Inquérito sobre a Laudato Si’

Como foi preparado o que o Vaticano considera “um trabalho pioneiro”

| 25 Mai 2021

O padre Joshtrom Isaac Kureethadam é o responsável pela Ecologia e Criação do Dicastério para o Desenvolvimento Humano e Integral. Foto Direitos Reservados

 

O inquérito elaborado pelo 7MARGENS e pela Família Cristã é um “trabalho pioneiro”, considerou o padre Joshtrom Isaac Kureethadam, coordenador do sector Ecologia e Criação no Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, do Vaticano, que na manhã desta terça-feira, 25, será um dos intervenientes na conferência de imprensa de apresentação da Plataforma de Acção Laudato Si’, em Roma.

“A Plataforma não é apenas para propor objectivos, mas antes um caminho de espiritualidade. Para cada um dos sete objetivos, encontrámos, com a ajuda de 91 pessoas, uma lista de coisas a fazer”, explica o padre Joshtrom. A adesão será voluntária, mas, no caso português, a realização do inquérito 7MARGENS/Família Cristã pode ser um estímulo para muitas instituições católicas, considera. “Talvez quem se tenha saído melhor no vosso inquérito, e que já faz coisas, possa aderir no primeiro ano à Plataforma, fazendo com que outros se sintam motivados para ir aderindo nos anos seguintes”, diz, em conversa com o 7MARGENS e a FC.

Este trabalho começou por envolver vários membros e responsáveis da rede Cuidar da Casa Comum (CCC), a quem foi pedido que, de cada um dos capítulos da encíclica Laudato Si’ registasse todas as sugestões concretas ou ideias inspiradoras feitas pelo Papa no documento.

(Os números iniciais referem-se aos parágrafos da encíclica nos quais se baseia a pergunta.)

Só cinco não responderam

Com base nesse levantamento, o 7MARGENS e a Família Cristã elaboraram um questionário que, após formulações mais extensas, acabou com 34 perguntas. Estas incluem questões muito concretas como a reciclagem, separação de lixos ou acolhimento de refugiados, bem como questões mais vastas e abertas. Como por exemplo a primeira: “A diocese/congregação/movimento/instituição tem definidas metas ecológicas, traçadas a partir da Laudato si? Se sim, quais são e qual o calendário para a sua concretização?”

No caso das 21 dioceses, foi pedido que a resposta tivesse em conta apenas as estruturas diocesanas (cúrias, casas de retiro, seminários…) e não todas as instituições católicas existentes no respectivo território.

Além das dioceses, o inquérito foi enviado para sete congregações religiosas: Irmãs Doroteias, Servas de Nossa Senhora de Fátima, Religiosas do Sagrado Coração de Maria, Maristas, Jesuítas, Missionários da Consolata e Salesianos. Faziam parte da lista ainda nove movimentos e instituições: Santuário de Fátima, Universidade Católica Portuguesa, Rádio Renascença, Fundação Fé e Cooperação, Movimento dos Focolares, Opus Dei, Leigos para o Desenvolvimento, Corpo Nacional de Escutas e Movimento Apostólico de Schoenstatt.

Dos 37 inquéritos enviados, só cinco não foram devolvidos, como ficou dito no texto onde se apresentam as conclusões principais. Os padres jesuítas pediram e coligiram respostas de todas as instituições da Companhia de Jesus em Portugal e as Doroteias enviaram respostas de quatro das suas escolas. Uma vez coligidas as respostas, pedimos uma análise dos dados e um comentário a três especialistas, ao presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e ao padre Johstrom, enquanto responsável por esta área no Vaticano.

(O número inicial refere-se ao parágrafo da encíclica no qual se baseia a pergunta.)

Uma sugestão para os bispos portugueses

A falta de metas ecológicas não é um exclusivo português, de acordo com o padre Joshtrom. Essa, aliás, foi uma das razões que levou o Papa a proclamar o Ano Laudato Si’, que agora terminou. “Percebemos que houve um entusiasmo muito grande na altura” da publicação da encíclica. Mas esse arrebatamento inicial passou. “Achámos que era preciso voltar a falar do tema. O Papa disse que o grito da Terra e dos pobres estava a ficar cada vez mais alto e era preciso voltar a falar da encíclica”, explica.

Comentando os dados recolhidos, Joshtrom Kureethadam valoriza o retrato obtido. “Os mínimos estão lá, não são tudo más notícias. A maioria das respostas são na casa dos 50%, e é preciso construir a partir daí”, sugere, indicando duas áreas que lhe parecem prioritárias: dar “mais protagonismo aos jovens”, pois isso pode “até pode ser uma forma de os fazer regressar à Igreja”; e, por outro lado, ter “estratégias globais, porque fazer acções individuais não será suficiente”.

“Precisamos de uma conversão ecológica em acção, mas com uma estratégia definida: ter uma paróquia que se transforma neutra em carbono em sete anos, mas que, ao mesmo tempo, consegue aumentar a espiritualidade, colocar os pobres no centro, mudar estilos de vida…”, indica o responsável do Vaticano, de origem indiana, da diocese de Kerala.

Tudo isto, organizado e promovido pela “equipa de ecologia da Conferência Episcopal”, sugere ainda. Mas essa não existe em Portugal, esclarecem os jornalistas. “Bom, talvez depois do vosso artigo se possa criar uma”, conclui o padre Joshtrom, com um sorriso.

 

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