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© ACNUR As condições de saúde no Sudão estão a deteriorar-se como resultado do conflito no país.

"A crise mais grave" da sua história

Comunidade de Santo Egídio alerta para o drama humanitário que se vive no Sudão

| 15/07/2024

© ACNUR As condições de saúde no Sudão estão a deteriorar-se como resultado do conflito no país.

A situação humanitária no Sudão está a agravar-se de dia para dia. Foto © ACNUR

Um drama humanitário imenso e situações de fome generalizada: a Comunidade de Sant’Egídio deixou um aviso à comunidade internacional sobre a situação que se vive presentemente no Sudão e o balanço é muito negativo. Num episódio recente, houve pessoas que morreram porque trocaram sumo de laranja por veneno.

“Desde 15 de Abril de 2023, o Sudão mergulhou na crise mais grave da sua história, uma guerra civil em todo o seu território”, afirmou Marco Impagliazzo, presidente da Comunidade, um grupo católico sediado em Roma, citado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre. “Estamos aqui também para incentivar a recolha de fundos para ajuda humanitário, destinada à população que sofre, particularmente para quem hoje passa fome, um dos maiores problemas desta crise humana”, acrescentou, numa conferência de imprensa realizada na passada quinta-feira, 11, em Roma.

O padre Angelo Giorgetti, ecónomo-geral dos Missionários Combonianos; Vittorio Oppizzi, chefe dos programas no Sudão dos Médicos Sem Fronteiras; a irmã Ruth del Pilar Mora, conselheira para as missões do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (Salesianas); e Pietro Parrino, diretor do Departamento de Projetos de Emergency, intervieram também na sessão.

Parrino descreveu o ambiente de caos que se vive em Cartum, a capital sudanesa: “Não há medicamentos, não há alimentos frescos, apenas alimentos secos e isso significa que muitas pessoas estão desnutridas. Há dias, dezenas de pessoas morreram porque pensaram que estavam a beber sumo de laranja em pó, mas na verdade era veneno…”.

A conjuntura vivida no país é gravíssima a todos os títulos. Estima-se que já poderão ter morrido cerca de 15 mil pessoas e cerca de 10,7 milhões estejam na condição de deslocadas e refugiadas, o que se traduz numa das maiores crises humanitárias do planeta. Porém, esta é uma situação ausente da maioria dos media internacionais.

O conflito armado no Sudão, que começou em 15 de Abril do ano passado é, na verdade, uma guerra entre dois generais, Abdel Fattah al-Burhan, que lidera as Forças Armadas Sudanesas, e Mohamed Hamdan Dagalo, também conhecido como ‘Hemedti’, que comanda o grupo paramilitar RSF, Forças de Apoio Rápido.

A Conferência Episcopal dos Bispos Católicos do Sudão, que reúne os bispos do Sudão e do Sudão do Sul, fizeram no final do mês de junho um forte alerta para esta situação. No final de um encontro realizado na cidade de Juba [capital do Sudão do Sul], na primeira semana de julho, os prelados emitiram um comunicado onde se pode ler que “o tecido da sociedade sudanesa foi dilacerado, com pessoas chocadas, traumatizadas e incrédulas com o nível de violência e ódio, e tudo isto não pode ser reduzido à simples expressão de uma guerra”.

“Não se trata simplesmente de uma guerra entre dois generais, pois o exército está enraizado na vida económica do país, e tanto a SAF (exército) quanto a RSF (os paramilitares) têm uma rede de ricos indivíduos e cartéis da elite sudanesa e internacional que beneficiam do controlo de vários sectores da economia”, afirmam, citados pelo Vatican News. Na verdade, “os dois partidos em guerra controlam, cada um, setores importantes da economia sudanesa e estão ligados a patrocinadores externos que continuam a fornecer armas cada vez mais sofisticadas, como drones”, acrescenta o portal de notícias da Santa Sé.

Perante esta conjuntura calamitosa sob o ponto de vista humanitário, a Fundação AIS lançou, entretanto, uma campanha de sensibilização dirigida aos seus benfeitores e amigos em Portugal alertando-os para a necessidade de ajuda de emergência para todas as vítimas da guerra. [ver 7MARGENS]

“A guerra no vizinho Sudão está a provocar uma crise humanitária sem precedentes, obrigando milhares de pessoas a fugir. Estas famílias, despojadas de tudo, procuram agora refúgio e esperança no Sudão do Sul, país onde falta quase tudo. E é aqui que a Igreja e a Fundação AIS entram em ação”, escreveu Catarina Bettencourt, diretora do secretariado português deste organismo.

O arcebispo de Juba, Stephan Ameyu, fala em  “necessidades gigantescas”. “Por favor, venham em ajuda destas pessoas deslocadas que não têm comida, não têm água, não têm tendas nem bens de primeira necessidade”, disse o arcebispo, acrescentando que todos os refugiados que cruzaram a fronteira, fugiram da guerra e estão agora mesmo sem nada. “Deixaram tudo para trás, fugindo para salvar a vida.”

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