Um projeto da Comunidade de Sant'Egidio

Como 60 hortas biológicas estão a ajudar os pobres e doentes de sida no Malawi

| 6 Set 2022

hortas organicas malawi foto vatican news sem creditos

“Mulheres, homens, até mesmo muito jovens, para cada um deles esta não é ‘apenas’ uma maneira de sobreviver à fome.” Foto © Vatican Media.

 

No Malawi, o pais mais pobre do continente africano segundo dados das Nações Unidas, uma iniciativa da Comunidade de Sant’Egidio está a fazer a diferença na vida de milhares de pessoas que viviam abaixo do nível de pobreza extrema, muitas delas infetadas com VIH. Trata-se do projeto DREAM, no âmbito do qual foram criadas 60 hortas biológicas que empregam cerca de 900 agricultores e cujos frutos servem para alimentar e ajudar a fortalecer o sistema imunológico de mais de cinco mil pessoas.

A ideia surgiu em 2017, de uma parceria com a Slow Food International e as Comunidades Laudato si’ de Olgiate Olona (no norte de Itália), que organizaram uma campanha de angariação de fundos para iniciar três hortas na região central do Malawi, as quais serviriam para sustentar algumas famílias muito pobres e também produzir frutas e verduras para o centro nutricional João Paulo II, dirigido pela Comunidade de Sant’Egidio, que assegura a cerca de 700 crianças da região uma refeição diária.

O projeto foi um sucesso e, recentemente, associadas às já 60 hortas, foram criadas as Comunidades de Apoio Agrícola, que reúnem agricultores e clientes, de modo a garantir trabalho e rendimento económico para os trabalhadores rurais, bem como apoio e ajuda aos próprios compradores, que se tornam participantes nas decisões e estratégias de cultivo, e passam a consumir hortaliças orgânicas saudáveis.

Davide Brambilla, biólogo e investigador na área do tratamento de doenças como a sida, tuberculose, hepatite e outras, acompanha este projeto desde o início e espera que cresça ainda mais. “É um círculo virtuoso que eu penso que será amplamente seguido ao longo do tempo”, afirma, em declarações ao Vatican News. “Pode parecer que esta atividade não está relacionada com o meu trabalho como supervisor dos laboratórios de biologia molecular DREAM, mas temos de pensar que o tratamento da infecção por VIH também passa pelo aspeto da nutrição, que fortalece o sistema imunológico e permite uma melhor ingestão de medicamentos antirretrovirais”, explica. E sublinha: “além disso, estas hortas dão uma nova oportunidade a estas pessoas doentes que inicialmente foram atormentadas e afligidas pela doença e pensavam que não tinham nenhuma oportunidade de recomeçar e foram deixadas à margem da sociedade, tendo que carregar sozinhas às costas o fardo, o estigma da doença”.

 

Um projeto “Laudato si'”

Antes da criação das hortas, a Comunidade de Sant’Egidio fornecia aos pacientes do programa DREAM caixas de suplementos alimentares, mas o custo associado às mesmas tornou-se demasiado elevado e surgiu a ideia das hortas como uma alternativa que se revelou ainda melhor e totalmente alinhada com o “espírito Laudato si’“. “Este é um projeto que se encaixa perfeitamente no caminho traçado pelo Papa Francisco na sua encíclica ‘Laudato si’, pois combina e reúne tanto questões sociais como ambientais: as hortas são todas orgânicas e não é utilizada nenhuma substância química”, refere Davide. “Também se trabalha para proteger a biodiversidade em pleno respeito pelo meio ambiente que, por mais hostil que pareça, pode, em vez disso, oferecer muitos recursos.”

Kondwani Phiri, agrónomo, responsável pelas hortas de Sant’Egidio no país, destaca a satisfação que sente ao ver pessoas pobres e doentes voltarem a dar sentido às suas vidas. “Eles estão aqui a trabalhar nestas hortas, várias horas por dia, debaixo do sol, e estão felizes. Mulheres, homens, até mesmo muito jovens, para cada um deles esta não é ‘apenas’ uma maneira de sobreviver à fome, mas um recurso precioso para recuperar dignidade, credibilidade e caminhar de cabeça erguida, enfrentando até mesmo a doença de uma forma diferente”, conta.

As terras, explica, são divididas em lotes e atribuídas a diferentes grupos de pessoas. “Depois, damos-lhes as ferramentas práticas e teóricas para produzir as verduras e legumes com este novo método, até que se tornem autónomos. As verduras são tanto alimentos quanto ervas medicinais, utilizadas para tratar várias doenças.”

O facto de se tratar de agricultura biológica faz, na sua opinião, toda a diferença. “Incentivamos os agricultores a produzir verduras sem produtos químicos, porque descobrimos que há muitas infeções colaterais provenientes de pesticidas e fertilizantes químicos”, além de “poluírem o nosso meio ambiente” e de contribuírem para o desaparecimento de “muitas espécies da nossa biodiversidade”.

Numa frase, Davide resume e conclui: “o amor e o cuidado com a terra beneficiam tanto os pobres quanto a natureza”.

 

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