Há trinta anos, um grupo de monjas beneditinas inauguraram um convento em Heliga Hjärtas, no sul da Suécia. Num ambiente secularizado, as irmãs construíram “um refúgio espiritual para aqueles que estão à procura, para quem se sente exausto, para todos que querem estar perto de Deus”. Nada de extraordinário, não fora o caso de a iniciativa ter nascido de uma comunidade de religiosas evangélicas.
Nos anos 80, algumas religiosas da comunidade evangélica Irmã Marientöchter, uma fundação sueca, começaram a confrontar-se mais intensamente com a tradição monástica. “Quanto mais aprofundávamos a questão, tanto mais claro se tornava para nós que aquelas eram as nossas raízes” – lembrou a irmã Katharina, prioresa do convento, em conversa com Mario Galgano, jornalista do Vatican News.
Em 1988, a comunidade entrou na Igreja Católica de modo unitário, num processo que durou quase 10 anos: “Queríamos viver na reconciliação e no amor. Não deveria haver fraturas”. A escolha recaiu sobre a regra beneditina. “Visitámos muitos mosteiros, sobretudo na Alemanha, para aprender com quem já levava esta vida”. Naqueles anos de procura o apoio das irmãs de um mosteiro nos arredores de Gütersloh, na Alemanha, acabou por ser decisivo.
Mas foram precisos quase outros dez anos para as religiosas mudarem para o novo convento Heliga Hjärtas onde agora vivem 14 religiosas, todas suecas, à exceção de uma polaca de nascimento. As idades variam entre os 40 e os 85 anos. A vida quotidiana segue o ritmo beneditino da oração, do trabalho e da comunidade. “O nosso objetivo é procurar Deus nas pessoas, no mundo, onde quer que estejamos”.
Essa disponibilidade levou-as a abrirem uma ‘Casa do Silêncio’ para hóspedes na qual acolhem indivíduos e pequenos grupos, muitas vezes pessoas sem vínculos religiosos, mas animadas por um desejo espiritual. “Muitos nem sequer sabem o que procuram, mas aqui encontram algo que os sensibiliza”, disse a irmã Katharina, referindo que “muitas vezes dizem que vêm para descansar e ouvir a oração”.
Em contraste com a sociedade sueca muito secularizada, a procura tem sido grande, superior à capacidade. Há 18 quartos para os hóspedes, três dos quais na clausura, para sacerdotes ou religiosos. O convento é deliberadamente pequeno, a fim de que haja tempo para conversas pessoais. «Muitos dos nossos hóspedes trabalham no setor da saúde ou da educação, sentem-se exaustos, vazios”, dizem-nos: “Aqui podemos falar de coisas importantes. É uma grande dádiva!”.
O convento Heliga Hjärtas tornou-se conhecido inclusive entre as ordens religiosas. Religiosas provenientes da Dinamarca, dos Países Baixos e de outros pequenos mosteiros da Escandinávia frequentam-no regularmente. Embora atualmente não haja noviças, a esperança de novas vocações está viva. A tarefa das irmãs, consiste, segundo Katharina, em testemunhar, não com palavras grandiosas, mas com a simples vida de todos os dias; “Não devemos fazer grandes coisas. É suficiente viver com Cristo e irradiá-lo através da nossa vida.”










