Congresso em Lisboa: Religiões unidas na defesa da casa comum

| 3 Fev 20

Dança clássica indiana, na sessão de abertura do III Congresso Lusófono de Ciência das Religiões. Foto © Marcelo Borges, cedida pelo autor

 

“Todas as religiões devem assumir a defesa da casa comum como prioritária”, defendeu Ajit Hansraj, vice-presidente da Comunidade Hindu de Portugal, na abertura do II Congresso Lusófono de Ciência das Religiões que, desde o final da tarde de sexta, 31 de Janeiro, e até à próxima quarta-feira, reúne cerca de uma centena de investigadores, dos quais cerca de sete dezenas de brasileiros.

O congresso tem como tema Religião, Ecologia e Natureza. “Há uma razão imediata: o facto de Lisboa ser a capital verde europeia”, diz ao 7MARGENS paulo Mendes Pinto, coordenador da áea de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona e responsável pela organização da iniciativa. “A urgência ecológica e o peso que a questão tem tido no panorama mediático, bem como o facto de a ecologia permitir um regresso do pensamento religioso a aspectos fundamentais” são outras motivações para a escolha do tema.

Em debate, estarão, assim, questões como a relação com a natureza enquanto criação, e com as próprias comunidades humanas, na perspectiva de uma ecologia do humano. Neste sentido, entrarão também a debate temas como os populismos ou os refugiados.

Na sessão de abertura, Ajit Hansraj sugeriu ainda que o facto de Lisboa ser capital verde europeia durante este ano “é uma oportunidade de as religiões representadas na capital se associarem activamente à causa ambiental”.

Aspecto da mesa da sessão de abertura do congresso. Foto © Marcelo Borges, cedida pelo autor.

 

A mesma sessão contou com representantes dos cultos afro-brasileiros, da congregação politeísta e de várias comunidades religiosas minoritárias portuguesas, como a União Budista, Comunidade Islâmica, igrejas evangélicas e ainda da Sociedade Bíblica de Portugal, que se dedica à edição e divulgação da Bíblia. Todos destacaram também a importância de, a partir de cada perspectiva religiosa, se acentuar a defesa do ambiente e do planeta, como casa comum da humanidade.

“O objetivo do estudo inter-disciplinar da pluralidade religiosa é promover um conhecimento que quebre preconceitos, promova o diálogo e a convivência”, acrescentou o jornalista Joaquim Franco, moderador da sessão.

O xeque David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa, sugeriu também o fomento da “convivência entre crentes de várias religiões, através da frequência dos espaços de culto”. E Catarina Rodrigues, da União Budista de Portugal, acrescentou que o “encontro com o outro é já uma abertura ao estudo das religiões”.

Decorrendo na Universidade Luósofona, o congresso inclui também sessões no Templo Hindu (abertura), Mesquita de Lisboa (segunda à noite) e Centro Ismaili (quarta, 5 de Fevereiro). No último dia, entre as conferências de encerramento do programa, contam-se três estrangeiros: o rabino Yehonatan Elazar-DeMota, da Universidade de Amesterdão; Daryoush Mohammad Poor, do Instituto de Estudos Ismailis, de Londres; e o imã Ibrahim Mogra, secretário-geral do Conseho Muçulmano da Grã-Bretanha, que há um ano concedeu uma entrevista ao 7MARGENS, onde falava de alguns destes temas.

Artigos relacionados

Apoie o 7 Margens

Breves

Anselmo Borges e a eutanásia: “Quem mata?”

“Se algum dia se avançasse por esta via da legalização da eutanásia, o Estado ficaria com mais uma obrigação: satisfazer o direito ao pedido da eutanásia e seria confrontado com esta pergunta terrível: quem mata?”, escreve Anselmo Borges, professor de filosofia e padre, na sua última crónica no Diário de Notícias.

O Papa e os “teístas com água benta cristã”

“Quando vejo cristãos demasiado limpos, que têm toda a verdade, a ortodoxia, e são incapazes de sujar as mãos para ajudar alguém a levantar-se, eu digo: ‘Não sois cristãos, sois teístas com água benta cristã, mas ainda não chegastes ao cristianismo’”. A afirmação é do Papa Francisco, numa conversa sobre o Credo cristão.

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

É notícia

Entre margens

Maria e Marta – como compreender dois nomes num congresso mundial novidade

Foi nesse congresso que, pela primeira vez, tive a explicação relativa a dois nomes, Maria e Marta, cujo significado fiquei de procurar, desde 1983, ano no qual nasceram as minhas primas Maria e Marta. O facto é que, quando elas nasceram, o meu avô materno, impôs que fossem chamadas por esses nomes. Despertou-me curiosidade a insistência, uma vez que já as chamávamos por outros nomes.

Sempre mais sós (Debate Eutanásia)

Reli várias vezes o artigo de opinião de Nuno Caiado publicado no 7MARGENS. Aprendi alguns aspetos novos das questões que a descriminalização da eutanásia ativa envolve. Mas essa aprendizagem não me fez mudar de opinião. Ao contrário do autor, não creio que a questão central da eutanásia agora em discussão seja a do sofrimento do doente em situação terminal. A questão central é a da nossa resposta ao seu pedido para que o ajudemos a morrer.

Cultura e artes

São Pessoas. Histórias com gente dentro

Há um tanque de lavar roupa. Há uma cozinha. Há o poço e as mãos que lançam um balde. Há uma sombra que foge. Há o poste de eletricidade que ilumina as casas frágeis. Há o quadro pendurado em que um coração pede “Deus te ajude”. Há a campa e a eterna saudade. E há uns tapetes gastos. Em cada uma destas fotos só se adivinham os rostos, os olhos, as rugas, as mãos rugosas, as bocas, as pessoas que habitam estes lugares.

“2 Dedos de Conversa” num blogue para alargar horizontes

Um dia, uma leitora do blogue “2 Dedos de Conversa” escreveu-lhe: “Este blogue é um momento de luz no meu dia”. A partir daí, Helena Araújo, autora daquela página digital, sentiu a responsabilidade de pensar, de manhã, o que poderia “escrever para animar o dia” daquela rapariga. Sente que a escrita do blogue pode ajudar pessoas que não conhece, além de lhe ter alargado os horizontes, no debate com outros pontos de vista.

Um selo em tecido artesanal para homenagear Gandhi e a não-violência

Os Correios de Portugal lançaram uma emissão filatélica que inclui um selo em khadi, o tecido artesanal de fibra natural que o Mahatma Gandhi fiava na sua charkha e que utilizava para as suas vestes. Portugal e a Índia são, até hoje, os únicos países do mundo que utilizaram este material na impressão de selos, afirmam os CTT.

Arte de rua no selo do Vaticano para a Páscoa

Um selo para celebrar a Páscoa com arte de rua. Essa será a escolha do Vaticano, segundo a jornalista Cindy Wooden, para este ano, reproduzindo uma Ascensão pintada por Heinrich Hofmann, que se pode ver na Ponte Vittorio Vittorio Emanuele II, em Roma, a poucas centenas de metros da Praça de São Pedro.

Sete Partidas

Uma mulher fora do cenário, numa fila em Paris

Ultimamente, ao andar pelas ruas de Paris tenho-me visto confrontada pelos contrastes que põem em questão um princípio da doutrina social da Igreja (DSI) que sempre me questionou e que estamos longe de ver concretizado. A fotografia que ilustra este texto é exemplo disso.

Visto e Ouvido

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Parceiros

Fale connosco