
‘ “Os chefes de missão da UE em Daca estão muito preocupados com os relatos de múltiplos ataques contra locais de culto e membros de minorias religiosas, étnicas e outras no Bangladesh”, escreveu a União Europeia no Bangladesh numa declaração publicada na rede social X a 6 de agosto.’ Foto: Protestos de minorias no Bangladesh, divulgada pela Asia News.
As minorias religiosas do Bangladesh têm sido alvo de ataques desde o início das revoltas que derrubaram a primeira-ministra Sheikh Hasina, em 5 de agosto. Entre as minorias religiosas deste país, 90 por cento do qual é muçulmano, contam-se os hindus, os budistas e os cristãos (0,6% segundo a ONG evangélica Open Doors).
Uma fonte eclesiástica disse à Agência Fides que “os cristãos também foram vítimas de violência, embora em menor escala, mas graças a Deus não se registaram mortos ou feridos graves”. Esta fonte, citada pelo La Croix de 12 de agosto, refere ainda o incêndio de um edifício diocesano na capital Daca.
Numa carta aberta dirigida às autoridades interinas, duas associações representativas das minorias religiosas do país referiram 205 incidentes desde o início das manifestações. “Nunca vi tais incidentes na minha vida. Pedimos ao governo que restabeleça a harmonia comunal no país”, declarou um dos presidentes do Conselho de Unidade Cristã Hindu-Budista do Bangladesh, que assinou a carta aberta.
O novo chefe do governo, Muhammad Yunus, condenou os atos de violência. No sábado, 10 de agosto, milhares de manifestantes marcharam contra a violência. A manifestação foi liderada por estudantes, um sinal de apoio das forças que estão na vanguarda desta revolução política.
As instituições internacionais também estão preocupadas com os ataques contra as minorias no Bangladesh. “Os chefes de missão da UE em Daca estão muito preocupados com os relatos de múltiplos ataques contra locais de culto e membros de minorias religiosas, étnicas e outras no Bangladesh”, escreveu a União Europeia no Bangladesh numa declaração publicada na rede social X a 6 de agosto. Na mesma plataforma, a embaixada dos EUA em Daca também manifestou “preocupação com os relatos de ataques contra minorias religiosas e sítios religiosos no Bangladesh”.
“É difícil saber até que ponto se tratam de atos de vandalismo e de protesto político e até que ponto têm motivações religiosas”, assinala Maria Lozano, responsável internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre. A dimensão da violência e as razões que a motivaram contra os cristãos e as minorias religiosas continuam por esclarecer.










