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Cravos, 25 de Abril. Foto Madeleine Steinbach

Esta quinta-feira

Comissão Justiça e Paz de Angra promove missa comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril

| 23/04/2024

Cravos, 25 de Abril. Foto Madeleine Steinbach

“Queremos agradecer a Deus o dom de vivermos em paz –  o 25 de abril de 74 também significa o fim de uma guerra – em democracia e em liberdade, valores que a Igreja defende”, afirma o padre José Júlio Rocha. Foto © Madeleine Steinbach

 

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Angra vai assinalar os 50 anos do 25 de Abril com uma missa comemorativa. A eucaristia será celebrada no próprio dia 25, quinta-feira, na Igreja de Santa Luzia, em Angra do Heroísmo, pelas 19h, e presidida pelo padre José Júlio Rocha, assistente da Comissão.

“A Comissão Justiça e Paz em qualquer diocese tem por missão sublinhar a importância dos valores da Doutrina Social da Igreja e desde 1891 que a Doutrina Social da Igreja vem afirmando que a democracia, a liberdade, a participação, o bem comum, a partilha de bens são valores fundamentais na vivência social e política das pessoas e nós, em Portugal,  só conseguimos isso em 1974 e, portanto é isto que estamos a celebrar”, explica o presbítero, citado pelo site Igreja Açores.

“Queremos agradecer a Deus o dom de vivermos em paz –  o 25 de abril de 74 também significa o fim de uma guerra – em democracia e em liberdade, valores que a Igreja defende”, acrescenta o padre José Júlio Rocha, para quem celebrar a democracia e a liberdade deve estar acima de qualquer questão partidária.

“Não se trata de uma questão político partidária; celebrar o 25 de Abril está acima de qualquer partido. É sempre importante celebrarmos os valores de Abril. E será preocupante que existam pessoas que não queiram celebrar isto”, afirma o assistente da Comissão Diocesana, destacando que esta celebração será também um alerta: “se a Igreja não se deve imiscuir na vida partidária, a Igreja tem o seu papel e neste caso é de agradecimento por vivermos em democracia e em paz”.

Até porque a juventude da democracia e a sua vulnerabilidade exigem uma atenção especial dos cristãos, defende. “Há países em que a democracia está em causa porque ela traz riscos, traz incerteza” e diante de alguns fenómenos como as dificuldades económicas, as migrações, o aumento da insegurança ou da criminalidade, “é mais fácil a segurança de uma ditadura que nos mantém a todos sossegados mas sem liberdade, e há pessoas que preferem isso”, refere ainda.

Assim, conclui, “esta missa também servirá para que a memória não se perca e todos possamos empenhar-nos na defesa dos valores de abril”.

 

Bispos católicos pedem que sejam retomadas “as intenções dos autores do 25 de Abril”

A Conferência Episcopal Portuguesa divulgou, no passado dia 11 de abril, uma “Nota Pastoral na comemoração dos cinquenta anos do 25 de Abril“, onde reconhece “tudo quanto se conseguiu de positivo no Portugal democrático, a começar pela liberdade política, o fim da guerra em África e a dedicação cívica de tantos, das autarquias ao Estado, da vida nacional à integração europeia”.

Os bispos católicos portugueses alertam, no entanto, que é necessário retomar “as intenções dos autores do 25 de Abril, no sentido da democratização do país, do fim da guerra e do desenvolvimento geral. Intenções que nos continuam a reclamar nos dias de hoje”.

“Este mesmo impulso solidário, que ganhámos em cinquenta anos de vida democrática, é o que nos levará a todos, cidadãos dum país entretanto enriquecido com populações advindas doutros espaços e culturas, a atingir novas metas nos campos da família, da habitação e do trabalho, da educação e da saúde e de tudo o que garanta uma vida digna a quantos somos hoje e seremos amanhã. Vida devidamente respeitada e acompanhada em todas as suas fases e circunstâncias, da conceção à morte natural”, apelam.

 

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