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Padre Jorge Amaro.
Padre Jorge Amaro é natural de Loriga e o trabalho missionário já o levou a Inglaterra, Etiópia, Espanha, Canadá e Estados Unidos. Foto: Arquivo Fátima Missionária

Jorge Amaro, missionário da Consolata

Coração de menino, missão de gigante

| 05/06/2026

 Natural de Loriga, o padre Jorge Amaro descobriu a sua vocação ainda em criança, quando o entusiasmo de um missionário que escutou na escola despertou nele a vontade de “ser aventureiro”. Hoje, aos 69 anos, o Missionário da Consolata recorda um percurso que o levou por diferentes países.

Jorge Fernando Duarte Amaro

Ordenação do Pe. Jorge Fernando Duarte Amaro, Fátima 04/05/95, preside a cerimonia D. Antonio dos Santos, bispo da Guarda. Foto: arquivo FM

Jorge Amaro é um padre dos Missionários da Consolata de 69 anos, natural de Loriga, vila do concelho de Seia, na Serra da Estrela. Foi ordenado com 28 anos, algo que desejava desde a infância. “A minha vocação surgiu num dia em que um missionário visitou a minha escola e falou das suas aventuras em África com tanto entusiasmo que despertou, no meu coração de criança, a ânsia de um dia ser aventureiro como ele”, recorda, num testemunho dado à revista Fátima Missionária. Hoje acredita que “o gosto pela aventura foi apenas a ‘isca’ que Deus utilizou para ‘pescar’, para Si”, o seu “coração de menino”.

Além de Portugal, a sua missão já o levou a outros cinco países. O padre Amaro refere que percebeu, desde cedo, que a sua “vida seria itinerante”. Foi por isso que chamou Missão itinerante ao blogue onde escreve desde 2012, em português, inglês e espanhol. “Mantenho este compromisso de evangelização pela internet, animado pelos leitores que chegam diariamente e que, no blogue em inglês, ultrapassam por vezes o milhar por dia.”

A atividade missionária do padre Amaro já o levou a Inglaterra, Etiópia, Espanha, Canadá e Estados Unidos da América. Identificar o país que mais o impressionou não é difícil. “Nesta vida deambulante, a Etiópia foi o país que mais me marcou, sobretudo na minha juventude.” Naquele território, o missionário enfrentou o desafio de estudar um idioma novo. “Aprendi uma língua semítica, complexa e muito diferente das ocidentais”, refere, acrescentando que o dia em que conseguiu formar a primeira frase “foi como um renascer para aquela terra”. Em solo etíope, viu-se a desempenhar “múltiplas funções”. Além de padre, trabalhou como agricultor, professor e administrador. Acabou ainda por assumir tarefas de “enfermeiro e até médico”, mesmo “sem preparação específica”, devido à “tanta precariedade” que encontrou no local.

Padre Jorge Amaro: “Nesta vida deambulante, a Etiópia foi o país que mais me marcou, sobretudo na minha juventude.” Naquele território, o missionário enfrentou o desafio de estudar um idioma novo. “Aprendi uma língua semítica, complexa e muito diferente das ocidentais” Foto: arquivo FM.

O missionário recorda com satisfação o dia em que, estando de férias em Portugal e prestes a regressar à Etiópia, o pai tentou convencê‑lo a não partir de novo. “Entre outros argumentos, dizia que os anos que lá tinha passado já eram suficientes e que também podia fazer missão aqui.” A mãe, que escutava a conversa, acabou por demover o pai de insistir. Essa atitude é motivo de apreço para o padre Amaro. “Deus, que já tem a minha mãe junto de Si, deve estar muito contente com ela, pois não foi uma mãe possessiva”, afirma, destacando que ela “foi capaz de superar o instinto materno”.

Já se passaram 41 anos desde que Jorge foi ordenado presbítero em Fátima. O missionário afirma que, se em criança soubesse o que sabe hoje, “voltaria a escolher a vida missionária” porque se identifica totalmente com ela. Destaca que as pessoas consagradas vivem os “votos de pobreza, castidade e obediência”, sem apego aos bens materiais. Também se dedicam aos bens espirituais, amam “sem excluir ninguém”, não procuram prestígio e entregam-se ao plano de Deus, “obedecendo-Lhe através dos superiores e dos sinais dos tempos”. Para ele, estas são características que o fazem amar a vida que escolheu abraçar.

Padre Jorge Amaro

Padre Jorge celebra Eucaristia no Canadá, transmitida pela Rádio Maria (maio 2026). Foto: arquivo FM

O missionário acredita que nunca ficará sem trabalho, porque “a atividade missionária está ainda no início”, como escreveu São João Paulo II na encíclica Redemptoris Missio. O padre Amaro sublinha, a este propósito, que “o maior dos continentes, a Ásia, continua pouco evangelizado, pelo que trabalho não faltará”. Destaca, em particular, o caso da Mongólia – país em que os Missionários e Missionárias da Consolata estão presentes – “onde praticamente não há cristãos” e há quem oiça “falar de Cristo pela primeira vez”.

O religioso considera que a sua atividade missionária está repleta de variedade e riqueza. “Vejo a minha vida como um puzzle de peças dispersas por lugares distantes e diversos, com pessoas de várias etnias, línguas, povos e nações.” O seu maior desejo é desempenhar bem a missão à qual se entregou. “Quando esta vida chegar ao fim, e todas as peças estiverem reunidas e colocadas no seu devido lugar, espero que, no seu conjunto, formem uma imagem que agrade a Deus.”

 

Este texto é publicado no âmbito da parceria entre o 7MARGENS e a revista Fátima Missionária.

 

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