O candidato socialista à câmara municipal de Samora Correia (Ribatejo) afirma, num vídeo divulgado pela estrutura concelhia do Partido, que, se vier a ganhar as eleições autárquicas no concelho, a Associação Ahmadia não construirá uma mesquita num terreno que terá eventualmente adquirido no Município. “Não construirá neste terreno nem em qualquer outro sítio da nossa terra”, afirma o candidato Pedro Gameiro.
Por informações divulgadas nomeadamente pelo diário Público, o assunto já corre nesse local há alguns meses, tendo o atual presidente da Câmara recebido responsáveis da entidade religiosa sobre a pretensão de construir o edifício polivalente, que inclui uma mesquita, mas não uma escola religiosa.
Consultados os vereadores, todos se terão pronunciado negativamente, com o argumento de que “não existe no concelho uma comunidade islâmica significativa que justifique” tal empreendimento. Entretanto, o dossiê tornou-se tema da luta política pré-eleitoral, utilizado não apenas pelos socialistas, mas também por outros partidos.
Na última terça-feira, Augusto Santos Silva, ex-presidente da Assembleia da República e professor catedrático da Universidade do Porto, comentou o assunto, na sua página no Facebook, confessando-se “envergonhado” com o teor do vídeo divulgado pelos seus colegas de Partido e observando que “para um partido laico como o PS, todas as religiões têm igual direito de expressão e prática de culto”.
“Alguns de nós – desenvolve Santos Silva – entendem, legitimamente, que disso decorre que o Estado não deve apoiar nenhuma confissão religiosa; outros (entre os quais me incluo) entendem, também legitimamente, que disso decorre que o Estado pode apoiar qualquer confissão religiosa, não só a sua atividade social como a sua atividade de culto, desde que o faça sem discriminação, atenta a relevância de cada religião”.
Para este dirigente, “o que manifestamente não se pode é (1) defender o apoio público a uma religião e não a outra, por motivos (pasme-se!) religiosos, e/ou (2) defender a interdição, por parte dos poderes públicos, da liberdade de organização e culto de qualquer religião”.
A estrutura partidária pode, segundo o ex-responsável socialista, defender que o terreno em causa seja afeto a outra finalidade ou entender que tem “informações seguras de que o projeto específico a que se opõe não é o de uma mesquita, mas de uma madraça fundamentalista disfarçada de mesquita (como infelizmente sucede em outros sítios, por exemplo da Bélgica ou de França), mas então que apresente essas informações”. “Não pode é dizer que se opõe a que pessoas professando a religião muçulmana (ou outra qualquer) possam construir locais adequados ao seu culto”, conclui.










