Cristãos marroquinos pedem ao Papa que fale de liberdade religiosa na sua visita ao país

| 18 Mar 19 | Islão, Liberdade religiosa, Newsletter, Papa Francisco, Últimas

Mesquita de Casablanca: os cristãos também querem mais espaço em Marrocos. Foto © danyloz2002/Pixabay

 

Marrocos será o próximo país a receber o Papa Francisco, dias 30 e 31 de março, com um programa que incluirá uma visita ao Rei Mohammed VI, um encontro com o povo marroquino, nas Esplanadas da Mesquita Hassan II, uma reunião com os migrantes na sede da Cáritas e a celebração de uma missa. Antecipando a visita, num comunicado do Comité dos Cristãos Marroquinos, citado pela agência Fides, duas semanas antes da visita, pede-se ao Papa a intervenção da Santa Sé na questão da liberdade religiosa no país.

O comité denuncia, no texto, que as autoridades marroquinas têm um importante papel na perseguição de cristãos já que “prendem e maltratam pessoas por proclamar a sua religião” ou fazer parte de igrejas clandestinas.

Na carta aberta, publicada no jornal Al Massae, dá-se conta de que as pessoas são torturadas, insultadas e vêm os seus documentos de identidade confiscados, por proclamarem o cristianismo em igrejas clandestinas. As autoridades também expulsam centenas de estrangeiros, acusando-os de proselitismo.

Em Marrocos, a população baptizada (maioritariamente evangélica) representa apenas 1,1 por cento, o que perfaz um total de 380 mil entre 33,6 milhões de habitantes, que são na sua maioria muçulmanos. O Comité dos Cristãos Marroquinos tem trabalhado com a Associação Marroquina para os Direitos e a Liberdade Religiosa e com a Associação Marroquina dos Direitos Humanos, que defendem a liberdade religiosa, dão conta de violações da mesma e tentam incluir cristãos, ahmadis, xiitas e ibadis.

Apesar de tudo, o Comité reconhece os esforços que o rei tem feito para tornar Marrocos num país mais tolerante, mesmo que as autoridades continuem a discriminar os cristãos. Entre as iniciativas de Mohammed VI, conta-se a “Conferência sobre Minorias Religiosas em países islâmicos”, organizada em 2016.

Artigos relacionados

Breves

Núncio que era criticado por vários bispos, deixa Lisboa por limite de idade

O Papa Francisco aceitou nesta quinta-feira, 4 de Julho, a renúncia ao cargo do núncio apostólico (representante diplomático) da Santa Sé em Portugal, Rino Passigato, por ter atingido o limite de idade determinado pelo direito canónico, de 75 anos. A sua acção era objecto de críticas de vários bispos, embora não assumidas publicamente.

Arcebispo da Beira lamenta que o Papa só visite Maputo

O arcebispo da Beira (Moçambique) lamenta que o Papa Francisco não visite, em Setembro, a zona directamente atingida pelo ciclone Idai, em Março: “Todos esperávamos que o Papa chegasse pelo menos à Beira. Teria sido um gesto de consolação para as pessoas e uma forma de chamar a atenção para as mudanças climáticas e para esta cidade, que está a tentar reerguer-se”, disse Cláudio Dalla Zuanna.

Boas notícias

É notícia 

Entre margens

“Albino não morre, só desaparece”? E se fôssemos “bons samaritanos”?

A primeira frase do título não é nova, nem em Moçambique, nem fora do país. Lembrei-me dela, quando li/vi que o secretário-geral da ONU, António Guterres visitou Moçambique, em Julho último. Desse périplo, dois eventos prenderam a minha atenção: a sua ida à Beira, para se inteirar das consequências do ciclone Idai, e o seu encontro com pessoas com albinismo, e onde destacou que ninguém pode ser descriminado por causa da sua aparência física.

Refugiados e salgalhada de desinformação

O objetivo deste texto é combater alguns mitos, facilmente derrubáveis, sobre a questão dos refugiados com meia dúzia de dados, de forma a contribuir para uma melhor e mais eficaz discussão sobre o tema. Porque não acredito que devamos perder a esperança de convencer as pessoas com os melhores dados e argumentos.

Cultura e artes

Uma exposição missionária itinerante, porque “parar é retroceder”

Um altar budista do Tibete; uma barquinha em chifres, de Angola; um calendário eterno dos aztecas; crucifixos de África ou da Índia; uma cuia da Amazónia; uma mamã africana e uma Sagrada Família, de Moçambique; uma placa com um excerto do Alcorão; e um nilavilakku , candelabro de mesa indiano – estas são algumas das peças que podem ser vistas até sábado, 19 de Junho, na Igreja de São Domingos, em Lisboa (junto ao Rossio).

Sete Partidas

A Páscoa em Moçambique, um ano antes do ciclone – e como renasce a esperança

Um padre que passou de refugiado a conselheiro geral pode ser a imagem da paixão e morte que atravessou a Beira e que mostra caminhos de Páscoa a abrir-se. Na região de Moçambique destruída há um mês pelo ciclone Idai, a onda de solidariedade está a ultrapassar todas as expectativas e a esperança está a ganhar, outra vez, os corações das populações arrasadas por esta catástrofe.

Visto e Ouvido

Igreja tem política de “tolerância zero” aos abusos sexuais, mas ainda está em “processo de purificação”

D. José Ornelas

Bispo de Setúbal

Agenda

Fale connosco