Havia pelo menos seis crianças entre as centenas de pessoas mantidas em centros de detenção secretos no Bangladesh, durante os últimos meses em que a deposta primeira-ministra Sheikh Hasina esteve no poder, revelou esta semana a Comissão de Inquérito sobre Desaparecimentos Forçados no seu relatório preliminar.
O relatório, citado pela UCA News, documenta “o assassinato extrajudicial de centenas de opositores políticos e o sequestro e desaparecimento ilegais de outras centenas”, detalhando “vários casos verificados em que mulheres desapareceram juntamente com os seus filhos”.
Entre eles, o de uma mulher grávida, detida com dois filhos menores, que foi espancada na prisão, ou o de um casal detido com o seu bebé, o qual terá sido privado do leite materno “como uma forma de tortura psicológica” para pressionar o pai a confessar os atos de que era acusado.
No passado, o governo de Hasina negou sempre quaisquer responsabilidades nos desaparecimentos registados, alegando que essas pessoas ter-se-iam afogado no Mediterrâneo na tentativa de chegar à Europa.
De acordo com a comissão de inquérito, nomeada pelo Governo interino que tomou conta do país (liderado pelo Prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus), cerca de 200 bengaleses sequestrados pelas forças de segurança estarão ainda desaparecidos.
Após a sua expulsão em agosto de 2024, na sequência de uma revolta liderada por estudantes, Hasina, agora com 77 anos, fugiu para sua aliada de longa data, a Índia, onde terá recebido proteção do Governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Foram já instaurados vários processos penais à ex-chefe de Governo do Bangladesh, que incluem acusações de assassínio, tortura, sequestro, crimes contra a humanidade e genocídio.
(Foto de destaque: Mulher numa prisão. © Firehorse)
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