Na Mensagem sobre o 25 de abril

Comissão Nacional Justiça e Paz alerta para extremismos

| 20 Abr 2024

25 Abril capitular, 25Abril, Catarina Castel-Branco, Mendo Castro Henriques

Cartaz 50 anos do 25 de Abril, com desenho de Catarina Castel-Branco e frase de Mendo Castro Henriques, para exposição na Galeria Diferença, a partir de 23 Abril 2024, nos 50 anos do 25 Abril 1974. Imagem cedida pelos autores.

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) alertou, em nota da comissão enviada às redações, para a persistência de “fenómenos de ausência de liberdade”, nos 50 anos da democracia em Portugal, alertando para o aumento da intolerância. “Das redes sociais ao espaço público, os silos ideológicos em que nos encerramos contribuem para o fechamento ao outro, para o aumento de discursos racistas, xenófobos ou de intolerância, e para o aumento de vozes pedindo políticas de muros”, refere o organismo católico, numa nota intitulada ‘Juntos, construímos os próximos 50 anos de Democracia e Liberdade’.

O documento, enviado às redações, aponta o dedo a “um tipo de condicionamento da liberdade de pensamento e de expressão que não deve ser ignorado”. “50 anos volvidos, e apesar de tantos avanços positivos, há ainda hoje fenómenos de ausência de liberdade que exigem uma resposta coletiva”, adverte a CNJP, numa reflexão a respeito do aniversário do 25 de Abril.

A nota elenca um conjunto de preocupações, a começar pelas desigualdades sociais, que impedem “o desenvolvimento pleno de cada pessoa e de todos”. “Também a falta de visão de futuro retira esperança e é, para muitos, condicionadora da liberdade”, acrescenta o texto, que recorda todos os que pretendem “fazer de Portugal a base da sua vida, mas se sentem forçados a emigrar”.

A CNJP enuncia uma série de prioridades que considera “garantia de liberdade e de preservação da democracia”, como a erradicação da pobreza e a luta contra as desigualdades, que devem ser uma “missão coletiva”. O organismo católico defende uma cultura de “igualdade e respeito pela individualidade do outro”, convidando os responsáveis políticos a “colocar acima de quaisquer interesses partidários a resolução dos principais problemas dos portugueses”. O objetivo, pode ler-se, passa por “garantir a todos – sem excluir ninguém – um acesso equitativo aos direitos sociais como a saúde, a educação e a habitação”.

O futuro democrático, sublinha a CNJP, exige “políticas de longo prazo, sustentáveis e com consideração pela Casa Comum, que apostem na criação de melhores condições de trabalho, de remuneração e de vida para todos”. A nota destaca ainda a importância de “valorizar a dimensão ética baseada na dignidade humana”. “A sociedade portuguesa viveu grandes transformações positivas nos últimos 50 anos. Que este aniversário de abril nos reanime e comprometa na construção diária da liberdade que assenta na fraternidade, na justiça e na paz”, conclui a CNJP.

Um graffitti numa parede alusivo ao 25 de abril. Foto © Henrique Matos

 

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