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Muro simbolico representa divisoes no mundo. Foto © Albin HillertWCC

Estudo internacional

Crescem as grandes “divisões religiosas globais”: geográfica e geracional

| 16/05/2023

Muro simbolico representa divisoes no mundo. Foto © Albin HillertWCC

A pesquisa mostra acentuadas clivagens, a começar pela proporção de entrevistados que dizem ter uma religião, que varia de quase 100% na Índia e na Tailândia até menos de metade no Japão, Coreia do Sul, Suécia, Holanda e Grã-Bretanha.. Foto © Albin Hillert/WCC.

 

Um novo estudo internacional revela que há duas grandes “divisões religiosas” a nível mundial que têm vindo a acentuar-se: uma opõe o “Sul Global altamente religioso” a um “Norte Global predominantemente secular”; a outra separa os jovens dos adultos mais velhos, sendo que os primeiros “têm menos probabilidade de se identificarem como cristãos, especialmente católicos”, e são “mais propensos a identificar-se como muçulmanos ou de alguma outra fé”.

A pesquisa foi realizada pela Ipsos Global Advisor em 26 países (nos quais não está incluído Portugal, mas a Espanha sim), com base em entrevistas a 19.731 indivíduos, e mostra acentuadas clivagens, a começar pela proporção de entrevistados que dizem ter uma religião: varia de quase 100% na Índia e na Tailândia até menos de metade no Japão, Coreia do Sul, Suécia, Holanda e Grã-Bretanha.

Em cada um dos 16 países mais católicos estudados, a percentagem de Gen Zers (aqueles que nasceram em 1997 ou depois) que se identificam como católicos é menor do que a percentagem de baby boomers (nascidos em 1964 ou antes) que o fazem – em média 16 pontos. As lacunas na Bélgica, Itália, Peru, Polónia, França e Chile ultrapassam 20 pontos percentuais.

Um padrão semelhante é identificado em 11 dos 12 países onde pelo menos 15% dos entrevistados se identificam como protestantes, evangélicos ou apenas “cristãos”: os Gen Zers têm menos probabilidade do que os boomers de se identificarem como tal, em média 11 pontos. As diferenças na Suécia e na Austrália ultrapassam os 20 pontos.

Por outro lado, em cada um dos 14 países onde pelo menos 2% de todos os adultos entrevistados ​​se identificam como muçulmanos, os Gen Zers são mais propensos a fazê-lo do que os boomers. Diferenças de dez pontos ou superiores são observadas na Grã-Bretanha, Suécia e Bélgica.

Do total, em média 40% dizem que acreditam em Deus “como descrito nas sagradas escrituras”, 20% acreditam num “espírito superior, mas não como descrito nas sagradas escrituras”, outros 21% não acreditam em Deus nem em qualquer espírito superior e 19% não tem a certeza ou não quer dizer. Enquanto a maioria em 11 países acredita em Deus conforme descrito nas escrituras sagradas – principalmente no Brasil, África do Sul, Turquia e Índia – aqueles que dizem não acreditar em Deus ou em qualquer poder ou espírito superior constituem a maioria no Japão, Coreia do Sul, e em sete dos dez países europeus incluídos no estudo (Países Baixos, Suécia, Bélgica, Grã-Bretanha, França, Espanha e Alemanha).

A tabela abaixo, reproduzida a partir do relatório final, resume os resultados relativamente à crença em Deus em cada um dos 26 países incluídos na pesquisa.

 

Crença em Deus por países. Fonte Ipsos, maio 2023.

Crença em Deus por países. Fonte: Ipsos Global Advisor.

 

Deus supera o diabo

Mulher idosa a rezar o terço. Foto © Thodonal

Quanto à frequência regular de um lugar de culto e à prática da oração em casa, não é de surpreender que estas sejam mais comuns em países onde a maioria acredita em Deus ou num espírito superior. Foto © Thodonal.

 

Em termos globais, a crença no céu ronda os 52% e cerca de 49% acreditam em espíritos sobrenaturais (por exemplo, anjos, demónios, fadas e fantasmas). Já a crença no inferno e no diabo é cerca de 10 pontos mais baixa do que a primeira. O país onde estas crenças são mais baixas é a Bélgica, enquanto a Turquia, o Brasil e a África do Sul lideram a tabela.

Curiosamente, quanto mais jovens, maior a probabilidade de acreditarem no céu, no inferno, no diabo e em espíritos sobrenaturais – principalmente em países onde a crença entre os adultos é baixa. Em muitos desses países, especialmente nos do norte e oeste da Europa, a prevalência dessas crenças é maior entre os Gen Zers do que entre os boomers em mais de 20 pontos percentuais.

Já quanto à frequência regular de um lugar de culto e à prática da oração em casa, não é de surpreender que estas sejam mais comuns em países onde a maioria acredita em Deus ou num espírito superior.

Mais de sete em cada dez na Índia e cerca de metade na África do Sul, Tailândia, Brasil e Turquia dizem que frequentam um local de culto (por exemplo, uma igreja, templo ou mesquita) pelo menos uma vez por mês, em comparação com apenas um em cada 20 no Japão, cerca de um em cada 10 na Bélgica e Hungria, e menos de um em cada cinco na França, Suécia, Holanda, Alemanha, Grã-Bretanha, Espanha e Canadá.

Em média, a proporção daqueles que rezam fora de um local de culto pelo menos uma vez por mês é 15 pontos percentuais maior do que a proporção daqueles que frequentam um local de culto pelo menos uma vez por mês.

Em países onde a prática religiosa é alta, os adultos mais velhos tendem a envolver-se mais do que os jovens, enquanto em países onde a prática religiosa é baixa, os jovens tendem a ter maior envolvimento.

 

A religião faz mais mal do que bem?

Uma mulher reza na Igreja Metodista de Hyderabad, India. Foto © Paul JeffreyLife on Earth

Uma mulher reza na Igreja Metodista de Hyderabad, India. Foto © Paul JeffreyLife on Earth.

 

A proporção de adultos entrevistados que dizem sentir-se à vontade perto de pessoas com diferentes crenças religiosas é em média de 76% em 26 países. Mas se cerca de nove em cada dez dizem estar confortáveis junto a pessoas com visões religiosas diferentes da sua na África do Sul, Singapura, Austrália, Canadá, Grã-Bretanha e Estados Unidos, já na Coreia do Sul essa afirmação reduz para metade.

A comparação dos resultados deste ano com os de uma pesquisa da Ipsos Global Advisor realizada em 2017 mostra que a tolerância religiosa aumentou significativamente na Suécia, Brasil, Bélgica, México e Polónia, mas diminuiu na Coreia do Sul e também na Alemanha.

Em média, quase metade (47%) diz que a religião “faz mais mal do que bem ao mundo”. Depois da Índia, essa visão é mais comum na Europa Ocidental e no Japão; é menos comum na América Latina, África do Sul, Turquia e Sudeste Asiático. Em grande parte da Europa Ocidental (com a notável exceção da Itália), também é menos prevalente entre os adultos mais jovens do que entre os mais velhos.

Ainda assim, 54% concordam que as práticas religiosas são um fator importante na vida moral dos cidadãos, 37% consideram que pessoas com fé religiosa são melhores cidadãos e 20% dizem que perdem o respeito pelas pessoas quando descobrem que não são religiosas.

Os jovens são mais propensos do que os mais velhos a associar religião com moralidade nos países em que também são significativamente mais propensos do que os adultos mais velhos a identificar-se como muçulmanos.

Por fim, cerca de três em cada quatro pessoas que acreditam em Deus ou num poder ou espírito superior dizem que isso as ajuda a superar crises, dá sentido à sua vida e as torna mais felizes do que a média. Quanto maior a proporção de crentes num país, maior a probabilidade de os crentes sentirem que beneficiam da sua fé, conclui o estudo.

 

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