Os representantes das principais confissões religiosas presentes na República Democrática do Congo (RDC) uniram esforços e apresentaram esta semana o seu “roteiro para a paz” no país que é assolado por conflitos armados há já mais de 30 anos. Estruturado em quatro etapas, o plano é fruto de inúmeras reuniões entre os líderes religiosos, mas também com o gabinete do Presidente da República, e aguarda agora a aprovação do chefe de Estado para que possa ser implementado o mais brevemente possível.
A iniciativa envolve a Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO), a Igreja de Cristo no Congo (ECC), a Plataforma das Confissões Religiosas no Congo e a Coligação Inter-religiosa pela Nação (CIN) e propõe, em primeiro lugar, “acalmar as tensões” e criar “um clima propício ao diálogo”. Para tal, está prevista a organização de um “mês de paz”, que incluirá um “serviço ecuménico nacional” em todo o país, incluindo nas zonas sob o controlo do M23, um dos principais grupos rebeldes presentes no leste da RDC. O objetivo é desafiar “as práticas culturais e comportamentais nocivas” e promover um ambiente pacífico “baseado na fraternidade, solidariedade, respeito mútuo, cooperação intercomunitária e bom entendimento cívico”.
Paralelamente, estão previstas atividades de advocacia, que se centram na implementação concreta de um cessar-fogo, no apoio a ações humanitárias em favor dos deslocados internos e no afastamento dos grupos armados.
Em seguida, então previstos dois diálogos. O primeiro, intitulado “diálogo de especialistas”, visa estabelecer “as bases racionais, objetivas e técnicas do futuro Pacto Social para a Paz” na RDC. Académicos, investigadores, pensadores e intelectuais serão convidados a expressar as suas opiniões sobre questões como a governação social e económica, a gestão ambiental e dos recursos naturais, as questões da identidade, da justiça e dos direitos humanos.
O segundo diálogo, que é descrito como “ponto culminante do processo”, será estruturado em torno de dois eixos: o primeiro visa “obter consenso entre os atores políticos e as forças vitais da nação” em torno das iniciativas anteriores lideradas pelas religiões; o segundo consiste na realização de reuniões políticas com o objetivo de alcançar “um compromisso político patriótico, em prol de soluções holísticas e duradouras para as causas profundas desta crise multifacetada que persiste desde a independência em 30 de junho de 1960”. Este último diálogo deverá reunir “a maioria, a oposição não armada e a oposição armada, a sociedade civil, as autoridades consuetudinárias e tradicionais, a diáspora e os intelectuais, com base no regime de quotas”. As conclusões destes diálogos entre peritos e políticos serão depois submetidas ao Presidente da República.
Por fim, e como a crise congolesa envolve vários Estados estrangeiros, o roteiro prevê uma conferência internacional sobre a paz na região dos Grandes Lagos, e ainda uma outra reunião focada no financiamento da reconstrução da RDC.
Cabe agora ao Presidente Felix Tshisekedi “tomar medidas estatais o mais rapidamente possível para lançar oficialmente este processo de paz nacional e inclusivo”. E aos parceiros internacionais apoiar a implementação deste roteiro “de forma sincera e construtiva”.










