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Voto cristão, eleições. Foto Edmond Dantès Pexels
O COPIC pede que o voto dos portugueses traduza uma "resistência a todas as representações negativas dos migrantes". Foto © Edmond Dantès/Pexels

Presidenciais

Conselho Português de Igrejas Cristãs apela ao voto e à “resistência à xenofobia”

| 04/02/2026

“Importa que o próximo Presidente da República continue a ser um comprometido promotor do diálogo inter-religioso com uma visão ecuménica capaz de promover a paz e a colaboração entre as nações”, defende o Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC), num manifesto em que apela ao voto – e ao mesmo tempo à resistência à xenofobia – nas eleições presidenciais do próximo domingo, 8 de fevereiro.

Assinalando que o atual contexto da sociedade portuguesa é “marcado pela migração”, o COPIC (organismo que representa a Igreja Lusitana – Comunhão Anglicana, a Igreja Evangélica Metodista Portuguesa, a Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal e a Igreja Evangélica do Porto) reafirma um dos princípios da recentemente renovada Carta Ecuménica: “a dignidade e os direitos de cada ser
humano e a riqueza da diversidade cultural e religiosa hoje existente”. E pede que o voto dos portugueses traduza uma “resistência a todas as representações negativas dos migrantes, infelizmente expressas em discursos de ódio proferidos por alguns agentes políticos”.

“Sendo o Presidente da República o principal garante da Constituição Portuguesa e promotor da unidade do Estado e da sociedade portuguesa, o COPIC está consciente da importância do próximo alto magistrado da Nação ser um efetivo promotor da unidade, do diálogo e do alcançar de consensos nas principais questões e áreas que hoje afetam a vida dos portugueses”, sublinha o texto.

O manifesto assinala ainda que “a democracia é um processo em permanente construção na defesa dos direitos humanos e entre eles o direito á liberdade de religião e de crença”, pelo que o voto de todos os cidadãos é também um modo de “salvaguarda das conquistas e desenvolvimentos alcançados ao longo de 52 anos de democracia”.

 

O apelo da Comissão Justiça e Paz de Braga 

Também a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga divulgou esta semana um apelo em que recorda “a importância democrática da escolha presidencial” e recorda algumas das reflexões dos papas João XIII, João Paulo II e Francisco sobre o tema, para concluir que “a participação cívica inspirada por uma consciência cristã não pode ceder à tentação do ressentimento, ainda que revestido de virtude, sucumbindo a princípios dissimulados, não olhando a meios para atingir os fins”. Assim como “não pode ceder à ideia de que o bem comum se constrói à custa da negação da dignidade humana ou do desprezo da moral ditada pelo Evangelho”.

Reconhecendo que “o espaço público tem vindo a ser cada vez mais assolado pelo ruído, pela simplificação e pelo apelo ao medo, pelo endeusamento de políticas discriminatórias e de radicalidade identitária”, o organismo católico considera “crucial recordar que a tradição cristã nunca se conformou com soluções fáceis, nem com discursos que dividem o mundo entre os ‘bons’ e ‘maus’, ‘puros’ e ‘impuros’, proteção ou intimidação”.

“Num tempo de escolhas coletivas decisivas, talvez o maior desafio seja distinguir entre a firmeza que protege a dignidade de todos e a dureza que apenas promete ordem, esquecendo que nenhuma comunidade se salva afastando-se dos valores e causas que a fundam”, pode ler-se no texto, enviado ao 7MARGENS.

Para a Comissão Justiça e Paz de Braga, é, assim, essencial o contributo ativo e consciente dos cristãos sobre as decisões políticas “de modo a favorecer a responsabilidade de todos para promover mais justiça e progresso social, no caminho da solidariedade”.

“Por tudo isto, a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga considera um inalienável dever cívico e decisiva consequência da fé cristã que todos votem no próximo domingo, na segunda volta das eleições presidenciais. No complexo e perigoso mundo de hoje, estas eleições são assaz relevantes para o destino da nossa Democracia, do nosso Estado de Direito, do nosso Estado Social, da visão de sociedade que ambicionamos para Portugal”, conclui a declaração.

 

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