Crise na fronteira motiva carta conjunta dos bispos dos EUA e do México

| 6 Abr 21

EUA, México, Imigração, Refugiados, Tijuana

O muro de separação entre os EUA e o México, em Tijuana. Foto © Amnistia Internacional.

 

Acolher, proteger, promover e integrar os migrantes são os pedidos que os bispos dos Estados Unidos e do México das dioceses fronteiriças fazem numa declaração conjunta divulgada na segunda-feira, dia 6 de abril. Os bispos solicitam a urgente intervenção dos governos dos dois países, dos líderes políticos e da sociedade civil para encontrarem soluções humanitárias que protejam o direito de asilo dos migrantes que fogem “por uma questão de vida ou de morte”.

Ao citar os quatro verbos que têm sido uma constante nas tomadas de posição do Papa Francisco sobre a questão das migrações, os bispos americanos e mexicanos reconhecem que “as nações têm, sem dúvida, o direito de proteger as suas fronteiras”, o que constitui um direito “vital para a sua soberania e independência”. Mas referem também na sua carta conjunta citada pelo Vatican News que “há uma responsabilidade compartilhada por todas as nações para preservar a vida humana e proporcionar uma imigração segura e humana que inclua o direito de asilo”. 

Política de imigração de Biden sob fogo
Joe Biden

Joe Biden em janeiro, ao tomar posse como Presidente dos EUA: o número de imigrantes continua a crescer e isso pode ser um problema para a nova Administração. 

 

A tomada de posição dos bispos vem, de algum modo, em apoio da administração Biden cuja política de imigração, ou a ausência dela, está sob fogo desde o início de março. Uma reportagem publicada a 15 de março no Washington Post, dando conta da visita do líder da minoria republicana do Senado à região fronteiriça de El Paso, traçava um cenário bastante crítico das dificuldades que o Presidente norte-americano enfrenta nesta questão: “Os democratas estão a ficar nervosos com a acusação de serem demasiado brandos em matéria de segurança das fronteiras”, os ativistas e as organizações humanitárias “estão a fazer soar os alarmes sobre o modo como os imigrantes são tratados”; e os republicanos “estão a construir um caso” que já batizaram de “crise Biden das fronteiras” para explorarem “o problema da imigração” nas próximas eleições para o Congresso em 2022.

Na quarta-feira, 17 de março, o secretário da segurança interna, Alejandro Mayorkas, assegurou durante uma audição de mais de quatro horas na Câmara dos Representantes que a Administração Biden manteria a maior parte da política de imigração desenhada pelo seu predecessor, incluindo a controversa ordem presidencial de março de 2020, a Title 42. Esta permite, baseada na defesa da saúde pública em tempos de covi9-19, a rápida expulsão dos imigrantes ilegais vindos do Haiti e do México. Mayorkas sublinhou, contudo, que o acolhimento de menores e a reagrupamento familiar seria tratado sem recurso àquela disposição legal.

Os dados relativos ao princípio deste ano confirmam aquela diferença de tratamento por parte das autoridades americanas. Em fevereiro, 60% das 19.246 famílias detidas na fronteira Sul foram autorizadas a solicitar uma audição junto das autoridades americanas de imigração. Em janeiro esse direito tinha sido concedido apenas a 38% das famílias.

Imigração não para de crescer

O número de imigrantes ilegais detidos pelas forças de segurança americanas nas áreas vizinhas da fronteira com o México tem vindo a aumentar desde abril de 2020, ficando perto dos 100 mil em fevereiro deste ano. Nos quatro anos da era Trump este número só tem paralelo no período entre março e junho de 2019. O recorde de detenções (mais de 135 mil) foi atingido em maio daquele ano. Mas em março os registos bateram todos os recordes dos últimos 15 anos: mais de 171 mil imigrantes ilegais detidos, dos quais 18.800 eram crianças e jovens menores sozinhos, não acompanhados por nenhum adulto.

De acordo com os dados obtidos pelo Washington Post, no último mês teriam sido identificadas pelas forças de segurança mais de 53 mil famílias (habitualmente compostas por um adulto e uma criança) a atravessar a fronteira Sul ilegalmente.

Os media americanos têm dado particular relevo às reportagens sobre o crescente número de menores (calcula-se que a um ritmo superior a 500 por dia) que atravessam a fronteira sozinhos e são recolhidos pelas forças de segurança em aldeamentos com poucas condições de habitabilidade, nos quais permanecem por vários meses.

 

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Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

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