
Transporte de soldados da ONU feridos em combate com o M23 no Kivu do Norte. Nos últimos meses, os combates causaram dezenas de milhares de deslocados, estando em curso várias iniciativas diplomáticas para tentar trazer a paz à região. Foto © MONUSCO.
De terços e crucifixos na mão, entoando cânticos religiosos e segurando cartazes com as frases “Não à balcanização da RDC” ou “Não à hipocrisia da comunidade internacional”, milhares de manifestantes saíram à rua em pelo menos quinze cidades do país para participar na marcha pela paz convocada pelos bispos congoleses.
Durante as manifestações, cujo principal objetivo era denunciar a violência do movimento terrorista 32 de Março (M23), que ocupa várias localidades da região do Kivu do Norte, os participantes criticaram o silêncio da comunidade internacional, que acusaram de ser cúmplice das forças de ocupação que violam a soberania e a integridade territorial da RDC.
Segundo relatos da Agência Fides, os manifestantes apontaram o dedo aos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Bélgica por serem “predadores de recursos naturais” do país, e também à ONU, União Europeia e Comunidade de Estados da África Oriental por “não jogarem limpo”.
“A comunidade internacional está a mostrar uma atitude hipócrita e complacente roça a cumplicidade”, lê-se num comunicado publicado pelos participantes na manifestação de Kinshasa, na qual pedem às autoridades congolesas uma série de medidas.
Entre elas, e em primeiro lugar, uma profunda reestruturação dos serviços de segurança. Em segundo lugar, solicitam às autoridades congolesas que intensifiquem o processo de retirada da missão da Organização das Nações Unidas para a Estabilização na RDC (MONUSCO) do território congolês.
No passado dia 29 de novembro, um massacre que o Governo congolês atribui ao M23 fez pelo menos 300 mortos na aldeia de Kishine, a 70 quilómetros de Goma, capital do Kivu do Norte. De acordo com as autoridades congolesas, a organização teve apoio de integrantes do exército do Ruanda.
Nos últimos meses, os combates causaram dezenas de milhares de deslocados, estando em curso várias iniciativas diplomáticas para tentar trazer a paz à região e aliviar as tensões entre a RDC e o Ruanda, acusado de apoiar o M23. Numa pequena cimeira organizada a 23 de novembro, em Luanda, as partes aceitaram um cessar-fogo e também a retirada das forças do M23 das áreas ocupadas, o que até agora não se concretizou.










