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, que terminou na passada sexta-feira no Vaticano e contou com a presença do Papa Francisco. Entre as principais, destacam-se a decisão de atualizar a sua estrutura de diretrizes e de criar um fundo que permita dar assistência às vítimas nas regiões mais pobres do mundo.
A nova Estrutura de Diretrizes Universais da Comissão será publicada a 31 de maio e será depois “submetida aos líderes da Igreja, grupos de vítimas e outras partes interessadas”, estando previsto um “período de comentários públicos antes da aprovação final do decorrer deste ano”, avança o Vatican News.
Com base nesta estrutura, a Comissão começou já a trabalhar numa “ferramenta de verificação”, solicitada pelo Papa Francisco, e que servirá para “avaliar a adequação das diretrizes de proteção das igrejas locais”.
Também “em consonância com as indicações do Papa Francisco”, e tendo como objetivo “enfrentar as desigualdades de proteção dentro da Igreja”, a Comissão irá criar “um fundo composto pelas contribuições das Conferências Episcopais para oferecer programas de desenvolvimento de capacidade que garantam maior acesso à formação e assistência às vítimas, seus familiares e às comunidades nas regiões mais pobres do mundo”. O primeiro acordo para um programa piloto foi já assinado com a Igreja do Ruanda.
Foi ainda encomendado “um estudo aprofundado sobre a questão da vulnerabilidade nas suas várias formas, a fim de dotar as entidades da Igreja com medidas sólidas para combater esse setor emergente dos abusos”.
Papa elogia e pede perseverança
No seu discurso, o Papa reiterou que a crise dos abusos é “particularmente grave para a Igreja”, porque “prejudica a sua capacidade de abraçar e testemunhar plenamente a presença libertadora de Deus”. “A incapacidade de agir adequadamente para deter esse mal e ajudar as suas vítimas manchou o nosso testemunho de amor a Deus “, disse Francisco, enfatizando que os “pecados de omissão”, embora pareçam “menos reais”, não são menos graves do que os pecados reais cometidos pelos abusadores.
O presidente da Comissão, cardeal Sean O’ Malley, declarou por seu lado que os desenvolvimentos desta assembleia plenária “representam uma importante mudança para uma direção mais focada no impacto para a Comissão”.
Assumindo que o ritmo dos últimos seis meses foi “acelerado” e “causou dores crescentes”, pois havia que “responder às necessidades de curto e longo prazo”, o responsável sublinhou que foram feitos “alguns ajustes em função da metodologia de trabalho, a fim de esclarecer as diferentes funções e criar um sentido de pertença comum”. E concluiu: “estamos confiantes no plano que definimos e nas pessoas que trabalham connosco”.
Recorde-se que o padre jesuíta Hans Zollner, que integrou nos últimos nove anos a Comissão, pediu a sua demissão no passado mês de março, tendo tornado pública uma cerrada crítica ao modo de funcionamento daquele organismo do Vaticano [ver 7MARGENS].
Sem fazer referência às acusações daquele que é tido como um dos maiores especialistas na matéria o Vaticano, o Papa elogiou o trabalho da Comissão, tendo aconselhado os seus membros a “não ficarem atolados”, a “perseverar e a seguir em frente”. “Vocês já fizeram muito nestes primeiros seis meses”, sublinhou., acrescentando ainda: “Na última década, todos nós aprendemos muito, inclusive eu”.










