Como as árvores

| 21 Jan 2023

Árvore

“No fundo, os cristãos são como as árvores já que elas nos ensinam muitas coisas na vida espiritual.” Foto © José Centeio

 

Tudo vem do planeta, da terra ou do mar, seja madeira, alimentação, pedra e metais, petróleo e gás. E mesmo as substâncias compostas, manipuladas pela mão do homem, partem do que a Natureza oferece, o que aumenta a nossa responsabilidade pelo equilíbrio do planeta e nos obriga a uma economia sustentável e a uma mordomia responsável pela sua preservação.

Jesus ensinou as grandes verdades espirituais justamente a partir da Natureza ou da Criação, baseando-se em actividades quotidianas como a pesca, a pastorícia e a agricultura, mas também na vida animal, na alimentação, no estado do tempo ou na vegetação. Diversas vezes utilizou as árvores como exemplos do seu ensino e pregação.

No fundo, os cristãos são como as árvores já que elas nos ensinam muitas coisas na vida espiritual.

Como as árvores necessitamos de crescer em direcção à luz. Se nos lembrarmos do processo de fotossíntese entendemos que a vida vegetal depende da luz. João Evangelista dizia: “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” (1 João 1:5). Depois, o Deus feito carne assumiu-se de novo como a luz do mundo: “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12); “Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (12:46).

A certa altura Jesus usou uma fórmula condicional: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (9:5), o que nos leva ao esclarecimento que o mesmo Novo Testamento nos presta: “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte” (Mateus 5:14). Ou seja, depois da ascensão de Cristo ao céu é à Igreja (aos cristãos) que compete ser luz, mantendo acesa dentro de si a luz do seu Mestre.

Como as árvores necessitamos de ficar firmes. Ou seja, permanecer de pé, mesmo perante as tempestades. É o que S. Paulo diz à comunidade cristã de Corinto: “Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos” (1 Coríntios 16:13). Ou como escreve aos irmãos de Colossos: “Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo” (Colossenses 2:5).

Exige-se que sejamos verticais, resistentes, e mais do que resistentes, resilientes. O que é inflexível tende a partir. Sejamos firmes no essencial e flexíveis no acessório.

Como as árvores necessitamos de respeitar as nossas raízes. São as raízes que sustentam as árvores. Muitas vezes a área das raízes é igual ou superior à da copa, mas não se vê… S. Paulo exortava assim o jovem Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido” (2 Timóteo 3:14); “Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós” (1:14). E o próprio Jesus associou o amor a Deus à observação da Sua vontade: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (João 15:10).

Uma boa raiz é o conhecimento bíblico assim como a oração, a meditação e a comunhão com Deus e os seus irmãos.

Como as árvores necessitamos de dar sombra aos afogueados da vida, descanso aos que caminham e abrigo aos que voam. As árvores dão sombra e descanso a pessoas e animais e abrigo às aves (os que voam). Que a nossa postura sirva de descanso e refúgio a todo o ser humano e à restante Criação).

Como as árvores necessitamos de enfrentar as diferentes estações do ano, em especial as desfavoráveis: Os tempos mudam. Saibamos viver cada tempo que vier. Veja esta parábola de Jesus: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda” (Mateus 7:24-27).

As tempestades virão sempre e não sabemos quando, mas podemos e devemos superá-las. Mais do que ficar firmes, precisamos de seguir o conselho de Paulo aos coríntios: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1 Coríntios 15:58).

Como as árvores necessitamos de dar fruto. É suposto que sejamos inspiração para os famintos desta vida: “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15:8). No reino de Deus somos conhecidos pelos frutos da nossa vida: “Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore” (Mateus 12:33).

Como as árvores necessitamos de produzir folha. O salmista diz: “Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará” (Salmos 1:3). Folha representa medicação ou cura para uma sociedade que está doente.

Se assim for não seremos espalhados pelos ventos desta vida: “Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha” (Salmo 1:4), como sucede com a debulha do trigo na eira. Afinal, Deus conhece o nosso caminho: “Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá” (1:6).

 

 José Brissos-Lino é director do mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e director da revista teológica Ad Aeternum.

 

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