Cristãos e marxistas europeus debatem encíclica “Fratelli Tutti”

| 3 Nov 20

Pintura da associação de ajuda humanitária Misereor no mosteiro de Wernberg (Caríntia, Áustria). Foto © Naturpuur.

 

“Um passo mais para o esforço comum” no sentido do “compromisso com a transformação justa e fraterna da economia que gera pobres e desastre ecológico.” É isto que espera José Manuel Pureza, deputado do Bloco de Esquerda e antigo membro da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica, sobre o vídeo-debate que, nesta terça-feira, dia 3, às 15h de Lisboa, juntará cristãos e marxistas europeus, tendo como pano de fundo a última encíclica do Papa Francisco, Fratelli Tutti (“Todos irmãos”).

O documento papal, assinado precisamente a 3 de Outubro, “é um texto de grande coragem na denúncia da perversidade das políticas liberais e na defesa da amizade social e política”, diz Pureza. “Tal como a Laudato Si’, esta encíclica desafia a que quem lê a realidade com as lentes do Evangelho e quem a lê com as lentes do marxismo se encontre no mesmo compromisso com a transformação justa e fraterna da economia”, acrescenta o deputado.

A organização do debate é da Transform! Europe (TE), a fundação correspondente ao partido das Esquerdas Europeias, e que congrega 35 organizações europeias de 22 países, trabalhando nos campos da educação política e da análise científica. Na apresentação da iniciativa, a TE considera a encíclica do Papa como “notável, também de um ponto de vista da esquerda”.

As duas encíclicas tratam questões “de importância central” e centram-se “nos problemas enfrentados pelas pessoas em todo o mundo no contexto da destruição social e ecológica da existência humana a nível mundial”, diz a TE. Por isso, a sua interpretação “é também importante para os marxistas e para o diálogo cristão-marxista”.

No debate, serão abordadas questões como as diferenças de interpretação das encíclicas entre cristãos e marxistas, a formulação de alternativas comuns, a possibilidade de acções conjuntas com base em ambas as encíclicas ou eventuais próximos passos comuns.

No debate, que será moderado por Philipp Geitzhaus, teólogo e activista marxista, de Münster (Alemanha), intervêm Petra Steinmair-Pösel, da faculdade cristã de pedagogia Edith Stein, de Innsbruck (Áustria), Cordula Ackermann, teóloga e activista marxista, de Münster, e Michael Loewy, sociólogo e filósofo marxista franco-brasileiro. Cornelia Hildebrandt, filósofa alemã e co-presidente da TE fará um comentário.

A rede TE e o seu projecto Dialop pretende promover “o diálogo entre as posições marxistas e cristãs e desenvolver compromissos comuns de paz, não-violência, justiça social, democracia, e transformação ecológica”, de modo a desenvolver “uma visão alternativa da Europa: uma Europa comum de pontes, caracterizada pelo intercâmbio de bens e valores culturais”.

Já em 2018, uma universidade de Verão promovida por pessoas ligadas ao movimento católico dos Focolares e impulsionada pelo Papa Francisco juntou 35 jovens cristãos e marxistas na Grécia, como se noticiou no Religionline, antecessor do 7MARGENS.

 

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