Casa paroquial de El-Obeid destruída

Cristãos entre as vítimas da violência no Sudão

| 26 Abr 2023

Refugiados sudaneses chegam ao Chade no início de 2023 após um surto de violência em Darfur, no Sudão. Foto © UNHCRSuzette Fleur Ngontoog.

Refugiados sudaneses chegam ao Chade no início de 2023 após um surto de violência em Darfur, no Sudão. Foto © UNHCR/Suzette Fleur Ngontoog.

 

A praça da Catedral de El-Obeid, no centro do Sudão, está transformada num “campo de batalha” e a casa paroquial adjacente foi destruída. Os combates entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF), que se intensificaram a partir de 15 de abril, fizeram pelo menos 427 mortos e quatro mil feridos nos últimos dez dias e a pequena comunidade cristã no país está aterrorizada, relata a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

“Embora não se trate de um conflito religioso, os cristãos são também vítimas de toda esta violência que alastrou já para algumas das principais cidades do país”, explica a fundação pontifícia no seu sítio online.

“Em El-Obeid estão a ter lugar combates intensos. A praça em frente da catedral tornou-se um campo de batalha porque há um campo das RSF mesmo ao lado”, relata a responsável de projetos da AIS no Sudão, Kinga von Schierstaedt. “Na quinta-feira, dois grandes engenhos explosivos caíram nas instalações da igreja; um partiu as janelas da catedral e o outro destruiu a casa paroquial, adjacente. Graças a Deus, nada aconteceu ao padre, pois já não se encontrava em casa”, acrescenta.

Desde que os combates começaram que Kinga von Schierstaedt tem estado em contacto com alguns dos parceiros da fundação pontifícia em vários pontos do Sudão. “Acabei de receber um telefonema de um parceiro de projeto que está no norte de Cartum [capital do Sudão], perto de um local onde as Forças de Apoio Rápido se encontram encurraladas”, conta. “Durante a chamada, conseguia ouvir o tiroteio como som de fundo. Ele diz que as ruas estão vazias, como numa cidade fantasma: não há carros a circular, não se vê nem se ouve ninguém na vizinhança. Também não podem sair de casa, ou pelo menos já não se atrevem a sair”, partilha.

“A Igreja Católica no Sudão é muito pequena, uma vez que mais de 95% da população é muçulmana. Como não se trata de um conflito ideológico ou religioso, todos os cidadãos são igualmente afetados. Crentes, padres e religiosos não podem sair das suas casas. A missa de domingo foi suspensa e os padres já não podem celebrar a missa diária na igreja. Nas zonas de crise, a vida de fé continua apenas nas casas das pessoas”, explica ainda a responsável de projetos da Fundação AIS.

Este ambiente de autêntica guerra civil parece ter apanhado grande parte das pessoas de surpresa. “Como ninguém estava preparado, não se tinham abastecido de alimentos; e mesmo que o tivessem feito, isso não os teria ajudado por muito tempo, porque a rede elétrica não está a funcionar e, por isso, o frigorífico só funciona quando utilizam o gerador durante algum tempo, usando o seu pequeno fornecimento de gasóleo”, diz ainda Kinga Schierstaedt. “Pior que o problema dos alimentos, porém, é a falta de água. Como já não há água corrente, tiveram de bombear água de um poço que só existe para irrigar o jardim e cuja água tem de ser fervida. Durante o dia, a temperatura pode chegar aos 40°C à sombra”, refere.

 

ONU exige fim imediato da violência

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa na reunião do Conselho de Segurança, a 24 de abril de 2023. Foto © UN PhotoEskinder Debebe

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa na reunião do Conselho de Segurança, a 25 de abril de 2023. Foto © UN Photo/Eskinder Debebe.

 

O conflito no Sudão foi o tema da reunião no Conselho de Segurança da ONU esta terça-feira, 25, na qual participou o secretário-geral, António Guterres, que exigiu o fim imediato da violência. Na sua intervenção, o líder das Nações Unidas disse que as notícias que chegam de Cartum traçam um quadro arrasador: “as pessoas estão presas sem poder sair de casa, aterrorizadas e com pouca comida, remédios e combustíveis. As instalações de saúde estão perto de desabar. E segundo a Organização Mundial da Saúde, vários hospitais estão a ser usados por grupos armados”.

Guterres assinalou ainda que “dezenas de milhares de sudaneses começaram a fugir para os países vizinhos”. A maioria dos que deixam tudo para trás é oriunda dos estados do Nilo Azul e de Kordofan do Norte, além das regiões na província de Darfur. As Nações Unidas informaram que muitos refugiados estão a chegar ao Chade, Egito e Sudão do Sul.

O enviado especial da ONU ao Sudão, Volker Perthes, que participou na reunião por videoconferência, acrescentou que algumas casas de sudaneses, de trabalhadores da ONU e de diplomatas foram atacadas e saqueadas, havendo relatos de casos de violência sexual contra mulheres.

Para António Guterres, o conflito entre o general Abdel Fattah al-Burhan (presidente do país) e o general Mohamed Hamdan Dagalo “Hemedti” (vice-presidente) “não pode e não deve ser resolvido no campo de batalha à custa dos corpos de crianças, mulheres e homens do Sudão”, tendo pedido a ambas as partes que cessem os ataques e respeitem o cessar-fogo de 72 horas que foi negociado pelos Estados Unidos.

No passado fim de semana, e depois de quatro trabalhadores da ONU terem sido mortos, a organização reconfigurou a sua presença no país, deslocando vários funcionários para outras nações. Volker Perthes permanece em Cartum e está a ser criado um centro das Nações Unidas no Porto Sudão para continuar o trabalho de apoio à população.

 

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