“Liberdade de imprensa: revolução e democracia em Portugal” é o tema do colóquio que, no dia 22 de Outubro, colocará em debate, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa, investigadores e protagonistas do período pós-25 de Abril de 1974, para aprofundar questões relacionadas com a imprensa – incluindo a religiosa – durante a revolução democrática.
A iniciativa é co-organizada pelo Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) e pelo 7MARGENS e tem como pretexto as cinco décadas da Lei de Imprensa da democracia, promulgada em 26 de Fevereiro de 1975. O caso da Rádio Renascença, que dividiu a sociedade portuguesa, e o papel da imprensa católica e de publicações religiosas “alternativas” durante o processo revolucionário, serão alguns dos temas em debate durante o colóquio, que decorre entre as 9h30 e as 18h00.
No primeiro painel, participam, entre outros, dois dos protagonistas do processo legislativo: João Menezes Ferreira, um dos membros da comissão que redigiu a lei de imprensa, e Alberto Arons de Carvalho, que também integrou essa comissão e seria secretário de Estado com a tutela da Comunicação Social. As intervenções dos dois protagonistas incidirão sobre a acção no centro dos acontecimentos e sobre os direitos a informar e a ser informado que a nova lei consignou.
O diploma legal antecedeu – como previsto no Programa do Movimento das Forças Armadas, que pôs fim à ditadura do Estado Novo – a consagração na Constituição de 1976 da liberdade de expressão e de informação. “À cessação do regime de censura que vigorara durante a ditadura, juntava-se a definição de um dos pilares centrais de qualquer regime democrático: imprensa livre”, diz o texto de apresentação do encontro.
As histórias dos conflitos do jornal República e da Rádio Renascença, duas das importantes disputas durante o processo revolucionário, serão debatidas também no colóquio. Os investigadores e jornalistas Pedro Marques Gomes, Carlos Camponez e Adelino Gomes trarão ao debate as questões da recepção mediática do 25 de Abril, as censuras em tempos de liberdade e a nacionalização das rádios, que foi aplaudida pela direita, durante o designado Processo Revolucionário Em Curso (PREC).
Para lá dos meios de comunicação com circulação nacional, somavam-se também títulos regionais e locais, muitos deles de inspiração católica ou propriedade da Igreja.
A acção de católicos na imprensa será o tema de um outro painel, que incluirá intervenções de estudiosos e intervenientes em diferentes publicações: Rui Martins (jornal Nova Terra: uma voz para um ‘Portugal Novo’); José Centeio (jornal Libertar: uma vontade e uma experiência a muitas vozes); Manuel Pinto (revista Viragem, 1987-1980 – projecto geracional de inspiração cristã e de encontro de sensibilidades diferentes”); e Isabel Stilwell (“Palavras transformadas em Actos: a minha primeira lição de jornalismo”).
O papel da imprensa local no PREC será o foco do outro painel. Nele participam o jornalista Alexandre Manuel, que farlará sobre a opção entre “a linguagem do púlpito e a ‘voz’ da sacristia” com que muitos jornais católicos se viam confrontados; e os investigadores Bruno Madeira, Fátima Moura Ferreira e Eduardo Aguiar e Silva (A Revolução em Braga vista por dois periódicos locais, 1974-1975); João Francisco Pereira (A imprensa periódica de Setúbal no PREC, 1974-1976); e Bernardo Martins (O impacto do 25 de Abril na imprensa madeirense).










