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Terceira vaga de escândalos de abusos sobre menores pode estar a surgir na América Latina, avisa organização de defesa de crianças

| 25/11/2019

Terceira vaga de escândalos de abusos sobre menores pode estar a surgir na América Latina, avisa organização de defesa de crianças

by | 25 Nov 19 | Igreja Católica, Newsletter diária - título, Últimas

“As Igrejas Latino-americanas não estão a fazer ‘nada’ na questão dos abusos”, diz o responsável da CRIN. Ilustração © Cristina Sampaio

 

A Rede internacional de Direitos da Criança (CRIN, da sigla em inglês), sediada em Londres, avisa num relatório para o perigo de uma “terceira vaga” de escândalos de abuso sexual poder estar a surgir na América Latina, com revelações que mostram que a hierarquia católica tem encoberto e continua a encobrir a dimensão desta crise.

Intitulado “A Terceira Vaga: Justiça para os sobreviventes de abusos sexuais dentro da Igreja Católica na América Latina”, o relatório analisa a escala dos abusos e o encobrimento pela Igreja em cada país da América Latina, além de também criticar as leis nacionais relativas a crimes sexuais contra menores e que não protegem adequadamente as crianças.

A CRIN recorda que a primeira vaga dos abusos sexuais aconteceu na Irlanda e na América do Norte, enquanto a segunda aconteceu na Oceania e Europa continental. “Começa a haver uma crescente onda global que pede que a Igreja Católica assuma a responsabilidade nos abusos sexuais de menores, especialmente agora em países com uma maioria católica,” diz Leo Ratledge, diretor legal e político da CRIN, ao Crux.

O relatório afirma ainda que as hierarquias católicas da América Latina têm sistematicamente tentado suprimir as queixas de abusos e os escândalos de modos muito semelhantes aos que sucederam na América do Norte nos últimos 30 anos.

 

“Não estão a fazer ‘nada’ sobre os abusos”

Uma das formas que a hierarquia tem usado para lidar com estes casos tem sido a transferência de padres acusados de abuso de uma paróquia para outra ou de um país para outro – uma prática que a CRIN afirma que continua a acontecer hoje em dia. Outras são a “compra” do silêncio das vítimas e dos seus familiares, a culpabilização das vítimas e dos seus familiares pelos abusos, a tentativa de descredibilização das vítimas, a manipulação psicológica das vítimas para que elas não se avancem com ações legais e a tentativa de pressão sobre órgãos de comunicação social para que não noticiem os casos.

Houve casos de abusos clericais divulgados em vários países como o Chile, onde o bispo Juan Barros – acusado de encobrir o antigo padre Fernando Karadima – dominou as notícias durante a visita do Papa Francisco ao país, em 2018. O caso chegou à imprensa graças à coragem dos sobreviventes, que protestavam contra a nomeação de Barros para bispo de Osorno.

Ratledge afirma que os esforços de grupos de sobreviventes de abusos clericais têm posto vários governos latino-americanos sob pressão “para responder aos casos de abuso sistêmico de crianças e de encobrimento da Igreja, em vez de esperar que a instituição se reforme a si mesma.” “As Igrejas Latino-americanas não estão a fazer ‘nada’ na questão dos abusos”, conclui.

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