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Uma responsabilidade de todos

Como promover a escuta sinodal ao nível da comunidade e da paróquia?

| 10/11/2021

“O caminho que o Papa desafia a percorrer envolve todos os cristãos e toda a gente de boa vontade. Diria mesmo que envolve mais ainda aqueles que se afastaram da vida da Igreja.”

 

O Sínodo da Igreja Católica, que se encontra em fase de gestação, começa pela base. Isto exige uma atenção particular, já que para muitas das paróquias e comunidades tudo é novidade.

A maioria dos cristãos vem do tempo em que a responsabilidade pela vida das comunidades era dos bispos e dos padres, e só em tarefas absolutamente secundárias de alguns leigos e sobretudo de leigas. “O sr. bispo é que vai dizer como é” ou “o sr. padre é que sabe o que é para fazer” – era assim e, em boa medida, continua a ser esta a ‘cultura’ dominante.

Ora o caminho que o Papa desafia a percorrer envolve todos os cristãos e toda a gente de boa vontade. Diria mesmo que envolve mais ainda aqueles que se afastaram da vida da Igreja, que gostavam que a Igreja fosse diferente, que têm mais que fazer ou em que pensar. Francisco gostaria de ouvir todos. Quer que os padres assumam o seu papel, mas não ocupem o lugar dos leigos ou decidam em seu nome. Eles, de resto, não são uma casta à parte. São membros do povo de Deus, ainda que com um ministério especial. Chegou a hora de assumirmos a responsabilidade que nos cabe.

É uma oportunidade como nunca tivemos, ainda que seja, afinal, o retomar do estilo de uma Igreja que já foi assim, como lemos nos Atos dos Apóstolos. Por isso, vale a pena tentar fazer esse esforço de escutar, perscrutar e tomar a palavra.

Enquanto as comissões diocesanas preparam certamente a formação de animadores e guiões que ajudem as paróquias e comunidades a avançar com o Sínodo nesta fase local, não será má ideia que as pessoas conversem e os grupos troquem opiniões sobre o que é mais adequado fazer.

Há já, na documentação do Secretariado Geral do Sínodo, várias indicações quanto aos objetivos e ao alcance da fase de escuta e diálogo. É sabido que se pretende:

  • “a mais  ampla  participação  possível”, incluindo quem está longe da Igreja, os mais pobres, as minorias…
  • que esta etapa possa dar origem, conforme as possibilidades, a reuniões a nível paroquial, encontros inter-paroquiais,  grupos  ligados  a  escolas,  associações  locais,  plataformas
  • sendo possível, “o ideal  é  que  haja  oportunidades  para  os  diversos  grupos  se  escutarem  uns  aos  outros”, refere o Vademecum
  • para além de reuniões, conversas e encontros presenciais, pode-se sempre recorrer também a inquéritos porta a porta ou a páginas abertas com esse fim nas redes sociais.

Tal como foram criadas comissões diocesanas, é vantajoso que haja também, sempre que possível, comissões paroquiais, comunitárias ou equivalentes.

Parece igualmente lógico que se defina um plano de ação local e que se preveja uma campanha de sensibilização e divulgação orientada não só para os que frequentam a Igreja, mas para toda a comunidade, pelos modos considerados mais eficazes. Faz todo o sentido que haja um período definido para a escuta e que ele seja aberto com uma celebração específica.

O sítio do Secretariado Geral do Sínodo disponibiliza diversos materiais de divulgação de iniciativas que podem facilmente ser descarregados e adaptados com a informação da paróquia, comunidade ou movimento.

Estas comissões devem dinamizar o processo sinodal e coordenar as diferentes iniciativas, mas não lhes cabe controlar o que se faz, nem iniciativas mais espontâneas que possam surgir.

É importante assegurar antecipadamente condições para o registo das sugestões e opiniões que surjam na fase da escuta e combinar responsáveis por essa tarefa.

Quanto às modalidades de escuta, elas terão de ser necessariamente adaptadas à realidade de cada comunidade. As condições e os recursos, inclusive humanos, são extraordinariamente diversos, mas em todos os contextos é possível e desejável criar condições para o diálogo e a escuta, mesmo que de formas muito simples.

A este propósito, a revista espanhola Vida Nueva publicou esta segunda-feira, 8, um contributo em que sugere seis formas de fazer a consulta, não necessariamente excludentes entre si. De uma forma sintética, aqui ficam:

  1. Cada semana uma pergunta – Eventualmente escolhida e adaptada de entre as que o documento do Sínodo sugere ou outra; cada fim-de-semana, no fim da celebração, cada paroquiano responde a uma.
  2. Um inquérito – Havendo recursos para equipas de inquiridores que vão de casa em casa a passar um conjunto breve de perguntas. Há cuidados especiais a ter, mas é uma oportunidade de ouvir os conterrâneos. Pode fazer-se o inquérito online, havendo aplicações digitais para isso, com a vantagem de tratarem os resultados.
  3. Grupos de conversa – Durante uma hora, um pequeno grupo de vizinhos, de amigos, desejavelmente com opiniões diversas sobre algumas questões previamente definidas (a modalidade pode dirigir-se a grupos de caraterísticas específicas: não crentes; idosos ou jovens; não praticantes; responsáveis de instituições locais, etc.).
  4. Assembleia paroquial – Aberta a todos os membros da comunidade paroquial, eventualmente repetida, se necessário, e a fazer em dia de maior disponibilidade. Poderia incluir uma etapa de trabalho em grupos mais pequenos, com animadores de grupo. Fazendo uma segunda, poderia centrar-se no discernimento sobre a síntese da primeira.
  5. Equipas, grupos e comunidades paroquiais – É uma modalidade análoga à anterior, com a vantagem de permitir uma gestão mais leve e dinâmicas mais focadas em problemáticas.
  6. Um conjunto amplo de vozes de grupos e equipas – O objetivo desta modalidade é possibilitar e potenciar o diálogo inter-grupos, numa comunidade, permitindo uma visão panorâmica da comunidade e uma reflexão mais aprofundada.

Estas sugestões remetem, pontualmente, para um conjunto de materiais de apoio ao processo sinodal da Diocese espanhola de Palência, nomeadamente com grupos de adultos, jovens, crianças e de outros coletivos.

 

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