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manifestacoes George Floyd, Foto ONU _ Daniel Dickinson

Condenado o homicida de George Floyd, falta superar o “racismo sistémico”

| 21/04/2021

manifestações George Floyd

Mais importante do que o veredito “é o que tem sido gritado nas nossas ruas ao longo de quase um ano: que a vida de George Floyd importa, as vidas negras importam”, afirmou o bispo John Stowe, presidente da Pax Christi EUA. Foto © ONU/Daniel Dickinson.

 

Foi com alívio, sentido de justiça e lágrimas que a condenação do polícia que matou George Floyd foi recebida. Pela comunidade negra, naturalmente, mas também por uma boa parte dos cidadãos norte-americanos, a começar pelo seu presidente e ainda os representantes de várias confissões religiosas. “Agora já podemos respirar!” – foi a frase emblemática de um familiar.

A ideia corrente nos Estados Unidos da América de que os agentes das forças de segurança são inimputáveis, mesmo quando os dados sugerem a existência de tratamento desigual conforme as etnias, levou um duro golpe com a sentença, considerada histórica, desta terça-feira, 20.

Biden telefonou à família, considerando que o resultado pode ser “um momento de mudança significativa”, no sentido de contrariar o que disse ser “uma mancha na alma da nação” norte-americana: “o racismo sistémico”.

Todos concordam que, se não fosse o vídeo gravado por uma adolescente que se encontrava no lugar em que Floyd foi morto, em 25 de maio de 2020, dificilmente este caso teria tido a repercussão que teve, incluindo no movimento “Black Lives Mattter” [As vidas dos negros importam]. O vídeo espalhou-se de tal modo que terá sido visto por um número de vezes superior a mil milhões.

Comentando a decisão do júri do julgamento, o bispo T.D. Jakes, autor e pastor da megaigreja de Dallas, manifestou contentamento pelo resultado, mas preferiu sublinhar os desafios para o futuro: “Estamos conscientes de que ainda há muito trabalho pela frente. O nosso sistema de justiça criminal continua profundamente débil. Os negros permanecem desproporcionalmente vítimas da brutalidade policial e são mais sujeitos a serem parados ou citados por violações de trânsito insignificantes ou fantasma”.

Por sua vez, Jim Winkler, presidente do Conselho Nacional das Igrejas, declarou: “Rezo para que este veredito ajude a avançar a causa da justiça racial, mesmo que ainda tenhamos um longo caminho a percorrer.” No mesmo sentido se expressou Russell Moore, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul: “Vamos trabalhar juntos para uma nova era de justiça racial e esperança americana.”

Em nome da Pax Christi dos EUA, o seu presidente, bispo John Stowe declarou que “este veredicto respeita tanto o estado de Direito como aquilo a que o mundo inteiro assistiu em vídeo. Mais importante, afirma, é o que tem sido gritado nas nossas ruas ao longo de quase um ano: que a vida de George Floyd importa, as vidas negras importam. Rezemos para que tenha sido estabelecido um precedente que permita que as pessoas de cor saibam que suas vidas devem ser protegidas pela aplicação da lei e que haverá consequências quando isso não acontecer.”

“Tantos outros julgamentos que ainda estão para chegar e tantos outros que já aconteceram e não tiveram a visibilidade deste”, lamentou, sobre o mesmo assunto,  o bispo Ralph McCloud, diretor da Campanha Católica para o Desenvolvimento Humano, integrada no Programa de luta contra a pobreza. “Se ficarmos quietos” perante um documento como o vídeo da morte de Floyd, “somos cúmplices”, acrescentou, advertindo ainda que as instituições católicas precisam de perguntar-se sobre o que “faz as pessoas desconsiderarem e desrespeitarem a vida humana por causa da cor da pele de uma pessoa”.

 

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