
Ruas vazias em Rangun, Myanmar, durante o Festival da Água, 13 de abril de 2023. O Festival da Água, considerado o mais importante de Myanmar, é habitualmente uma celebração alegre que junta pessoas de todas as religiões à maioria budista. Foto obtida via Twitter de @TostevinM.
Apesar de estar a decorrer o Festival da Água de Thingyan, que até dia 16 de abril assinala o Ano Novo birmanês, as ruas permanecem desertas em algumas das principais cidades de Myanmar. Com o incentivo de grupos cristãos no país, esta é uma forma de protesto contra os recentes ataques aéreos da junta militar no poder, que terão provocado pelo menos 168 mortos.
O Festival da Água, considerado o mais importante de Myanmar, é habitualmente uma celebração alegre que junta pessoas de todas as religiões à maioria budista do país. Mas os Católicos Independentes pela Justiça em Myanmar, um grupo composto por padres, religiosos e leigos, instaram a população a observar uma “greve”, ficando em casa, noticia a UCA News.
O ministro da cooperação internacional no gabinete do paralelo Governo de Unidade Nacional (GUN), no exílio, conhecido como Dr. Sasa e assumidamente cristão, afirmou por seu lado: “Rezo para que este ano seja o último ano de celebração do Festival da Água sob o ditador.”
Em comunicado divulgado esta quinta-feira, 13 de abril, o representante do GUN (que se declara autoridade legítima do país) instou as pessoas a “marcharem juntas em direção ao objetivo de uma união federal com unidade”.
Enquanto isso, o GUN divulgou um relatório que indica que o número de mortos no ataque aéreo perpetrado pela junta militar na região de Sagaing, no passado dia 11, aumentou para 168, incluindo 35 crianças e 27 mulheres.
A junta militar no poder reconheceu na quarta-feira que tinha levado a cabo os ataques aéreos, insistindo que estava a visar opositores armados, que descreveu como “terroristas”. Os ataques foram realizados durante a inauguração de um escritório administrativo ligado ao GUN.
A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia (UE) e a ONU, condenou o ataque a Sagaing, um dos piores massacres desde o golpe militar que depôs a líder eleita Aung San Sii Kyi, em fevereiro de 2021.
Ao todo, mais de 3.200 pessoas foram mortas e cerca de 21 mil estão detidas desde o golpe, de acordo com uma organização local de defesa dos direitos humanos.










