O secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Jerry Pillay, dirigiu uma mensagem aos participantes no Fórum Económico Mundial, reunidos por estes dias em Davos (Suíça), em que afirma que os membros da organização que congrega 356 igrejas-membro (as quais, juntas, representam mais de quinhentos milhões de cristãos em todo o mundo) estão “profundamente alarmados com os recentes desenvolvimentos geopolíticos e com a fragilização da ordem mundial baseada em regras”.
Recordando que o mote do Fórum deste ano é “Um Espírito de Diálogo”, Jerry Pillay assinala na sua missiva que esse diálogo é essencial “em contraposição à perigosa trajetória atual dos assuntos mundiais”.
O pastor da Igreja Presbiteriana alerta, em particular, para “a priorização do lucro em detrimento das pessoas, o declínio da cooperação internacional e a disseminação de informações falsas que minam a confiança na ciência”, que diz estarem a “corroer progressivamente os alicerces da solidariedade e da compaixão para as quais a nossa fé nos chama”.
E acrescenta que “um espírito de diálogo fortalecido” é ainda essencial pelo facto de a crise climática estar “a ultrapassar a capacidade política e moral mundial de resposta, deixando as comunidades mais vulneráveis expostas a danos crescentes e evitáveis”.
Na perspetiva do secretário-geral do CMI, as autoridades políticas, agentes económicos, sociedade civil e líderes religiosos “partilham uma vocação vital: cultivar uma ordem social baseada em valores, enraizada na verdade, justiça, responsabilidade mútua, compaixão e amor”. E só essa ordem é “capaz de sustentar a vida quando os sistemas políticos falham e os incentivos de mercado se distorcem”.
O Conselho Mundial de Igrejas convoca, portanto, os participantes reunidos em Davos até sexta-feira, 23 de janeiro, a confrontarem, “com honestidade e urgência”, as ameaças apontadas. “É nossa oração e esperança que um ‘espírito de diálogo’ se transforme em ações concretas para criar um mundo mais justo, equitativo e pacífico para todas as pessoas e toda a criação”, conclui a mensagem.










