AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

bandeira lgbt junto ao senado norte-americano foto c standing for freedom

Senado deu mais um passo

Congresso americano reforça defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo

| 17/11/2022

bandeira lgbt junto ao senado norte-americano foto c standing for freedom

“Embora eu acredite no casamento tradicional, (…) esta legislação oferece segurança a muitos americanos LGBTQ.”, escreveu o senador Mitt Romney. Foto © Standing for freedom.

 

Uma maioria de 62 senadores norte-americanos votou na quarta-feira, 16 de novembro, a favor de encerrar o debate sobre a Lei de Proteção do Casamento que obriga todos os Estados dos EUA a reconhecerem os direitos dos casamentos inter-raciais e entre pessoas do mesmo sexo, mesmo que estes tenham sido celebrados noutro Estado. O Senado incluiu uma emenda para proteger a liberdade religiosa, garantindo que as organizações religiosas não seriam prejudicadas por manterem posições contrárias à lei e recusarem-se, por exemplo, a abençoar tais casamentos.

Os 37 senadores republicanos que se opuseram à passagem da Lei não foram suficientes para impedir que ela possa ser votada em definitivo ainda esta semana e reenviada à Câmara de Representantes onde, apesar da maioria conquistada pelo Partido Republicano, tem assegurada a votação favorável. Uma vez aprovada e assinada pelo Presidente Biden, a legislação revogará a Lei de Defesa do Casamento de 1996 que definia o casamento como a união de um homem e uma mulher e permitia que os Estados se recusassem a reconhecer casamentos entre pessoas do mesmo sexo realizados noutro Estado. Esta lei nunca foi revogada apesar de ter sido declarada inconstitucional pela decisão de 2015 do Tribunal Constitucional (TC) no caso Obergefell v. Hodges. Contudo, muitos democratas e vários republicanos levaram a sério as palavras de Clarence Thomas (juiz do TC) quando este disse que “devemos reconsiderar todos os precedentes deste Tribunal, incluindo (..) Obergefell v. Hodges”.

A posição deste juiz, tido como o mais conservador do Tribunal, foi escrita na sua tomada de posição final no processo que levou à revogação da anterior decisão do mesmo TC conhecida como Roe v. Wade que durante 50 anos garantiu o direito ao aborto nos Estados Unidos.

A Câmara dos Representantes aprovou a Lei de Proteção do Casamento, mas o Senado adiou a votação do projeto para depois das eleições de novembro de forma a não ser acusado de oportunismo eleitoral. A emenda sobre a proteção da liberdade religiosa esclarece que a lei não autoriza o Governo Federal a reconhecer casamentos polígamos e confirma que as organizações religiosas não são obrigadas a fornecer “quaisquer serviços, instalações ou bens para a benção ou celebração de um casamento”.

“Embora eu acredite no casamento tradicional, (…) esta legislação oferece segurança a muitos americanos LGBTQ e assinala que o Congresso – e eu – estimamos e amamos todos os nossos concidadãos por igual”, escreveu o senador Mitt Romney (republicano)  num comunicado citado pelo Washinton Post.

 

Legislação antiaborto

A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo é largamente aceite pelos católicos americanos, revela uma recente sondagem conduzida durante o mês de outubro pelo Pew Research Center. De acordo com aquele estudo, a aprovação entre os católicos (66%) supera, inclusive, a média nacional (61%). Em termos religiosos, só no grupo de brancos protestantes não-evangélicos se encontram valores tão altos (62%) de opiniões que consideram “bom” ou “muito bom” para a sociedade a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Entre todos os protestantes, tal opinião é apenas partilhada por 42 por cento, percentagem que é mais alta entre os evangélicos negros (49%), mas mínima entre os evangélicos brancos (26%), que na sua larga maioria veem como “más” ou “muito más” as consequências sociais de tais leis.

Noutro campo da doutrina e morais católicas, William Lori, arcebispo de Baltimore e presidente da Comissão Nacional Pró-Vida, disse no dia 16 de novembro, durante a assembleia plenária da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB no acrónimo em língua inglesa) que as recentes votações em cinco Estados para proteger o direito ao aborto não resultaram como a conferência esperava, e que o “trabalho de educar, catequizar, evangelizar, talvez tenha de ser mais massivo do que pensávamos”.

Falando ao jornal Crux Now durante a reunião da USCCB [ver 7MARGENS] que terminou esta quinta-feira, o arcebispo Lori disse que a decisão do TC ao revogar neste verão o acordão Roe v. Wade tinha mudado o trabalho da comissão: “com a lei do aborto agora nas mãos dos Estados”, a prioridade da comissão passou a ser “trabalhar com cada bispo e com as conferências estaduais” para que invistam na defesa de legislação anti-aborto. Lori acrescentou que a comissão ia divulgar documentação que incentivasse os líderes diocesanos a abordar a defesa das leis antiaborto de uma maneira “amigável” e “prática”.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Perseu declara-se vítima

Testemunho

Perseu declara-se vítima novidade

Escrevo como sobrevivente de abuso sexual na Igreja. Estive calado trinta e seis anos. Sou acompanhado há mais de oito. Não escrevo para defender a instituição, e nada lhe devo. Defendo duas coisas apenas: os sobreviventes e a Graça. [Testemunho de um sobrevivente de abuso sexual na Igreja Católica].

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia

Padre da Obra da Rua morreu

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia novidade

O padre Telmo Ferraz, da Obra da Rua, celebra cem anos de vida e missão. Membro do clero da Diocese de Bragança-Miranda, nasceu no Mogadouro a 25 de novembro de 1925 e começou cedo o seu sacerdócio de rebeldia e compromisso social. Denunciava a tragédia humanitária provocada pelas condições péssimas em que viviam quantos davam a vida na construção de barragens naquele Trás-os-Montes longínquo e abandonado dos anos 1950. [Texto de Tony Neves]

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.