Um cordão humano com mais de 100 pessoas exigiu, durante toda a manhã de dia 31 de março, em frente ao Clube Nacional de Imprensa, em Daca, que o Domingo de Páscoa fosse reconhecido pelo Governo do Bangladesh como feriado nacional. A concentração organizada pela Associação Cristã de Bangladesh reivindicou também lugares na vida pública reservados à representação dos cristãos e de outras minorias.
De acordo com a agência de notícias católica, Asian News o padre Albert Thomas Rozario, diretor da casa arquiepiscopal de Daca, afirmou durante a concentração que os cristãos no Bangladesh continuam a sofrer tratamento injusto em relação ao reconhecimento de feriados religiosos: “Observamos que os fiéis de outras religiões neste país desfrutam de vários dias de folga durante os seus principais festivais religiosos, enquanto os cristãos têm direito a apenas um dia de feriado, no Natal.”

Nirmol Rozario. Associação Cristã do Bangladesh
Outro orador, Nirmol Rozario, líder da Associação Cristã de Bangladesh, expressou preocupações mais amplas sobre a participação de cristãos e outras minorias na vida pública, solicitando a inclusão de pelo menos um ministro cristão no gabinete do Governo, a reserva de no mínimo cinco cadeiras para cristãos no Parlamento nacional, maior representação em instituições governamentais, incluindo as forças armadas, e a nomeação de professores cristãos em escolas estaduais frequentadas por alunos cristãos.
Em 30 de março, a Associação Cristã de Bangladesh enviou um pedido formal ao Primeiro-Ministro para que o dia 5 de abril fosse declarado feriado nacional por decreto executivo e que o Domingo de Páscoa fosse permanentemente incluído na lista oficial de feriados nacionais nos anos vindouros. Os líderes cristãos argumentavam que um feriado no Domingo de Páscoa permitiria aos fiéis participar plenamente dos serviços e celebrações religiosas, que atualmente são limitados devido ao horário comercial normal. No Bangladesh, sexta-feira e sábado são feriados semanais, mas o domingo é um dia útil.
Os cristãos no Bangladesh são uma pequeníssima minoria, situando-se abaixo de um por cento (estimada entre os 0,24% e os 0,3%.) da população. Num país de 175 milhões os católicos não serão mais de 400.000. Enquanto minoria, os cristãos são frequentemente alvo de violência por parte de organizações fundamentalistas muçulmanas e enfrentam dificuldades em várias áreas, como no acesso ao mercado de trabalho, na construção de igrejas e na manutenção das escolas católicas. A grande maioria da população é muçulmana (86,6% a 93%), seguida pelo hinduísmo (12,1%).
O país é governado desde fevereiro pelo Primeiro-Ministro Tarique Rahman após a vitória esmagadora do seu partido, o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) de centro-direita, nas eleições gerais deste ano. Rahman, de 60 anos, é a figura central da influente família Zia, que lidera um dos dois partidos que dominam a política do país há décadas. O seu pai e a sua mãe também já foram primeiros-ministros do Bangladesh. O pai foi assassinado e a mãe morreu recentemente. Tarique Rahman viveu 17 no exílio, depois de ter sido preso por alegada corrupção.
As eleições legislativas em que o BNP obteve a maioria absoluta dos lugares no Parlamento do Bangladesh tiveram lugar após a revolta estudantil de há dois anos que acabou com 15 anos de poder de Sheikh Hasina, atualmente exilada na Índia.










