
Votar nas eleições para o Parlamento Europeu significa contribuir para a defesa do Bem e da Casa Comum. Foto © Parlamento europeu
Uma Europa que deve continuar a seguir o apelo cristão de ajuda ao próximo e de aceitação da diversidade é o desejo da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga para o voto nas próximas eleições europeias, que se realizarão a 9 de junho. Numa nota divulgada nesta segunda-feira, aquele organismo católico considera que participar neste ato eleitoral se revela uma responsabilidade indeclinável.
A Comissão começa por relembrar a conjuntura adversa em que a Europa se encontra, marcada pela guerra na Ucrânia, a saída do Reino Unido da União e a pandemia de covid-19, entretanto já debelada. Todos estes fatores têm contribuído, refere o documento, para uma maior fragilidade da comunidade dos 27. Para além disso, alguns fenómenos populistas têm causado um clima de polarização crescente.
Citando o Papa Francisco num discurso feito ao Parlamento Europeu em 2014, a nota refere que “a Europa deve alimentar uma esperança assente na confiança em que as dificuldades se podem revelar, fortemente, promotoras de unidade, para vencer todos os medos que ela – juntamente com o mundo inteiro – está a atravessar”. “A Europa, como comunidade de povos, deve participar ativamente na promoção e realização duma globalização na solidariedade. Esta supõe, como sua condição, uma espécie de globalização da solidariedade com valores e direitos humanos fundamentais”, escreveu João Paulo II na exortação apostólica Ecclesia in Europa, também referida nesta mensagem.
“Europa, que dizes de ti mesma?” Esta é uma questão central colocada pela nota que salienta, de igual modo, o facto de este território ter aberto portas ao diálogo ecuménico e inter-religioso e à comunhão entre cristãos, sempre no respeito pelas restantes crenças e pelos não crentes, também.
“Uma Europa que já não seja capaz de se abrir à dimensão transcendente da vida é uma Europa que lentamente corre o risco de perder a sua própria alma e também aquele ‘espírito humanista’ que naturalmente ama e defende”, considerou o Papa Francisco quando falou aos eurodeputados em 2014. Nessa ocasião, também o tema da imigração esteve em cima da mesa, afirmando Bergoglio que “para a enfrentar, é necessário que a Europa saiba propor com clareza a sua identidade cultural e implementar legislações adequadas capazes de tutelar os direitos dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, garantir o acolhimento dos imigrantes, adotar políticas justas, corajosas e concretas que ajudem os seus países de origem no desenvolvimento sociopolítico e na superação dos conflitos internos – a principal causa deste fenómeno – em vez das políticas interesseiras que aumentam e nutrem tais conflitos”.
A ecologia foi, ainda, outros dos temas focados por Francisco na sua alocução aos eurodeputados há dez anos, que é agora recordado pela comissão bracarense. “A Europa sempre esteve na vanguarda de um louvável empenho a favor da ecologia. De facto, esta nossa terra tem necessidade de cuidados e atenções contínuos e é responsabilidade de cada um preservar a criação, dom precioso que Deus colocou nas mãos dos homens. Respeitar o ambiente não significa apenas limitar-se a evitar deturpá-lo, mas também utilizá-lo para o bem”, disse o Papa na ocasião. Francisco dizia pensar “sobretudo no sector agrícola, chamado a dar apoio e alimento ao homem”. E acrescentava: “Não se pode tolerar que milhões de pessoas no mundo morram de fome, enquanto toneladas de produtos alimentares são descartadas diariamente das nossas mesas. Além disso, respeitar a natureza lembra-nos que o próprio homem é parte fundamental dela. A par duma ecologia ambiental, é preciso a ecologia humana, feita daquele respeito pela pessoa que hoje vos pretendi recordar com as minhas palavras.”
O documento termina, reiterando o apelo a todos os eleitores para que exerçam o seu direito no próximo dia 9 de junho e apresenta uma série de argumentos para que o façam. Desde a importância de que se reveste o Parlamento Europeu, cujos deputados terão o poder de co-legislar na União Europeia, até ao facto de ser um dever fundamental de cidadania, passando pela defesa do Bem e da Casa Comum.









