Como regressar à vida?

| 25 Jul 21

Balança. Equilíbrio

A palavra latina “libertas” relaciona-se com “libra”, ou seja, com a “balança”, cujos pratos têm de estar equilibrados – considerando a relação entre nós e os outros.” Foto © Elena Mozhvilo / Unsplash

 

Jesus disse aos Apóstolos: «Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de facto, tanta gente a chegar e a partir que não tinham tempo nem para comer. Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. Muitos viram-nos partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas» (Mc., 6, 30-34). Esta disponibilidade de espírito é um exemplo prático que não devemos esquecer. Trata-se do contrário da indiferença e é uma lição de espírito e cidadania. Neste estranho tempo em que a pandemia nos deixa sinais contraditórios, devemos compreender que a atenção e o cuidado são marcas que não devemos esquecer.

Num recente inquérito à opinião pública, as pessoas consideram que as medidas contra a Covid-19 foram positivas, mas queixam-se que a democracia se viu limitada. É um julgamento natural. Importa, porém, compreender que fomos surpreendidos por uma enfermidade que continuamos a desconhecer. A emergência de novas estirpes diz-nos que todo o cuidado é pouco e que desconhecemos em absoluto como e quando nos vamos libertar da peste. Precisamos, contudo, de atenção e espírito de prevenção. É por isso que se diz que a liberdade está limitada. Mas, não se esqueça, que a liberdade e a autonomia, inerentes à dignidade humana, devem ser protegidas como valores frágeis que são. Se devemos impedir os abusos de poder, temos de perceber que o estado de necessidade obriga a uma autolimitação da autonomia individual. Etimologicamente a palavra latina “libertas” relaciona-se com “libra”, ou seja, com a “balança”, cujos pratos têm de estar equilibrados – considerando a relação entre nós e os outros. A liberdade pressupõe a compreensão do lugar do outro e da nossa responsabilidade. Eis por que somos levados a limitar os nossos movimentos, fazendo-o como ato de inteligência e não por imposição de um tirano. No fundo, protegendo-nos, rompemos a cadeia de transmissão de um vírus que é mortal, assegurando que os mais vulneráveis não sejam atingidos e condenados.

 

Guilherme d’Oliveira Martins é administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

A votar, a votar!

[Segunda leitura]

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