Depois de ter sido nomeado no passado mês de agosto, o advogado e pastor batista Botrus Mansour – israelita de ascendência palestiana – acaba de aceitar formalmente o cargo de secretário-geral e diretor executivo da Aliança Evangélica Mundial (WEA, na singla inglesa), assumindo assim a liderança de um organismo global que representa mais de 600 milhões de evangélicos em 161 países. A cerimónia de posse teve lugar durante a Assembleia Geral da WEA que decorreu em Seul, Coreia do Sul, de 27 a 31 de outubro.
“É algo profundo que, neste momento, um cristão palestiniano de Israel tenha sido convidado a servir como secretário-geral. Especialmente neste momento, quando há um cessar-fogo que, espero, se mantenha na nossa região após mais de dois anos de guerra, presto homenagem ao meu povo e ao meu país”, declarou Botrus Mansour no seu discurso de tomada de posse.
Esta é a primeira vez que um líder cristão árabe ocupa o cargo de responsável máximo da WEA. Botrus Mansour, 60 anos, viveu a infância entre Jerusalém, Oxford (Reino Unido), e Nazaré. Converteu-se ao cristianismo durante o ensino secundário e, após ter-se formado na Escola Batista de Nazaré, estudou Direito na Universidade Hebraica de Jerusalém.
Foi admitido na Ordem dos Advogados de Israel em 1993 e exerceu advocacia em Haifa e Nazaré. Em 2009, concluiu um MBA em gestão de organizações sem fins lucrativos na Universidade de Haifa. Foi cofundador da Igreja Batista Local em Nazaré em 1996 e ordenado presbítero em 2001. Era, desde 2004, o diretor operacional da Escola Batista de Nazaré.
“Não vim para liderar para meu próprio benefício, mas para servir”, sublinhou no seu primeiro discurso enquanto secretário-geral, e recordando as suas origens: “A unidade está enraizada no ministério e na vida de oração de Jesus. Na minha cidade natal, Nazaré, onde Jesus proclamou as boas novas pela primeira vez, e na sua oração final diante da cruz: ‘Pai, que eles sejam um’, resgataremos o que significa ser ‘evangélico’ ou ‘portadores das boas novas’.”

A Assembleia Geral da WEA decorreu em Seul, Coreia do Sul, de 27 a 31 de outubro. Foto © WEA
Perante 850 delegados de 124 nações, juntamente com 4.000 líderes pastorais coreanos, Mansour delineou uma missão de unidade, discipulado e impacto global, comprometendo-se a fortalecer as alianças regionais e nacionais, ao mesmo tempo que defenderá a liberdade religiosa. “A nossa tarefa não é individual; avançaremos juntos como alianças unidas pela mesma missão”, assinalou.
Os organizadores descreveram o evento como uma “reunião de família” para o cristianismo global e afirmaram que a assembleia marcou o início de um maior envolvimento e unidade entre os membros da WEA e a Igreja coreana. Da assembleia geral saiu também o compromisso da Igreja coreana em servir como ponte entre os movimentos evangélicos estabelecidos e emergentes em todo o mundo.
O encontro, subordinado ao mote “O Evangelho para Todos até 2033”, apontou para o ano em que serão assinalados os dois mil anos desde a ressurreição de Jesus e apelou à missão de levar a sua mensagem a toda a Humanidade até lá. “O Reino de Deus precisa de ser visível nas nossas famílias, nos nossos locais de trabalho e nas nossas comunidades”, desafiou Mansour. “Quando vivemos a misericórdia e a justiça, tornamos conhecido o reinado de Cristo.”










