Comprado pela Madre Luiza Andaluz, em 1924

Convento das Capuchas: “Cem anos depois, aqui estamos… a ver as maravilhas multiplicar-se”

| 18 Abr 2024

Entrada do LA CC no Convento das Capuchas, em Santarém. Foto LA CC

A entrada que dá acesso ao mais recente polo do Luiza Andaluz Centro de Conhecimento, no Convento das Capuchas, em Santarém. Foto  © LA CC

 

Chama-se Carolina, mas não usa saia como a da canção, ou como usavam as primeiras meninas que, tal como ela, cresceram no Convento das Capuchas, em Santarém, faz agora cem anos. Usa calças brancas largas, de sarja, e sweatshirt colorida com capuz – peças que estão na moda e que essas meninas não chegaram a conhecer. Mas precisamente um século volvido sobre a compra do edifício do convento por Luiza Andaluz (fundadora da congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima) para ali acolher as raparigas que haviam sofrido a pneumónica de 1918 ou que por causa dela tinham ficado órfãs – há uma coisa que Carolina mantém exatamente igual a elas: o olhar de quem sofreu muito mais do que qualquer criança deveria ter sofrido, e de quem sente uma enorme gratidão por ter redescoberto, com as religiosas que a acolheram, a alegria de viver.

Sentada na “Sala do Arco” – onde antigamente se situava o coro baixo da capela do convento e agora funciona um espaço de cowork que pode ser usado pelas pessoas da cidade para trabalhar, estudar, fazer reuniões ou pequenas conferências –, Carolina, 19 anos, não esconde o orgulho que sente por poder chamar a este grande edifício, onde chegou aos 13, a sua “casa”.

Acaba de vir de uma oficina de fabrico de velas artesanais, que decorreu ali ao lado, no claustro, e mostra, orgulhosa, a vela que fez: é da “cor do céu”, a combinar com o azul-claro dos seus olhos. A atividade foi dinamizada pelo Luiza Andaluz Centro de Conhecimento (LACC), que esta sexta-feira, 19 de abril, cumpre três anos de vida. O centro acaba de abrir no convento o seu terceiro polo (o primeiro está em funcionamento desde abril de 2022 na Casa Madre Luiza Andaluz, onde a religiosa nasceu e cresceu, e que fica do outro lado da rua –, e o segundo foi inaugurado uns meses mais tarde, na Casa de São Mamede, em Lisboa, onde foi fundada a congregação).

Carolina, uma das jovens que reside na Fundação Luiza Andaluz, Convento das Capuchas. Foto Clara Raimundo

Carolina vive no Convento das Capuchas desde os 13 anos e foi uma das participantes na oficina de velas dinamizada pelo Luiza Andaluz Centro de Conhecimento. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

A iniciativa pretendia envolver as 22 crianças e jovens que vivem atualmente na casa de acolhimento da Fundação Luiza Andaluz, que ocupa a maior parte do edifício, e assinalar o aniversário de batismo da sua fundadora, cuja história de altruísmo, coragem e superação Carolina conhece bem. Por isso, atou à vela uma etiqueta onde podia ler-se: “a sua lâmpada não se apaga”, sabendo que este era um sinal de que, apesar de Luiza Andaluz já não estar presente fisicamente (faleceu em 1973), todo o espaço do Convento das Capuchas, nas suas diferentes valências, assim como as pessoas que hoje nele vivem e trabalham, “continuam a refletir a sua luz”.

A começar por si própria. Nesta casa, Carolina conseguiu superar os traumas de uma infância muito difícil, durante a qual teve de lidar com a doença mental da mãe e os comportamentos desajustados que daí advinham. Foi a denúncia de um vizinho que assistiu a um desses comportamentos que a “salvou”, conta ao 7MARGENS. E acabou por ser ela própria a dizer em tribunal que queria ser institucionalizada. Coincidência ou não, a advogada que lhe foi atribuída também tinha crescido no Convento das Capuchas e tranquilizou-a: “Disse-me que era um lugar muito bom, em que nos ajudavam a seguir um novo rumo na vida, e que havia aqui irmãs muito queridas”.

Workshop de velas no Convento das Capuchas, em Santarém. Foto LA CC

“A sua lâmpada não se apaga”, diziam as etiquetas que os participantes colocaram nas velas que criaram, assinalando o aniversário de batismo de Luiza Andaluz. Foto © LA CC

E era mesmo verdade: “Quando cheguei, o acolhimento foi superbom. As irmãs e as educadoras fizeram-me sentir protegida, e fiz amizades fortes com outras meninas da casa… As sessões com a psicóloga também me ajudaram imenso”, recorda Carolina. Agora, está a terminar um curso profissional que lhe dará a equivalência ao 12º ano e sonha entrar na Escola Superior de Educação. “Gostava muito de poder trabalhar com crianças e jovens”, diz, entusiasmada. Luiza Andaluz e as Servas de Nossa Senhora de Fátima que a acolheram são a sua grande inspiração.

 

Um lugar que nasceu para fazer o bem

Atualmente, são apenas cinco as irmãs a viver no Convento das Capuchas. Maria Laíde, 83 anos, é uma delas, e a sua principal função é tomar conta da receção da casa de acolhimento. Natural de Lamego, entrou para as Servas de Nossa Senhora de Fátima aos 17, atraída pelo facto pouco comum de nesta congregação poder “ser religiosa e fazer tudo o que as religiosas fazem, mas sem ter de usar hábito”, lembra. Ao longo do seu percurso enquanto Serva, passou por Lisboa, Fátima, Açores, Ericeira, Leiria, e ainda Tremês, uma pequena vila não muito longe de Santarém. Gostou de todos os locais por onde passou e dos trabalhos que desenvolveu em cada um deles, mas os seus olhos ganham um brilho diferente – fruto da tal lâmpada que não se apaga? – quando fala do Convento das Capuchas: “Esta casa é especial…”, garante.

Irmã Maria Laíde, serva de Nossa Senhora de Fátima, na receção do Convento das Capuchas. Foto Clara Raimundo

A irmã Maria Laíde na receção da casa de acolhimento. Atrás de si, uma fotografia de Luiza Andaluz, presença constantemente lembrada no Convento das Capuchas. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

Foi no Convento das Capuchas que a irmã Maria Laíde viveu durante cerca de um mês e deu os primeiros passos na congregação, ainda antes de iniciar o noviciado. “Como a entrada na formação em Lisboa só se fazia em outubro, e ainda estávamos em agosto, a madre superiora trouxe-me para aqui… E percebi logo que esta era uma obra de Deus”, recorda. Passou a maior parte do tempo daquele fim de verão de 1960 a ajudar a irmã que trabalhava na rouparia da Fundação e que a ensinou “a passajar a preceito”, ao mesmo tempo que podia apreciar a alegria das crianças que ali viviam e o carinho com que eram tratadas. “O que também me impressionou muito foi a generosidade de tantas e tantas pessoas que vinham à Fundação só para dar coisas… uma generosidade fora de série e que ainda hoje continua! Na altura, como não conhecia bem a história deste espaço e da congregação não compreendia. Mas rapidamente percebi…”, partilha.

“Este é um lugar que realmente parece ter nascido com uma vocação para fazer o bem”, reconhece por seu lado a irmã Mafalda Leitão, coordenadora do LA CC, que não vive na casa, mas ali tem passado muito tempo e lhe conhece os cantos como ninguém.

Fundado pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco em 1678, o edifício do convento foi construído sobre uma ermida que teria sido mandada fazer pela Rainha Santa Isabel em 1321, “já nessa altura com o objetivo de funcionar também como hospital dos meninos expostos, que tinham sido abandonados pelas suas famílias”, conta a irmã Mafalda. Nele viveram, a partir do século XVII, as Irmãs Capuchas (daí o nome de Convento das Capuchas, que perdura até hoje), que ali decidiram abrir, em finais do século XIX, uma escola para crianças pobres. “E foi nessa escola que Luiza Andaluz [que nascera em 1877, na casa em frente ao convento], teve o seu primeiro trabalho, aos 14 anos de idade”, sublinha a coordenadora do LA CC. O desafio foi-lhe apresentado pelo então cardeal-patriarca de Lisboa, José Sebastião Neto, que era amigo da família e lhe pediu que ajudasse as irmãs a organizar a escola. Luiza, que lhe tinha muita estima e considerava que ele era “o seu principal catequista”, levou essa missão muito a sério: foi introduzindo na escola das irmãs novas regras, material didático e métodos de estudo mais eficazes, ao mesmo tempo que se preparava a si própria pedagogicamente, tendo adquirido o diploma de professora primária aos 18 anos, e acabando por assumir a direção da escola, aos 24.

Mas os resultados de tanto esforço e dedicação pareceram cair por terra com a implantação da República, em 1910. “Luiza Andaluz estava a passar férias em Cascais quando soube que o convento tinha sido assaltado e as monjas levadas daqui para fora… Tiraram-lhes os hábitos, as imagens foram vandalizadas, a capela foi feita cavalariça, instalaram aqui gabinetes para a tropa… Luiza ficou muito triste, veio para Santarém assim que se estabeleceram as ligações, e ao longo dos meses e anos seguintes foi sempre guardando coisas que eram da escola e que algumas pessoas apanhavam em leilões e lhe iam trazendo. Sempre na esperança de um dia reabrir…”.

Com o intuito de dar continuidade à escola das Irmãs Capuchas, Luiza conseguiu abrir, em 1914, um externato – ao qual chamou Casa de Trabalho – noutro local: o Largo de S. Julião, também em Santarém. No ano seguinte, a pedido da Prioresa do Carmelo onde tinha entrado a sua irmã Eugénia, Luiza começou também a trabalhar na Obra das Escolas Católicas, em Lisboa, e por essa altura sentiu o chamamento à vida religiosa. Fez várias vezes o pedido de entrada no Carmelo, mas foi sendo sempre remetida para o trabalho nas escolas.

“Entretanto, dá-se a pneumónica e ela arranja maneira de acolher todas as raparigas orfãs de Santarém… Mas não tem onde as pôr! Procura vários espaços, e acaba por conseguir o local onde é hoje a biblioteca municipal, que então pertencia a um primo dela e lhe alugou o edifício, muito baratinho…”, continua a irmã Mafalda. “Só que, passado pouco tempo, o primo morre e deixa todo o seu espólio ao município de Santarém, e Luiza fica sem saber onde pôr aquelas raparigas… Não havia em Santarém outras casas com dimensão suficiente para cem miúdas… ‘Só tenho uma solução: o primitivo Convento das Capuchas! O mesmo espaço de onde eu saí…’, pensou ela. Nessa altura – estávamos em 1924 – isto era do Estado, mas é então que alguém lhe diz que sabia que o edifício iria a praça pública…”, conta.

A solução parecia estar à vista, mas havia ainda outro obstáculo a ultrapassar: Luiza não tinha dinheiro. “Entretanto, ela já tinha fundado a congregação [das Servas de Nossa Senhora de Fátima] e colocado todos os seus bens ao serviço… Então, foi aos bancos, foi pedir dinheiro emprestado a este amigo e àquele, e conseguiu a quantia necessária. Foi ao  leilão e comprou o edifício… Depois, ainda fez algumas obras, e em janeiro de 1925 trouxe finalmente as cem meninas para aqui”, explica a irmã Mafalda Leitão.

 

Mudam-se os tempos, mantêm-se os valores

Hall de entrada do LACC, no Convento das Capuchas, em Santarém. Foto Clara Raimundo

O pequeno hall de entrada do LA CC, no Convento das Capuchas, que “preserva a chamada ‘roda’, através da qual se fazia o contacto com o exterior, e onde eram deixados os bebés para que as irmãs cuidassem deles”. © Clara Raimundo/7MARGENS

 

Desde então, o convento – ao qual na altura chamou de Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes devido à capela que aí existia com o mesmo nome – “não deixou mais de acolher meninas, e mais recentemente passou a acolher também meninos. Manter uma instituição destas durante cem anos já é, só por si, muito especial”, assinala a responsável. Mantê-la com os mesmos valores que moviam Luiza Andaluz é ainda mais.

É verdade que as irmãs que agora residem na casa são muito menos do que eram no tempo de Luiza  e que a instituição conta com uma equipa técnica e educativa composta por pessoas com formações diversas, “mas a presidente da direção da Fundação continua a ser uma irmã e estamos sempre presentes para manter os valores, para fazer algum trabalho de voluntariado, para ajudar a que haja este ambiente familiar…”, explica a irmã Mafalda, concluindo com visível satisfação: “E isso vê-se: as crianças estão tão bem!”.

Na verdade, as crianças ficaram ainda melhor desde que a congregação decidiu abrir ali o terceiro polo do LA CC. “Sentíamos que, para os miúdos de hoje, viverem dentro de um convento enorme acabava por ser demasiado impessoal… O espaço era grande demais e queríamos tornar este edifício antigo mais acolhedor para as crianças; depois, o que sobrasse ficava para o LA CC”, refere, ao mesmo tempo que vai percorrendo as diferentes divisões que foram recentemente objeto de renovação e onde agora funciona o terceiro polo do centro de conhecimento.

A entrada faz-se pela Rua de Braamcamp e dá acesso a um pequeno átrio que “preserva a chamada ‘roda’, através da qual se fazia o contacto com o exterior, e onde eram deixados os bebés para que as irmãs cuidassem deles”. Atravessando a porta em frente, chega-se à “Sala da Roda”, onde uma pequena exposição preparada pela equipa do LA CC pretende dar a conhecer, através de painéis e diferentes objetos, “a linha da história” de Luiza Andaluz, na sua vertente de “educadora”. Um dos objetos  que assume particular destaque – pela sua dimensão e por se encontrar mesmo ao centro da sala – é uma “mesa muito peculiar”, redonda, com pequenas gavetas. Era ali que as meninas “aprendiam a costurar”, um oficio que lhes traria “possibilidade de trabalho, de independência e de construção de um futuro melhor”.

As restantes áreas do centro, que antes das obras eram usadas como salas de estudo e quartos de visitas deram lugar a um pequeno escritório, a uma sala multimédia, e ao espaço de cowork. Além disso, a antiga capela do convento passou também a ser visitável e a acolher frequentemente eventos culturais, desde conferências a exposições, passando por performances de dança ou apresentações de livros. Até ao próximo dia 26 de abril, é possível apreciar neste espaço os desenhos contemporâneos de Inês Favila.

Irmã Mafalda leitão, serva de Nossa Senhora de Fátima, no polo do LA CC do Convento das Capuchas, em Santarém. Foto Clara Raimundo

A irmã Mafalda Leitão junto a uma “mesa muito peculiar”, redonda, com pequenas gavetas. Era ali que as meninas “aprendiam a costurar”. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

 

“Fazem muita falta espaços destes na Igreja”

“Todo o espaço tem uma energia ótima e é um lugar perfeito para trabalhar”, diz Susana Sassetti, diretora executiva da Olivum – Associação de Olivicultores do Sul, que tem sido presença assídua na sala de cowork. De resto, foi ela que sugeriu às irmãs a criação dessa valência, quando soube que estavam a planear instalar ali o terceiro polo do LACC. E ficou feliz quando percebeu que não tinham criado “um escritório totalmente branco, só com mesas e cadeiras, sem vida, como habitualmente se vê…”.

Casada e mãe de três rapazes, Susana já conhecia a Fundação por ser “família amiga” de uma das meninas que ali viveu, e que foi recentemente adotada. “Ela ia passar fins de semana e férias connosco, vínhamos cá às festas de aniversário, fomos padrinhos de batismo dela…”, conta. Por isso, a engenheira angroindustrial já sabia que “estas instituições não são nada do que vemos nos filmes, em que tudo é muito frio e distante… Aqui, há uma ligação muito forte entre as irmãs e os miúdos, e sente-se uma forte presença da Madre Andaluz”.

Ainda assim, Susana Sassetti, 51 anos, confessa que só com a abertura do centro e com o facto de ter começado a trabalhar ali é que se apercebeu “da dimensão do que as irmãs fazem”. “Não conhecia esta vertente mais cultural e artística e atrai-me muito. Fazem muita falta espaços destes na Igreja, espaços que as pessoas possam viver, que juntem gerações, que proporcionem uma diversidade de experiências”, defende.

Susana Sassetti no espaço de coworkking do Convento das Capuchas, em Santarém. Foto LA CC

Susana Sassetti vai muitas vezes trabalhar para a sala de cowork do centro. “Todo o espaço tem uma energia ótima”, diz. Foto © LA CC

 

A irmã Mafalda Leitão não podia estar mais de acordo. Ter no Convento das Capuchas um novo polo do LACC é uma forma de cumprir também “um desejo da congregação de dar continuidade ao serviço que as irmãs já prestam, mas em comunicação com a cidade e com as pessoas”, que agora são convidadas a descobrir melhor esta que foi “a casa da primeira missão de Luiza” e que era “a menina dos seus olhos”, assinala a coordenadora do centro de conhecimento. E o melhor é que, depois das obras, aquele que era o principal objetivo foi cumprido: a área ocupada pela residência de acolhimento de crianças e jovens em situação de perigo, “ficou ainda mais casa”.

Clara Martins, diretora técnica da Fundação Luiza Andaluz, confirma: “Esta remodelação tornou o espaço mais acolhedor para os miúdos… E ganharam outros espaços que também podem usar, como a sala multimédia, que eles adoram”. A responsável sublinha ainda que a presença do LA CC no convento é muito positiva, porque “vem dar visibilidade à instituição e a tudo aquilo que Luiza Andaluz fez e que a congregação continua a fazer em prol das crianças que mais precisam… Vem aproximar-nos da comunidade.”

Mas para a responsável, que trabalhou mais de vinte anos com famílias e já exerceu o cargo de juíza social nos tribunais de família e menores, não restam dúvidas de que “o que verdadeiramente diferencia este projeto é a enorme preocupação em fazer com que as crianças se sintam em casa. Aqui há, de facto, um acolhimento que é feito de coração, que tem muito afeto, muita dedicação”, afirma.

E isso acontece porque o convento “é mesmo uma casa e há pessoas que vivem realmente aqui – além das crianças – que são as irmãs. Elas estão sempre presentes e, apesar de não pertencerem ao corpo de funcionários, a presença delas, o abraço e o carinho que dão fazem toda a diferença”.

A diretora técnica, que só conheceu melhor a história da casa e de Luiza Andaluz quando integrou a equipa em setembro do ano passado, diz que ficou “muito surpreendida com a imensa coragem que ela teve e ao mesmo tempo muito inspirada” para ajudar a dar continuidade a esta missão.

“Tem sido muito desafiante para mim, porque uma coisa é trabalhar com as famílias, outra coisa é estar na casa destas crianças… é muito intenso”, confessa. Mas é muito compensador também, particularmente quando se percebe que, nos olhos delas, volta a brilhar uma luz… exatamente a mesma que brilhava nos olhos das crianças que Luiza começou por acolher.

Clara Silva Martins, Diretora Técnica da Fundação Luiza Andaluz. Foto Clara Raimundo

Clara Martins, diretora técnica da Fundação Luiza Andaluz, sente-se inspirada pela fundadora para ajudar a dar continuidade a esta missão. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

 

“Esta casa não vai fechar nunca”

“Cem anos depois, aqui estamos a ver multiplicar-se as maravilhas que ela fez”, diz a irmã Maria Laíde, antes de ser interrompida pelo som agudo da campaínha da casa de acolhimento. Abre a porta e eis que surge a prova do que acabou de dizer: cerca de dez crianças entram de rompante umas de mochila às costas, outras a puxá-las com rodinhas, e todas a cumprimentam, entusiasmadas e sorridentes, seguidas das educadoras. Maria Laíde sorri e cumprimenta-as de volta, ao mesmo tempo que explica ao 7MARGENS: “Vêm da escola… E vê-se que são felizes aqui. Estas crianças não têm o carinho da mãe, do pai, da família. Têm de encontrar aqui a mãe e o pai que não têm. E encontram”, assegura. “Até há meninas que entretanto se tornaram adultas e já não vivem cá, mas voltam para nos visitar. Há uma que chega aqui e diz sempre: ‘Eu vinha ver a minha mãe!’, e eu já sei que ela se refere a uma educadora”, conta, orgulhosa.

É por isso que, enquanto se ouvem, já mais longe, as vozes entusiasmadas dos pequenos, a irmã Maria Laíde faz questão de dizer que está feliz por ter regressado ao Convento das Capuchas, passados tantos anos desde aquele verão em que decidiu seguir os passos de Luiza Andaluz. “Vejo o futuro desta casa com esperança. Basta haver aqui, se não houver mais, duas ou três irmãs, para assegurar o espírito. A história fala por si… A Luiza Andaluz fundou isto com tanto carinho, com tanta entrega, que nós seríamos traidoras se não mantivéssemos esse espírito e se não o incutíssemos em todos os que vêm para cá…”, continua, antes de ser novamente interrompida.

Agora é Carolina que aparece na receção, de saco ao ombro. Vai passar o fim de semana a casa da avó. Despede-se, sorridente, porque sabe que em breve estará de volta e que as portas continuarão abertas para a acolher. A irmã Maria Laíde deseja-lhe bom fim de semana e remata: “Esta casa não vai fechar nunca, vai ter sempre gente… Oxalá não tivesse, que era bom sinal. Mas esta casa é muito especial para a nossa congregação, para o mundo. E enquanto houver crianças e famílias a precisar, nós vamos cá estar”.

 

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