"Processo sofrido e vexatório"

Considerado “inocente” após investigação de abusos, padre Mário Rui critica Comissão Independente e Diocesana

| 16 Abr 2024

padre mario rui pedras durante celebracao da vigilia pascal na igreja de sao nicolau, em lisboa, em 2019, foto FB Paróquia de São Nicolau

Padre Mário Rui Pedras durante celebração da vigília pascal na Igreja de São Nicolau, em Lisboa, em 2019. Foto © Paróquia de São Nicolau

 

O padre Mário Rui Pedras – um dos quatro do Patriarcado de Lisboa que esteve suspenso do exercício de funções por ter sido acusado de abusos sexuais de menores e que entretanto tinha voltado a celebrar missa publicamente, assim que a investigação prévia terminou sem acusações – foi considerado inocente pela Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, afirmou o Patriarcado em comunicado divulgado esta segunda-feira, 15 de abril. Numa mensagem que entretanto dirigiu aos seus paroquianos, o visado tece duras críticas à atuação da Comissão Independente e da Comissão Diocesana.

“A investigação conduzida ao abrigo das normas canónicas em vigor, pela Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis desta diocese, após denúncia anónima à Comissão Independente, concluiu que o Senhor Padre Mário Rui Leal Pedras, tal como se declara no Relatório Final da Investigação Prévia, datado de 23 de novembro de 2023, ‘deve ser tido por inocente de tudo quanto lhe foi imputado e considerado para todos os efeitos como não tendo praticado os factos em causa’. De facto, nada do que foi resultante da averiguação efetuada pode pôr em causa essa inocência”, pode ler-se no comunicado agora tornado público e enviado às redações.

O texto assegura que “a investigação seguiu as normas da Santa Sé perfilhadas pela Conferência Episcopal Portuguesa”, destacando que “são normas exigentes e fruto da aprendizagem, sem recuo, que a Igreja tem feito ao longo das últimas décadas em matéria de abusos”.

Lembrando que o pároco de São Nicolau e Santa Maria Madalena “sempre declarou a sua inocência”, o Patriarcado lamenta que este tenha sido “ferido na sua honra e reputação” e assinala que “a prioridade da preocupação pelas vítimas procura aí um equilíbrio com a necessidade de não acusar e, muito menos, condenar um inocente”.

 

Visado critica a atuação das duas comissões

Ainda esta segunda-feira, numa Mensagem aos Paroquianos de São Nicolau e Santa Maria Madalena (Lisboa), o padre Mário Rui expressou que o comunicado do Patriarcado é “um necessário ponto final num processo moroso, sofrido e vexatório” e deixou duras críticas à Comissão Independente.

“Ao incluir o meu nome, de forma leviana, no seu relatório final, sem ter feito qualquer esforço de validação da sua plausibilidade, a Comissão Independente, ante uma denúncia caluniosa – sem indicação de autor, sem indicação de lesados, sem indicação de data, sem indicação de lugar, sem indicação de testemunhas, sem indicação de circunstância, em suma, sem qualquer crédito – não se limitou a ser uma mera correia de transmissão, pois caucionou e foi caixa de ressonância de uma calúnia anónima, que deveria ter sido, desde o início, reduzida à sua própria insignificância”, escreveu.

No texto, o pároco critica igualmente a Comissão Diocesana do Patriarcado de Lisboa, que, na sua opinião, “abdicou do que lhe seria exigido perante uma denúncia sem qualquer verosimilhança e recomendou, de forma grave e negligente, que se fizesse uma investigação com o concomitante e ilegítimo afastamento do exercício público do ministério”.

O padre Mário Rui lembra ainda que recorreu – sem sucesso – aos meios legais disponíveis para “descobrir o criminoso” que fez a denúncia anónima contra si e que este “ficará impune”. E conclui: “Face à conduta da Comissão Independente e à opção da Comissão Diocesana, bastaria que alguém se dedicasse à atividade criminosa de denunciar – o que seria uma coisa simples, acessível e sem qualquer sanção – para que todo o clero ficasse em risco de afastamento do exercício público do ministério.”

Foi o próprio Mário Rui Pedras que, conforme o 7MARGENS noticiou na altura, comunicou publicamente que estava a ser alvo de uma acusação e de um inquérito, na sequência da publicação do relatório da Comissão Independente (CI) para o Estudo dos Abusos Sexuais sobre Crianças na Igreja Católica. A Comissão entregou aos diferentes bispos, no início de março do ano passado, os nomes de padres visados nas denúncias feitas pelas vítimas. Os nomes, no entanto, foram mantidos em reserva quer pela Comissão quer pelos bispos. Neste caso, foi o próprio acusado que veio a público dizer que o seu nome constava na lista.

 

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