Continuidade dominou

Conferência Episcopal: tudo na mesma nas eleições dos bispos

e | 18 Abr 2023

Presidência da CEP reeleita a 18 de abril de 2023, em Fátima. Da esq. para a dta., bispos Virgílio Antunes, José Ornelas e padre Manuel Barbosa. Foto © CEP

Presidência da CEP reeleita a 18 de abril de 2023, em Fátima. Da esq. para a dta., os bispos Virgílio Antunes (Coimbra) e José Ornelas (Leiria-Fátima) e o padre Manuel Barbosa. Foto © CEP.

 

O bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, foi reeleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) para os próximos três anos, tendo sido igualmente reconduzidos nos cargos de vice-presidente e secretário da presidência deste organismo o bispo de Coimbra Virgílio Antunes e o padre dehoniano Manuel Barbosa, respetivamente. Contrariando algumas especulações das últimas semanas sobre eventuais mudanças no órgão máximo da Igreja Católica em Portugal, devido à resposta da CEP ao escândalo dos abusos, os resultados das eleições para o novo triénio na CEP, que decorreram na manhã desta terça-feira, 18 de abril, em Fátima, revelam que permanece quase tudo na mesma – uma possibilidade de que o 7MARGENS dera conta, a partir da conversa com vários bispos na semana passada.

Em causa estavam essencialmente a possibilidade de o próprio bispo de Leiria-Fátima recusar terminantemente continuar no cargo, tendo em conta o desgaste provocado pela forma como os bispos reagiram ao relatório sobre os abusos; e o desagrado ou não pela linha por ele protagonizada no combate ao problema – e da qual a criação de a Comissão Independente para o estudo do fenómeno foi a decisão mais visível. José Ornelas não enjeitou a ideia de continuar e, pelos vistos, os bispos não contestaram a sua liderança, apesar dos erros de comunicação admitidos pelo próprio.

Uma das grandes expectativas era a de conhecer o nome do secretário da presidência, visto que de acordo com os novos estatutos da CEP, aprovados pelo Dicastério para os Bispos no passado dia 30 de março, este cargo poderia passar a ser ocupado por um leigo (homem ou mulher). Os bispos portugueses preferiram, no entanto, manter nas funções o padre Manuel Barbosa, que inicia assim o seu quarto mandato (este é único cargo da CEP em que não existe um limite de dois mandatos consecutivos).

No conselho permanente, mantêm-se Manuel Linda (bispo do Porto), José Francisco Senra Coelho (Évora), José Traquina (Santarém) e Manuel Clemente (que na qualidade de cardeal-patriarca de Lisboa é membro nato deste organismo). A única alteração registada neste órgão é a saída do arcebispo de Braga, José Cordeiro (que já tinha cumprido dois mandatos seguidos nesta função) e a entrada do bispo de Aveiro, António Moiteiro Ramos.

Moiteiro Ramos, por sua vez, foi substituído na presidência da Comissão Episcopal da Educação Cristã pelo bispo de Vila Real, António Augusto de Oliveira Azevedo. Já o arcebispo de Braga manteve a presidência da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade.

Também mantêm os mesmos presidentes do triénio anterior as comissões episcopais da Pastoral Social e Mobilidade Humana (José Traquina), e da Missão e Nova Evangelização (Armando Esteves Domingues), confirmando uma tendência das eleições na CEP quando não há necessidade de alterar os responsáveis: os presidentes das comissões sectoriais têm de ser os bispos residenciais ou auxiliares (os eméritos não têm direito a voto nem podem presidir a qualquer comissão); ou seja, há entre 21 a 30 bispos que podem exercer os 14 cargos do conselho permanente e presidências das comissões. Neste momento, as possibilidades de escolha eram ainda mais reduzidas, já que vários bispos estão para sair: além de Setúbal e Bragança, que estão sem bispo há mais de um ano, também a Guarda, Portalegre-Castelo Branco, Lisboa, Beja e Algarve ficarão sem bispo em breve, porque os seus titulares atingiram ou estão a atingir os 75 anos, idade canónica para pedir a resignação (no caso de Beja, pediu a saída antecipada por razões de saúde, o que já foi aceite pelo Vaticano).

Em conclusão, foram eleitos quase todos os bispos que, neste momento, poderiam desempenhar cargos nas presidências da CEP ou das comissões sectoriais. As excepções são os de Viana (João Lavrador), que esteve até agora com a comissão das Comunicações Sociais e Cultura, Lamego (António Couto), que era o delegado para as relações da CEP com os religiosos, Viseu (António Luciano Costa), que só integrava como vogal a comissão da Pastoral Social e Mobilidade, e o auxiliar de Lisboa, Américo Aguiar, que está responsável pela JMJ e pela Rádio Renascença.

Na Comissão do Laicado e Família, Joaquim Mendes (bispo auxiliar de Lisboa), que também terá de sair em breve por ter atingido os 75 anos, deu o lugar a Nuno Almeida, bispo auxiliar de Braga; nas Vocações e Ministérios, António Azevedo passou o testemunho a Vitorino Pereira Soares, bispo auxiliar do Porto; a Cultura, Bens Culturais  e Comunicações Sociais passaram das mãos de João Lavrador (Viana do Castelo) para as do bispo do Funchal, Nuno Brás.

Rui Valério, bispo das Forças Armadas e de Segurança, foi eleito delegado para as Relações Bispos/Vida Consagrada, sucedendo no cargo ao bispo de Lamego, António Couto, e o bispo Nuno Brás mantém-se como Delegado para a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (Comece), organismo para o qual foi eleito vice-presidente no passado dia 22 de março.

Por inerência do cargo, são ainda delegados da CEP o bispo Manuel Clemente, enquanto patriarca de Lisboa e magno chanceler da Universidade Católica Portuguesa, no Conselho Superior da mesma; e José Ornelas, enquanto oresidente da CEP, no Pontifício Colégio Português e no Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).

Compete agora ao presidente de cada Comissão escolher os restantes membros da mesma (normalmente, mais dois bispos e um secretário, que pode ser ou não bispo), sujeitando-os à confirmação da assembleia plenária da CEP..

A reunião dos bispos portugueses prolonga-se até quinta-feira, 20 de abril, dia para o qual está agendada uma jornada nacional de oração pelas vítimas de abusos sexuais, de poder e de consciência na Igreja Católica. Às 11 horas, os bispos celebrarão uma missa por esta intenção na Basílica da Santíssima Trindade – cujo painel do altar é uma obra do artista esloveno e padre jesuíta Marko Rupnik, que tem sido acusado de abusos por várias mulheres, incluindo freiras – tendo sido disponibilizada esta terça-feira uma oração universal para ser utilizada nas celebrações eucarísticas desse dia em todas as comunidades cristãs e religiosas.

Nesta oração, os bispos propõem que todos os fiéis rezem, entre outras intenções, “pelas pessoas que foram vítimas de qualquer espécie de abusos, para que encontrem em Cristo ressuscitado a cura das suas feridas e a coragem para uma vida nova”, e também “pelos familiares e amigos que acompanham as vítimas de abusos, para que sejam uma presença de conforto e de ambiente seguro, e ajudem na recuperação da dignidade humana”.

O tema dos abusos e a resposta ao relatório é o prato forte da agenda desta assembleia, com os bispos a debaterem a resposta a dar ao relatório apresentado há dois meses pela Comissão Independente.

 

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