
“Condenamos em uníssono a opressão sistemática das mulheres e a violação generalizada dos direitos humanos no Irão”, afirmam as comunidades cristãs em comunicado. Foto: Direitos reservados.
Os cristãos iranianos juntaram-se aos protestos na sequência da morte de Mahsa Amini, a jovem de 22 anos detida e torturada pela polícia dos costumes iraniana por “usar roupas inadequadas”. Numa declaração assinada por diversas entidades cristãs, anunciam que “se unem à batalha pela verdade e pela justiça em relação à morte de Mahsa Amini”, a quem foi retirada a vida “apenas porque pensava diferente”.
“Condenamos em uníssono a opressão sistemática das mulheres e a violação generalizada dos direitos humanos no Irão. Em simultâneo, exigimos liberdade, justiça e igualdade de direitos para todos os iranianos”, pode ler-se na mensagem, citada no site da revista Vida Nueva.
Aplaudindo “a valentia sem precedentes” dos manifestantes, que arriscam a vida para lutar contra a obrigação de usar véu, o que na sua opinião é “uma clara violação dos direitos humanos”, os cristãos iranianos pedem que “esta e outras normas discriminatórias” sejam abolidas.
“Estamos todos unidos, sem distinção de etnia, religião, idioma ou credo, nesta luta contra a dor partilhada da injustiça, opressão e ditadura religiosa”, sublinham.
As comunidades cristãs (que incluem o Conselho das Igrejas Iranianas Unidas, a Article 18 e o Centro Teológico Pars) terminam a mensagem pedido a “todos os irmãos cristãos” que estejam “ao lado dos sem voz e dos oprimidos, defendendo os seus direitos, como ensina a Bíblia e o próprio Jesus Cristo com a sua vida”.
A Organização das Nações Unidas (ONU) também já manifestou a sua “preocupação” com a deterioração da situação no Irão, temendo que o regime do aiatola Ali al-Sistani aumente a repressão contra aqueles que, há já duas semanas, saem às ruas para protestar.
As Nações Unidas reagiram igualmente contra as pesadas restrições impostas pelo Irão no acesso à Internet e aos cortes das redes móveis durante os períodos da tarde e da noite, quando os protestos têm ocorrido. Já o serviço através das redes fixas está muito lento, tornando o funcionamento quase impossível. Aplicações e redes sociais como o WhatsApp e o Instagram, entre as poucas permitidos no Irão, foram bloqueadas, juntando-se assim ao Facebook e ao Twitter, que nunca estão acessíveis no país, embora os utilizadores consigam aceder através de ‘VPN’ (serviço de conexão de rede protegida), que também estão a falhar.
“Se eles são muçulmanos, que Deus me faça infiel!

Na partida da passada terça-feira, os jogadores iranianos cantaram o hino com casacos pretos vestidos, em protesto com a ação policial e em homenagem a Mahsa Amini.
Num jogo particular de preparação para o Mundial 2022, realizado no Qatar na passada terça-feira, os jogadores iranianos cantaram o hino com casacos pretos vestidos, em protesto com a ação policial e em homenagem a Mahsa Amini.
Antes da partida, ainda no domingo, o desagrado dos jogadores iranianos foi personalizado por Sardar Azmoun, avançado do Bayer Leverkusen que é uma das principais figuras da equipa de Carlos Queiroz. “Se eles são muçulmanos, que Deus me faça infiel! Estamos proibidos de falar até ao final do estágio mas não podia mais ficar em silêncio! O pior que me pode acontecer é ser expulso da seleção nacional. Sem problema. Sacrifico isso por um fio de cabelo nas cabeças das mulheres iranianas”, escreveu Azmoun no Instagram, tendo o post acabado por eser eliminado e substituído por outro, menos direto e agressivo, com uma fotografia da seleção feminina de voleibol do Irão.
De acordo com a agência de notícias iraniana Fars, “cerca de 60” pessoas morreram desde o início dos protestos, enquanto a organização não governamental Iran Human Rights, com sede na Noruega, contabiliza pelo menos 76 mortos, depois de ter tido acesso a vídeos e certidões de óbito que confirmam que estão a ser disparadas munições reais contra os manifestantes. O Comité para a Proteção dos Jornalistas refere que houve pelo menos 1.200 detenções, entre os quais 120 terão sido de jornalistas.










