Cristãos paquistaneses receiam mais insegurança com talibãs no Afeganistão

| 17 Ago 2021

Unama/Freshta Dunia

“Milhares de afegãos correm sério risco de represálias por parte dos talibãs – de académicos e jornalistas a activistas da sociedade civil e mulheres defensoras dos direitos humanos.” Foto: Unama/Freshta Dunia, Nações Unidas

 

O regresso dos talibãs ao poder no Afeganistão irá encorajar os grupos fundamentalistas e extremistas no vizinho Paquistão, o que aumenta os receios de insegurança e miséria para os cristãos no país.

“A tomada de Cabul pelos talibãs tem muitas consequências para a Igreja paquistanesa”, disse o padre camiliano Mushtaq Anjum à UCA News nesta segunda-feira, depois de consumada a conquista do poder, com uma rapidez que surpreendeu os próprios líderes do grupo.

No Paquistão, os extremistas tenderão agora a vingar as derrotas das duas últimas décadas e os cristãos irão sofrer, antevê este responsável.

Opinião diferente tem Bonnie Mendes, antiga secretária executiva da Comissão Nacional dos Bispos Católicos para a Justiça e Paz. “Muitas pessoas aqui pensam que estão a atingir a América quando atingem os cristãos”, diz, mas acrescentando que não antevê diferenças para os cristãos paquistaneses, com a nova situação.

Entretanto, outros activistas dos direitos humanos expressam preocupações com o futuro, depois de um funcionário talibã ter anunciado a intenção de declarar o Emirado Islâmico do Afeganistão a partir do palácio presidencial em Cabul. Esta designação retomaria o nome usado sob domínio talibã até à sua expulsão do poder, em 2001.

O padre Anjum, no entanto, prevê que a intolerância cresça em relação aos não-muçulmanos, incluindo os cristãos. “O fundamentalismo irá aumentar. Eles imporão a sua forma de ver o islão no Paquistão e, como sempre, os cristãos paquistaneses suportarão o fardo de tudo isso.”

De acordo com a mesma fonte, em Karachi, pelo menos 13 pessoas, incluindo seis mulheres e três crianças, foram mortas e várias outras ficaram feridas num ataque com granadas a um mini-camião, quando a nação celebrava o Dia da Independência a 14 de Agosto. A polícia informou que se tratara de uma acto terrorista.

Na mesma altura, uns 15 fiéis foram mortos por pistoleiros na Igreja de São Domingos, em Bahawalpur, 500 quilómetros a sul de Islamabad.

 

Amnistia alerta para risco de represálias

Quem também manifesta sérias preocupações é a Amnistia Internacional (AI), que considera que se deve agir de forma decisiva para evitar mais tragédias. “O que estamos a testemunhar no Afeganistão é uma tragédia que deveria ter sido prevista e evitada e que só se agravará ainda mais se não houver uma acção rápida e decisiva da comunidade internacional”, afirmou Agnes Callamard, secretária-geral da AI, numa declaração enviada ao 7MARGENS.

“Milhares de afegãos correm sério risco de represálias por parte dos talibãs – de académicos e jornalistas a activistas da sociedade civil e mulheres defensoras dos direitos humanos. Estão em perigo de ser abandonados a um futuro profundamente incerto”, diz Callamard.

Enquanto milhares de pessoas tentam, desde sábado e domingo, deixar o país, transformando o aeroporto de Cabul num caos com centenas a querer entrar à força em aviões, a responsável da AI diz que “os governos estrangeiros devem tomar todas as medidas necessárias para assegurar a passagem segura para fora do Afeganistão para todos aqueles que correm o risco de ser visados pelos talibãs”. Isso inclui, acrescenta a secretária-geral, “a concessão de vistos, prestando apoio às evacuações no aeroporto de Cabul, providenciando a recolocação e reassentamento, e a suspensão de todas as deportações e regressos forçados”.

Agnes Callamard instava ainda os EUA a providenciar a segurança contínua no aeroporto enquanto as evacuações estão em curso.

“À medida que o povo do Afeganistão enfrenta uma nova e dura realidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas deve também adoptar uma resolução de emergência apelando aos Talibãs – que agora controlam efectivamente o país – a respeitar o direito internacional e os direitos humanos, proteger os civis e acabar com as represálias e ataques, à medida que prosseguem as negociações sobre as disposições transitórias.”

O comunicado da AI com a declaração da secretária-geral recorda a situação que tem vivido nas últimas horas: milhares de afegãos a tentar fugir do país através do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul; centenas de pessoas a correr pela pista enquanto soldados norte-americanos disparam tiros de aviso no ar; uma multidão a tentar forçar a entrada num avião através de uma escada; e dezenas de pessoas agarradas à fuselagem de aviões que tentam levantar voo.

Todos os voos comerciais estão suspensos e pelo menos cinco pessoas terão sido mortas no aeroporto de Cabul quando centenas de pessoas tentaram entrar à força nos aviões, mas não é claro se as vítimas foram mortas por tiros ou numa debandada. As tropas dos EUA controlavam ainda o aeroporto nesta segunda-feira e supervisionavam os esforços em curso para evacuar cidadãos estrangeiros.

 

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