
“Este é o tempo oportuno para olharmos a realidade e a vida, a de cada um, a de todos, a das nossas comunidades, de um modo que permita discernir nela aquela Presença que nunca a deixou de habitar e na qual podemos encontrar os sinais de esperança que nos façam ousar as transformações que sabemos ser necessárias” Foto: Igreja de Vila-Flor © Ana Cordovil
“O chamamento para a liberdade constitui um vigoroso apelo que não se pode reduzir a um mero acontecimento, mas que se constrói e amadurece ao longo do caminho”, diz a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica, na sua mensagem para a Quaresma deste ano, divulgada nesta sexta-feira, 15 de Março, e intitulada “Pensar e agir com liberdade e esperança”.
Referindo-se à mensagem do Papa Francisco para este tempo que antecede a Páscoa, o documento destaca o facto de ela fazer “um apelo tão claro à liberdade”, quando em Portugal se preparam as celebrações dos 50 anos do 25 de Abril, “realidade configuradora da nossa actual identidade”. E acrescenta que a Quaresma é, para os portugueses, também um tempo para olharem “o caminho percorrido ao longo destes 50 anos e de perspectivarmos o que queremos percorrer”. Deixa, depois, perguntas que devem “ser formuladas e respondidas se quisermos ser protagonistas da construção do mundo novo a que a mensagem” do Papa convida: “Que país construímos e que país queremos construir? Como cuidamos uns dos outros? Como promovemos o bem comum?”
No documento enviado ao 7MARGENS, a CNJP verifica ainda que a Páscoa de 2024 ocorre num tempo de “muitas inquietações”. E exemplifica: “As desigualdades não só persistem como aumentam, fazendo com que cada vez menos pessoas tenham mais e mais pessoas tenham menos. A constatação desta realidade não nos pode deixar indiferentes e a interpelação que ela causa pode ser vista como oportunidade que traduz a consciência de sabermos que não é este o caminho que queremos trilhar no futuro.”
“Este é o tempo oportuno para olharmos a realidade e a vida, a de cada um, a de todos, a das nossas comunidades, de um modo que permita discernir nela aquela Presença que nunca a deixou de habitar e na qual podemos encontrar os sinais de esperança que nos façam ousar as transformações que sabemos ser necessárias”, diz o texto, que acrescenta que há “decisões muito importantes” a tomar no país e a nível internacional.
A mensagem da Comissão Justiça e Paz sublinha ainda o apelo do Papa a escutar o “grito de tantos irmãos e irmãs oprimidos”, acrescentando: “Somos convidados à ‘paragem do deserto’ para realizarmos um profundo exercício de encontro e de escuta. Encontro com Deus e com aqueles com quem Ele se quer encontrar, e que muitas vezes não chegam a ouvir o convite devido aos muitos ruídos.”
O Papa Francisco, diz ainda a mensagem da Comissão, sugere a esperança como “uma acção que antecipa e começa a fazer acontecer já hoje o futuro esperado” e é a essa esperança que a CNJP “se associa, convidando todos à coragem e à ousadia de pensar e agir assim”.









