Comunidade cristã ameaçada

Confrontos étnicos intensificam-se em Manipur e fazem mais 13 mortos

| 6 Dez 2023

Casa queimada em Manipur, na sequência de confrontos étnicos. Foto CSI

A comunidade cristã tem sido particularmente visada pelos confrontos, havendo registo de mais de 350 igrejas arrasadas e sete mil casas destruídas. Foto © CSI

 

Pelo menos 13 pessoas foram mortas num tiroteio entre dois grupos armados no nordeste do estado de Manipur (Índia), assolado ao longo dos últimos sete meses por episódios de violência étnica e religiosa. O tiroteio aconteceu no início desta semana, mas desde maio que os confrontos se sucedem, tendo já feito, ao todo, mais de 180 vítimas mortais e 40 mil deslocados. A comunidade cristã tem sido particularmente visada, com mais de 350 igrejas arrasadas e sete mil casas destruídas.

“Não estamos em posição de identificar imediatamente os cadáveres e não podemos dizer a que grupo militante pertencem”, disse um responsável das forças de segurança indianas à agência Reuters, mas tratou-se – assegurou – de um “tiroteio massivo”. Os corpos, com vários ferimentos de bala, foram encontrados numa aldeia no distrito de Tengnoupal esta segunda-feira, 4.

O conflito em Manipur (região ligada ao resto do país por um estreito corredor terrestre, e que faz fronteira com Myanmar) começou a 3 de maio, na sequência de uma diretiva judicial divisiva [ver 7MARGENS]. A nova lei implica a extensão de benefícios económicos especiais e quotas à população maioritariamente hindu Meitei, os quais eram anteriormente exclusivos do povo maioritariamente cristão Kuki-Zo. Além disso, a mudança proposta permitirá a compra de terras pelos Meitei em territórios que pertencem aos Kuki-Zo. 

As tensões comunitárias resultaram em violência generalizada e “a comunidade cristã Kuki-Zo em Manipur está no meio de uma crise humanitária crescente”, alerta a organização Christian Solitarity International (CSI).

 

Governo forneceu um cobertor e um colchão por agregado familiar

Mary Beth, voluntária num dos 112 campos de deslocados que foram montados em Churachandpur (um dos 16 distritos do Estado de Manipur, onde vivem sobretudo Kuki-Zo), revelou à organização de defesa da liberdade religiosa que 53 pessoas que procuraram refúgio naqueles campos, incluindo várias crianças, morreram devido a medicação inadequada e às más condições sanitárias.

A voluntária acredita que todos eles poderiam ter sobrevivido se tivessem acesso a cuidados médicos e fossem acompanhados por profissionais adequados, mas os médicos especialistas, todos Meitei, deixaram o distrito após o início da violência a 3 de maio. 

Mary Beth relatou ainda que cerca de 60 por cento das pessoas deslocadas dormem no chão há mais de seis meses. Apesar de as famílias terem em média quatro membros, o governo forneceu apenas um cobertor e um colchão por agregado familiar.

Campo de deslocados em Churachandpur, Manipur (Índia) . Foto CSI

 Cerca de 60 por cento das pessoas deslocadas dormem no chão há mais de seis meses. Foto © CSI

 

As fortes chuvas têm vindo a piorar as já precárias condições de vida dos deslocados, acrescentou a voluntária: “O chão está molhado e a saúde das crianças asmáticas está a piorar. Outras crianças estão com constipações e febre. Além disso, várias crianças morreram após um surto de sarampo”.

Com o inverno no horizonte, há uma necessidade premente de agasalhos entre os deslocados, assinalou ainda Mary Beth, recordando que, como os confrontos começaram no pico do verão, a maioria das pessoas fugiu sem vestuário adequado para os meses mais frios que se avizinhavam. 

 

Silêncio do primeiro-ministro questionado

De acordo com a CSI, as tensões estão agora a aumentar, depois de um agente da polícia de etnia Meitei ter sido morto a tiro por um alegado atirador Kuki-Zo, no passado dia 31 de outubro, na cidade de Moreh, perto da fronteira com Myanmar. Seguiram-se ações violentas dos extremistas Meitei e das autoridades policiais, tendo como alvo as comunidades Kuki-Zo. De resto, “a força policial local é conhecida por ser tendenciosa contra a comunidade Kuki-Zo”, lamenta a ONG. Relatórios a que a organização teve acesso detalham “ataques brutais a mulheres e meninas, homens espancados e saques desenfreados”. 

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, líder do partido de direita Bharatiya Janata (BJP), tem sido acusado de querer que a Índia se torne uma nação hindu, na qual os cidadãos pertencentes às minorias religiosas são considerados “de segunda classe”. Em julho, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução em que eram referidos “relatos de envolvimento partidário das forças de segurança nas matanças” e se instava o governo indiano a restaurar a paz em Manipur. Já esta terça-feira, 5, o secretário-geral do Congresso indiano, Jairam Ramesh, questionou o silêncio do primeiro-ministro Narendra Modi sobre a situação de Manipur, assinalando que esta continuava “longe do normal”.

Mas nas eleições locais que decorreram em três dos principais Estados centrais do país no passado fim de semana, o BJP derrotou por uma larga margem a oposição de centro-esquerda, o que significa que Modi continua a ser o favorito para ganhar um terceiro mandato consecutivo no próximo ano.

 

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