Cori Bush, primeira negra eleita no Missouri: Este é o nosso momento, até cada um de nós ser livre

| 7 Nov 2020

Mãe solteira, enfermeira, doente de covid, Cori Bush é a primeira mulher negra do Missouri a ser eleita para o Congresso dos Estados Unidos. No seu discurso de vitória na noite das eleições, a nova deputada referiu o sofrimento que atinge tantas pessoas e prometeu um mandato ao serviço de quem não tem voz. Este é o seu discurso, publicado no canal YouTube do jornal The Guardian, mantendo na tradução a marca da oralidade:

 

Eu estava a correr… Eu era aquela pessoa a correr, pela minha vida, no meio de um parque de estacionamento, a fugir de um agressor. Lembro-me de ouvir balas a passar pela minha cabeça e, nesse momento, pus-me a pensar: “Como é que eu saio desta vida?”

Eu não tinha seguro. Tenho sido essa pessoa sem seguro, esperando que o meu prestador de cuidados de saúde não me envergonhasse ao perguntar-me se eu tinha seguro. Perguntava-me: “Como é que vou suportar isso?”

Eu era uma mãe solteira. Tenho sido aquela mãe solteira a lutar para que o salário chegue [para o que é preciso], sentada à porta do gabinete de empréstimos do dia de pagamento, perguntando-me “quanto mais terei de sacrificar?”

Eu era aquela doente de covid. Fui aquela paciente de covid a respirar ofegante, perguntando-me: “Quanto tempo demorará até que eu possa respirar livremente de novo?”

Continuo a ser a mesma pessoa. Tenho orgulho em estar hoje perante vós sabendo que foi esta pessoa, com estas experiências, que levou os eleitores de St Louis a fazer algo histórico. St Louis: a minha cidade, a minha casa, a minha comunidade. Há tanto tempo que temos vindo a sobreviver e a moer, e agora este é o nosso momento para finalmente, finalmente começarmos a viver e a crescer e a prosperar. Portanto, como primeira mulher negra, enfermeira e mãe solteira a ter a honra de representar o Missouri no Congresso dos Estados Unidos, deixem-me apenas dizer isto. Às mulheres negras. Às raparigas negras. Às enfermeiras. Às mães solteiras. Aos trabalhadores essenciais: este é o nosso momento.

Há seis anos, St. Louis captou os olhos e ouvidos de todo o mundo durante a revolta de Ferguson. Já não podíamos suportar a injustiça, por isso – na tradição de cada um dos nossos antepassados que lutaram por um mundo melhor – organizámo-nos pelo Michael Brown, Jr. [jovem negro de 18 anos morto pela polícia em 9 de agosto de 2014, em Ferguson, St. Louis], organizámo-nos durante 400 dias, lado a lado, de braço dado, St Louis forte. E agora, perante uma pandemia global e ataques implacáveis ao nosso direito de voto, organizámos todo o caminho até às urnas. Enviámos por correio os nossos boletins, votámos ausentes, chegámos às nossas famílias, amigos, vizinhos e aos nossos pares – e aparecemos… St. Louis forte.

Durante anos, vivemos sob uma liderança que nos afastou do nosso próprio governo. Durante anos, ficámos de fora ao frio: protestando nas ruas, dormindo nos nossos carros ou tendas, trabalhando em três empregos a tempo parcial apenas para pagar as contas. E hoje, hoje, todos nós, estamos a caminho do Congresso – St. Louis forte!

 

“Estou aqui para vos servir”

A minha mensagem hoje é para cada negro, mulato, imigrante, queer e transexual, e para cada pessoa com oportunidades de prosperar bloqueadas por causa de sistemas opressivos; estou aqui para vos servir. A todas as pessoas que sabem o que é dizer a um ente querido “só quero que chegues a casa em segurança, querido”: eu amo-vos.

Vamos enfrentar os desafios deste momento como um movimento: lado a lado, braço a braço, com os nossos punhos no ar.

A todos os pais que enfrentam uma escolha entre pôr comida na mesa e manter um tecto sobre a sua cabeça: estou aqui para vos servir. A todas as crianças preciosas do nosso sistema de acolhimento falhado: eu amo-vos.

A todos os professores que fazem o impossível para ensinar durante desta pandemia: estou aqui para vos servir. A todos os estudantes que estão a lutar para chegar à meta: eu amo-vos.

A todas as pessoas com capacidades diferentes, a quem é negado acesso igual: amo-vos.

A todas as pessoas que vivem sem abrigo nas ruas: amo-vos.

A todas as famílias que perderam alguém por causa da violência armada: amo-vos.

A todas as pessoas que perderam um emprego ou um lar ou cuidados de saúde ou esperança: amo-vos.

É a maior honra da minha vida aceitar a responsabilidade de servir todas as pessoas do primeiro distrito do Missouri, como a vossa primeira congressista negra eleita. Este é o nosso momento.

Hoje à noite, nós, o povo, estamos vitoriosos. Nós, nós o povo, vamos para o Congresso. Porque nós, o povo, comprometemo-nos com uma visão da América que funcione para todos nós. Uma América que trata cada pessoa com respeito. Que reconhece os cuidados de saúde como um direito humano. Que acredita que cada pessoa merece comida para comer, um lar para viver, e uma vida digna. A nossa América será conduzida não pela pequenez de uns poucos poderosos, mas pela imaginação de um movimento de massas que nos inclui a todos. Essa é a América pela qual lutamos.

Tudo o que faço começa com aqueles que têm menos, que sofreram o pior, e que têm o melhor para oferecer. Porquê? Porque eu própria tenho vivido de salário em salário. Lutei durante anos sob o peso da dívida estudantil. Fui despejada pelos senhorios. Preocupou-me como é que ia pôr comida em cima da mesa para os meus dois filhos. Tenho estado sem seguro. E por cada uma dessas histórias que vos posso contar sobre a minha vida, sei que há milhares mais na nossa comunidade. E essas são as histórias que trago comigo e que erguerei na “casa do povo” enquanto vossa congressista.

O meu trabalho agora é servir-vos – não só liderar, não só exigir, mas servir-vos.

Este momento vem até nós, por nós – pelo nosso movimento por justiça social, racial e económica. Agora, o nosso movimento vai para o Congresso. E enfrentaremos os desafios deste momento enquanto movimento: lado a lado, de braço dado e com os nossos punhos no ar – prontos a servir-nos uns aos outros até cada um de nós ser livre.

 

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