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Covid-19 em África (9 Abril 2020)

Coronavírus: “Como fica a África?”

| 09/04/2020

Coronavírus: “Como fica a África?”

by | 9 Abr 20

Covid-19 em África (9 Abril 2020)

Os países mais atingidos pela covid-19 em África, à data de 9 Abril 2020, no mapa da BBC dedicado ao tema: Argélia, Egipto e África do Sul são os casos mais graves, seguidos de Marrocos, Tunísia e Camarões.

 

Instituições africanas de diversos sectores e capacidades juntaram-se à luta do mundo contra a covid-19. Não são para já muitas, mas estão na linha da frente na busca de fármacos ou combinações de fármacos capazes de pelo menos travar a pandemia. Mas, e depois? “Como fica a África?” – pergunta o bispo de Pemba (Moçambique).

O grupo integra até agora cinco universidades e centros de investigação de 12 países – Etiópia, Egipto, o primeiro país a ser contaminado, no dia 12 de Fevereiro, antes da coisa se espalhar por todo o lado, Tanzânia, África do Sul, Gana, RDC (ex-Zaire), República do Congo (Brazzaville), Sudão, Quénia, Uganda, Malawi e Nigéria. Não são muitos, como se vê, num continente que conta com 54 mas é expectável que outros se juntem não tarda nada, pois ninguém espera que o surto termine em breve – pelo contrário, as notícias roçam o exasperante. Quase a entrar estão o Burkina Faso e o Senegal, dois de outros 25 que mostraram interesse em juntar-se.

Também não estão todos para já a trabalhar, de acordo com a revista inglesa Nature, que dá conta do envolvimento africano na luta. O único até ao momento é a África do Sul.

O grupo é parte da Covid-19 Clinical Research Coalition, uma coligação de 70 centros de investigação e universidades de 30 países, de todos os continentes, paga por fundações privadas e apoiada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para trabalharem na investigação e prevenção do surto, que não vem distinguindo países do Norte ou do Sul, do Leste ou do Oeste, ricos ou pobres, ameaçando de modo particular os mais frágeis: os africanos. “Estamos a ficar sem tempo”, disse Nathalie Strub-Wourgaft.

A ideia da iniciativa, que o director da OMS, Tedros Adhanom, baptizou de “Solidariedade”, é simples: comparar a apetência de quatro fármacos, ou combinações de fármacos, para a contenção do SARS-CoV-2, o vírus na origem da covid-19. Na comparação dos resultados de vários estudos separados que aderem ao mesmo protocolo, a OMS espera obter algo consistente que cure ou previna, ou as duas coisas.

Que terapias são essas em que a organização põe tanta esperança? São quatro, algumas muito utilizadas em África em razão de outras enfermidades: o remdesivir, um antiviral, a cloroquina, utilizada para tratar a malária, uma combinação de lopinavir e ritonavir, comum no tratamento do HIV, e o interferón beta, um antiviral que induz a célula infectada e as células próximas a produzirem proteínas que impedem a replicação do vírus, usado para tratar as hepatites B e C, e ainda a esclerose múltipla.

Já quanto aos ensaios, a África tem problemas específicos. “Há muitas perguntas sobre este vírus desde logo no que nos respeita a nós”, disse Chinwe Ochu, do Centro Nigeriano para o Controle de Enfermidades, com sede em Abuja, sublinhando entre outras coisas a “falta de dados entre a associação de altas temperaturas e humidade sobre o impacto da propagação”. E além disso determinantes socio-económicas como o acesso a cuidados de saúde ou à água.

Por fim e em relação a eventuais tratamentos há que considerar que o recurso a hipotéticas e futuras drogas será ali previsivelmente mais limitado por uma maior procura dos países ricos, isto para não falar na administração, do que houver, nas zonas rurais. Quem tem e pode chegará certamente mais depressa do que quem não tem e portanto não pode.

A covid-19 ameaça o mundo inteiro, não distingue nem países, nem crenças, nem géneros, nem idades, nem rendimentos. A palavra ao bispo de Pemba, Moçambique, Luiz Fernando Lisboa, na mensagem que enviou aos “familiares e amigos, irmãs e irmãos em Cristo”, no dia 28 de Março: “Teremos que socorrer-nos uns aos outros. Teremos que ser criativos para sair, depois, da crise. E a África? Aquela que foi pilhada, repartida, invadida, aquela que vive outra colonização através das multinacionais que querem a todo custo as suas riquezas? Como fica a África? A pandemia já está em cerca de 40 dos 54 países do continente. Os casos estão a subir em todos os países. O nosso continente é extremamente pobre e não tem as mínimas condições de enfrentar esta pandemia. Não temos tido muito tempo para ela [a pandemia] porque temos que lidar com a fome, a desnutrição, a cólera, a malária, as guerras, a falta de leitos nos hospitais, a falta de hospitais, entre tantas outras situações”.

Leitor, aceda à BBC News e vá até ao noticiário africano. Aí, clique no live tracker Coronavirus in Africa. E veja em quantas vítimas já vai o continente. No fecho desta nota (quinta, 9 de Abril, às 18h), o total de infectados ia em 11.607, os recuperados em 1.438 e os mortos em 578. E agora quantos são?

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