Marco histórico em França

Cristãos, judeus e muçulmanos unidos contra os abusos sexuais

| 21 Set 2023

Mulher pede para parar, Foto Anete Lusina de Pexels

Um estudo apresentado no encontro de líderes religiosos franceses mostrou que as mulheres com vinculação religiosa estão mais expostas à violência doméstica do que outras. Foto © Anete Lusina / Pexels.

 

A Conferência dos Responsáveis de Culto em França, constituída pelos líderes das principais religiões representadas no país, esteve reunida esta semana para debater em conjunto, pela primeira vez, o drama dos abusos sexuais no contexto das várias instituições religiosas, e refletir sobre as estratégias para combatê-lo.

“Trata-se de uma grande novidade. Todas as denominações religiosas reconhecem que estão preocupadas com este flagelo e concordaram em refletir em conjunto”, disse Valérie Duval-Poujol, vice-presidente da Federação Protestante de França e uma das organizadoras da iniciativa, em declarações ao jornal francês La Croix.

Duval-Poujorl considera que este caminho foi iniciado pela Comissão Independente sobre os Abusos Sexuais na Igreja em França (CIASE). “O relatório Sauvé é um marco histórico na luta contra a violência sexual”, afirmou a responsável, referindo-se ao relatório de 2021 produzido pela CIASE e pelo seu presidente Jean-Marc Sauvé.

O encontro serviu para fornecer uma visão geral da situação em França no que diz respeito à violência sexual no contexto das diversas confissões religiosas. Um dos estudos apresentados, com base num inquérito realizado já em 2000, mostrou que as mulheres com vinculação religiosa estão mais expostas à violência doméstica do que outras (7,8% das mulheres sem filiação religiosa foram vítimas deste tipo de abuso, número que subiu para 9,1% nas mulheres católicas ou protestantes e para 17% entre as mulheres muçulmanas ou judias).

As religiões, nas suas diversas formas, parecem ser “armas massivas de submissão” face às mulheres, o que pode ser um começo para explicar o “agravante” e a maior violência contra as mulheres de fé, referiu a vice-presidente da Federação Protestante de França.

No final do encontro – que se espera ter sido apenas o primeiro de muitos – houve oportunidade para partilhar e discutir as medidas tomadas até ao momento pelas diversas Igrejas no combate aos abusos sexuais.

 

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