Crenças e rituais

Rituais pós-nascimento: “Ku xlomula mamani ni ku humisa mwana”

Nas culturas bantu do sul de Moçambique, especificamente na xironga e na xitswa, após o nascimento de um bebé, a mãe e a sua criança ficam, por algum tempo, interditados do convívio com a família alargada, por se considerar que os seus corpos não se encontram fortes o suficiente para conviver com agentes impuros, sejam do ambiente poluído de fora de casa, sejam os que com eles habitam, pelo facto de viverem entre o resguardo do lar e outras actividades que realizam fora de casa.

“Verdades” dos mitos: rituais de donzelar

Há mitos sobre rituais de iniciação, sobretudo no que se refere ao de passagem da adolescência à idade adulta. Um deles tem a ver com o facto de que o que se trata nessas cerimónias deverá ser guardado em segrego; o outro tem a ver com a ideia que se criou de que, no sul de Moçambique, não há esse tipo de eventos para as donzelas e que só no norte é que são realizados. Neste texto, falarei sobre o segundo mito acabado de apontar.

Rainhas anónimas, princesas reconhecidas: nomes com história

Sou filha de um matsua e de uma bitonga, ambos são da província de Inhambane. O meu pai era filho de uma bitonga, que o educara naquela cultura. Eu fui uma criança culturalmente bitonga, embora tenha nascido num território ronga, em Maputo. Somos todos do sul de Moçambique. Entretanto, depois de se separar do pai do meu pai, a minha avó tornou-se esposa de um machuabo.

Monstros lendários: a rainha corona, um bicho, um xitukulumukumba e uma zuzu são momomos

A geração dos anos 40 cresceu intimidada pelos pais, sobre a existência de um bicho que nunca chegou a ver. Mas foi um bicho que a educou de forma rígida. Viveu o tempo todo obedecendo cegamente aos pais, em tudo o que fosse necessário. Não foi uma geração questionadora, pelo menos no que a assuntos domésticos dizia respeito. Uma palavra dos seus pais era de ordem.