Arcebispos de Kiev, Lviv e Moscovo

Consagração é “ato espiritual há muito esperado pelo povo ucraniano”

| 28 Mar 2022

Papa Francisco reza na Capelinha das Aparições por ocasião do centenário das Aparições de Fátima. Foto © Arlindo Homem

Papa Francisco reza na Capelinha das Aparições por ocasião do centenário dos acontecimentos de Fátima, em 2017. Foto © Arlindo Homem

 

Os arcebispos católicos de Kiev, Lviv e Moscovo, agradeceram ao Papa a decisão de consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, a 25 de março. “É um ato espiritual há muito esperado pelo povo ucraniano. Os católicos ucranianos desde o início da agressão russa em 2014 pediram este ato como uma necessidade urgente para evitar o agravamento da guerra e os perigos vindos da Rússia”, disse o arcebispo-mor de Kiev, Sviatoslav Shevchuk, em declarações ao portal Vatican News, citado pela Ecclesia.

Sviatoslav Shevchuk, líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, afirmou que a sua Igreja recebeu com “esperança” esta notícia, que foi comunicada pela Santa Sé. Já o arcebispo de Moscovo lembrou que o “significado simbólico” desta consagração vem, “infelizmente”, do “conflito aberto na Ucrânia”. “O que se pede, acima de tudo, é que possamos parar o derramamento de sangue, que é sempre sangue inocente, e também que possamos iniciar uma paz duradoura”, acrescentou Paolo Pezzi à Agência SIR, da Igreja Católica na Itália.

Este responsável adiantou ainda que os bispos russos acolheram “com grande alegria e gratidão a decisão do Papa”, e destacou a presença do cardeal Konrad Krajewski na Cova da Iria. “Estamos gratos ao Santo Padre por ter, antes de tudo, acolhido o pedido de Nossa Senhora manifestado durante a aparição de 13 de julho de 1917 em Fátima, e de seus filhos, para proteger a Ucrânia e deter ‘os erros da Rússia que promove guerras e perseguições da Igreja’”, acrescentou o arcebispo-mor de Kiev, D. Sviatoslav Shevchuk.

Paolo Pezzi, arcebispo de Moscovo, salientou que Fátima tem um “vínculo particular, pelo menos no que diz respeito à Igreja Católica, com a Rússia”, e com todos os conflitos no mundo. “Neste período difícil da guerra na Ucrânia”, os bispos da Conferência Episcopal Latina na Ucrânia já tinham pedido ao Papa que “a Rússia fosse confiada a Nossa Senhora de Fátima”, recordou o arcebispo latino de Lviv, numa reação ao anúncio da Santa Sé.

Segundo Mieczysław Mokrzycki, esse pedido foi reafirmado ao cardeal Konrad Krajewski, enviado especial de Francisco à Ucrânia, na visita que efetuou junto da população ucraniana, na última semana. “Estamos muito felizes e agradecidos que a resposta do Papa Francisco tenha chegado imediatamente”, acrescentou, adiantando que tomaram “imediatamente” a decisão de começar uma novena, esta quinta-feira.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas, também se referiu ao ato de consagração este domingo, no final da sua primeira missa como bispo de Leiria-Fátima no Santuário de Fátima, para dizer que “ambos os países têm de ser objeto de uma cura, não só pelas vítimas, mas também por quem causa dano a estas vítimas possa repensar e encontrar caminhos para o futuro”, segundo noticiou a Ecclesia.

 

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