Em 2010, a ONU reconhecia o acesso à água potável como um direito humano fundamental, mas ele é negado atualmente a três em cada dez pessoas, alerta o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), que dinamizou esta semana o seminário online “Dez anos do direito à água: problemas, posições e perspetivas”.
Em declarações ao Vatican News, o padre Guido Dotti, da comunidade monástica de Bose (norte de Itália) e membro da Comissão Justiça e Paz do CMI, que colaborou na organização do evento, sublinhou que assistimos neste momento a uma “crise hídrica”, em que a falta de acesso à água potável “é a ponta do icebergue”.
“Basta ter uma visão global para ver que a crise e as dificuldades relacionadas com a água são universais”, alertou Dotti, destacando que a pandemia de covid-19 veio tornar a escassez de água numa “emergência” em situações que já anteriormente “eram críticas”.
Preocupado com “as muitas consequências das mudanças climáticas que afetam a água em geral e, consequentemente, também a água potável”, o representante do CMI apelou a toda a comunidade cristã, mas também a “pessoas de outras ou nenhuma fé religiosa” para que, inspiradas pela mensagem da encíclica Laudato Si’, assumam o compromisso da sustentabilidade ambiental.
O Conselho Mundial de Igrejas teme que, caso não sejam tomadas medidas para enfrentar a crise climática, “metade da população mundial possa sofrer com falta de água em 2050”, uma ameaça “sem precedentes”, como avisou o secretário-geral da ONU, António Guterres.










