Crenças e rituais

“Bhelani khu nyumbani, namuguphedhe khu guhamba mandza”

Fui há dias a Inhambane, a chamada “terra da boa gente” – ganhou esse epíteto, no primeiro contacto com o povo português, a propósito de ser acolhedora. Ao chegar a essa província, recebi uma mensagem do editor do gala-gala, que publicou o meu último livro. Dizia ele: “Sara, a tua obra está quase pronta, já podemos pensar numa data para o lançamento.” Respondi-lhe que era uma grande bênção, chegar à casa dos meus avós, dos meus ancestrais, na verdade, dos que intercedem por mim junto a Deus e ter uma informação tão preciosa.

Rituais pós-nascimento: “Ku xlomula mamani ni ku humisa mwana”

Nas culturas bantu do sul de Moçambique, especificamente na xironga e na xitswa, após o nascimento de um bebé, a mãe e a sua criança ficam, por algum tempo, interditados do convívio com a família alargada, por se considerar que os seus corpos não se encontram fortes o suficiente para conviver com agentes impuros, sejam do ambiente poluído de fora de casa, sejam os que com eles habitam, pelo facto de viverem entre o resguardo do lar e outras actividades que realizam fora de casa.

“Verdades” dos mitos: rituais de donzelar

Há mitos sobre rituais de iniciação, sobretudo no que se refere ao de passagem da adolescência à idade adulta. Um deles tem a ver com o facto de que o que se trata nessas cerimónias deverá ser guardado em segrego; o outro tem a ver com a ideia que se criou de que, no sul de Moçambique, não há esse tipo de eventos para as donzelas e que só no norte é que são realizados. Neste texto, falarei sobre o segundo mito acabado de apontar.

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