Crónica

Alma de pobres (I)

Alma de pobres (I)

Reli neste Verão a novela – e voltei a ver o filme – As Sandálias do Pescador, de Morris West. Farei mais referência ao filme, porque muitas mais pessoas viram o filme e nem tantas leram o livro. Continua a surpreender-me a actualidade do seu argumento e as semelhanças com o momento que estamos a viver no mundo.

O futuro por (re)fazer

O futuro por (re)fazer

“Sabes, provocamos muito a terra.” E é verdade! Isso fez-me recordar do poema que se encontra em epígrafe: a terra anseia pelo nosso carinho, pelo nosso cuidado; entretanto, pouco parámos para agir sobre isso. E estamos todos doentes, nós e a terra.

Cristãos fora da Igreja

[Olhar de teóloga]

Cristãos fora da Igreja

Há já mais cristãos fora do que dentro da Igreja? Poderá haver alguém que acredite sem saber que acredita? O título de um jornal poderá ajudar algumas pessoas a descobrirem a sua fé incipiente? São perguntas que convinha que fizéssemos, pois as respostas às perguntas anteriores são: Sim, sim e sim.

O que sabemos dos nossos refugiados?

[Nas margens da filosofia]

O que sabemos dos nossos refugiados?

Assistimos de novo àquilo que pensávamos nunca mais voltar a acontecer na Europa depois das duas últimas grandes guerras – a fuga massiva de migrantes obrigados a sair do seu país para se manterem vivos. E trata-se de gente que até há poucos meses vivia bem, em cidades cuidadas e bonitas, com jardins, monumentos, escolas e igrejas maravilhosas, num ambiente pacífico que os seus habitantes nunca sonhariam ter de abandonar.

Um só rebanho com diversidade

[Olhar de teóloga]

Um só rebanho com diversidade

Nunca escondi, nem esconderei, a minha relação com comunidades de diversidade sexual que acompanho na medida em que elas querem, onde tenho amigos com quem partilho alegrias, sonhos, esperanças, frustrações, tristezas, e fé em Deus e num cristianismo inclusivo que leve a Igreja a sê-lo também.

O que Deus uniu…

[Olhar de teóloga]

O que Deus uniu…

O que Deus uniu… Como podemos permitir que esta frase seja usada quase exclusivamente no ritual do casamento? Deus nos une em tudo porque nos une na vida e para a vida. Estar unidos por e em Deus significa que temos uma origem comum que é o seu amor em criar-nos; significa também que temos um destino comum.

Notícia que não devia ser notícia

[Segunda leitura]

Notícia que não devia ser notícia

“Quero que as pessoas conheçam o meu ‘eu’ real”, desabafou. O que pressupõe que, se não dissesse nada, o seu ‘eu’ real continuaria desconhecido. Porquê? Porque, não dizendo nada, as pessoas continuariam a pensar (como à partida pensam de todos os homens de todo o mundo…) que ele era heterossexual. Tão simples como isso. E tão problemático como isso, claro.”

A missão de uns e de outros

[Debate 7M: A Igreja e os média-14]

A missão de uns e de outros

Há uma questão fundamental que, por vezes, me parece estranhamente esquecida ou pouco considerada, quando se fala na relação entre a Igreja e os média. Uma pergunta que a um olhar mais atento se torna evidente, mas que na voracidade do quotidiano aparenta escapar: Qual é a função do jornalista? Que missão tem? Faz perguntas porquê e para quê?

Faz-se caminho andando… e, devagarinho, a Igreja está a andar

[Debate 7M: A Igreja e os média-13]

Faz-se caminho andando… e, devagarinho, a Igreja está a andar

Há dias pediram-me que falasse sobre jornalismo e a importância do trabalho em conjunto de Igreja e comunicação social, com alguns seminaristas que se preparam para a ordenação. Repito aqui o que lhes disse lá, não como jornalista, mas como crente: a comunicação social é um tremendo veículo de evangelização do povo, em especial daquele que se encontra mais afastado da comunidade.

Uma Igreja mais colaboradora será mais eficaz

[Debate 7M: A Igreja e os média-12]

Uma Igreja mais colaboradora será mais eficaz

Como jornalistas, constantemente procuramos respostas. A Igreja Católica fala de abertura, mas a sua intenção termina muitas vezes nos documentos oficiais, isto é, na abordagem teórica ao assunto. Dificilmente ouvimos explicações diretas, os telefonemas não são atendidos, os emails ficam por responder. Questiono: se nada existe para esconder, porque no concreto se reduzem a tamanho silêncio?

Para acabar com o mutismo de sempre

[Debate 7M: A Igreja e os média-10]

Para acabar com o mutismo de sempre

Feita esta mudança a partir de dentro, abandonada a pose de detentora exclusiva da razão, a relação com a comunicação social, e com a sociedade, tornar-se-á automaticamente mais fluída e eventualmente menos tensa. Mesmo que do pecado de ter sido a última a querer saber a verdade a Igreja portuguesa já não se livre.

Autonomia, protagonismo e concorrência

[Debate 7M: A Igreja e os média–7]

Autonomia, protagonismo e concorrência

É evidente que nem sempre a relação entre a hierarquia católica e os jornalistas leva em consideração o papel fundamental que estes profissionais desempenham no atual contexto de desinformação em massa. Isso não invalida que se reconheça uma melhoria na forma de projetar a comunicação, com maior profissionalismo nas estruturas católicas, apesar da sistemática dispersão de recursos e ausência de sinergias significativas.

Os jacarandás já estão em flor

[Nas margens da filosofia – XLV]

Os jacarandás já estão em flor

Nos noticiários que diariamente nos informam da guerra não vemos campos de trigo nem flores – vemos feridos, famílias destroçadas, crianças e adolescentes que viajam sozinhos. Um dos meus netos que foi à Ucrânia buscar refugiados levou-os à praia, quando chegaram a Portugal. Vou sugerir que os leve a ver os jacarandás em flor pois, como diz o poeta (que traduzo livremente), “tudo quanto é belo é uma fonte perene de alegria.”

Igreja e comunicação social – aliados na busca da verdade

[Debate 7M: A Igreja e os média–5]

Igreja e comunicação social – aliados na busca da verdade

Poucos casos servem melhor para medir a relação entre a Igreja e os media do que a crise global de abusos sexuais praticados sobre menores por elementos do clero. Esta crise é a maior que a Igreja Católica tem enfrentado nas últimas décadas, e embora haja sinais de que a situação está bastante melhor agora, pelo menos no mundo ocidental, podemos ter a certeza de que irá continuar a gerar manchetes e polémica durante muito tempo ainda.

Saber falar com os média

[Debate 7M: A Igreja e os média–4]

Saber falar com os média

Há muitos, muitos anos, quando comecei a ser jornalista, não havia on-line, nem computadores, nem telemóveis, nem redes sociais. Não havia nada disso. Mas havia, em cada redacção dos grandes meios de comunicação social, um especialista em Igreja. Eram normalmente homens e sempre jornalistas seniores.

“A grande substituição”

[Os dias da semana]

“A grande substituição”

Outras teorias da conspiração não têm um balanço igualmente inócuo para apresentar. Uma delas defende que estamos perante uma “grande substituição”; não ornitológica, mas humana. No Ocidente, sustentam, a raça branca, cristã, está a ser substituída por asiáticos, hispânicos, negros ou muçulmanos e judeus. A ideia é velha.

Comunicar, o verbo que urge conjugar

[Debate 7M: A Igreja e os Média–3]

Comunicar, o verbo que urge conjugar

É urgente (sim, é esta a palavra certa) que a Igreja – a sua hierarquia, os seus múltiplos departamentos – entenda que, para manter a sua respeitabilidade não pode furtar-se ao escrutínio da comunicação social, não pode fechar-se na sua concha. Tem de comunicar, comunicar com todos, esclarecer sempre que questionada, com a rapidez e a linguagem dos tempos que correm.

Igreja precisa mais dos média do que o contrário

[Debate 7M: A Igreja e os média-1]

Igreja precisa mais dos média do que o contrário

Quando se pergunta se em Portugal a relação da Igreja com os média e os jornalistas é boa, uma resposta simplista é sempre uma má resposta, principalmente porque estamos a falar de uma instituição, a Igreja Católica, que por si só é uma multiplicidade de realidades. Para ser honesto, prefiro responder que não há uma resposta, mas muitas respostas, tantas quanto as instituições ou os serviços que constituem a Igreja portuguesa.

… E de novo tostões e milhões!

[Segunda Leitura]

… E de novo tostões e milhões!

Para o sr. Berardo, pelos vistos, um milhão de euros deve ser uma ninharia. Porque ele deve cerca de 900 milhões. Ou seja: gente como nós precisava de viver novecentas vidas para acumular esse montão de notas. E como é que alguém, no espaço de meia dúzia de anos, consegue ficar a dever 900 milhões de euros?… Como?…

“Os pássaros não são reais”

[Os Dias da Semana]

“Os pássaros não são reais”

Uma entrevista concedida por um ex-agente da CIA, Eugene Price, tornaria credível uma acusação que, desde 2017, tinha vindo a ser amplamente difundida nos Estados Unidos da América por um movimento intitulado Birds Aren’t Real. Eugene Price corrobora que a CIA dizimou os pássaros do país, substituindo-os por imitações tecnológicas, drones emplumados cumprindo uma função de vigilância.

A calar ao telemóvel

[Segunda leitura]

A calar ao telemóvel

A ironia disto é que um aparelho que foi feito para a gente falar serve agora, e cada vez mais, para a gente calar. Estamos à mesa com alguém, a conversa não sai ou não nos apetece que saia, ficarmos a olhar uns para os outros em silêncio é pouco agradável, e… puxamos do telemóvel. Pronto, já ficamos confortavelmente calados. Lemos notícias, vemos fotos, espreitamos vídeos, consultamos o Facebook ou o Instagram, lemos ou mandamos mensagens escritas, e por ali vamos estando, todos e cada um com o seu aparelhinho nas mãos e nos olhos, bem caladinhos, até que… chegou a comida! Vamos lá, duas de conversa rápida, que a comer não dá tanto jeito andar às voltas com o telemóvel (embora haja quem consiga!) e já voltamos ali. Já voltamos, não a falar, mas a calar ao telemóvel. Ele, afinal, não nos põe à conversa. Ele, afinal, põe-nos calados. 

A Ressurreição e as abelhas

[Olhar de teóloga]

A Ressurreição e as abelhas

Diz-se que no dia em que as abelhas se extinguirem, a vida deixará de existir porque, sem polinização, a vida vegetal não poderá subsistir e será desencadeado um processo de desaparecimento. Segundo os peritos, são insectos sociais hierarquicamente organizados que comunicam por meio de uma dança ritual.

O grande inquisidor

[Olhar de teóloga]

O grande inquisidor

  A lenda de 'O Grande Inquisidor', de F. Dostoievski, está inserida na sua grande obra Os Irmãos Karamazov, e é uma parábola que alude à fé e ao ateísmo, que sempre andaram de mãos dadas neste magnífico autor. O texto narra o aparecimento de Jesus Cristo no...

Meditação sobre o Papa Francisco

Meditação sobre o Papa Francisco

Na sequência das eleições legislativas de Janeiro, o 7MARGENS pediu a alguns cristãos empenhados na ação política ou com reflexão sobre o tema que explicassem as razões do seu compromisso. Publicamos agora um texto de Adriano Moreira, professor universitário jubilado e antigo líder do CDS. O texto corresponde a uma intervenção feita em 2018 mas que o autor considera uma síntese do seu pensamento nesta área.

Quando a violência nos bate à porta

[Nas margens da filosofia]

Quando a violência nos bate à porta

Quando falamos de violência imediatamente a identificamos com o abuso de força ou de poder sobre algo ou alguém, ou seja, pensamos num agressor e num agredido despojado dos seus direitos e que, enquanto tal, fica reduzido à condição de vítima. Etimologicamente ligamos este termo à sua raiz latina que é a “vis”, ou seja, a força ou vigor e é quase consensual defini-lo como um uso ilegítimo dessa força.

Os pobres no campo de batalha

[Os dias de Cabo Delgado]

Os pobres no campo de batalha

Ninguém o diz, mas a pobreza é a primeira causa de morte no mundo. Nada se alcança com a guerra, apenas destruição e morte, primeiro dos mais pobres. Não sei se a Ucrânia está só como Moçambique quando aqui começou a guerra, mas sei que Deus está aqui, nos pobres, que continuam a morrer nesta guerra silenciosa.

Ubuntu: ser, construir e cuidar a Humanidade, na pressa em que vivemos

[Moçambique, margem Sul]

Ubuntu: ser, construir e cuidar a Humanidade, na pressa em que vivemos

Sinto, cada vez mais, necessidade de dialogar com filósofos, a fim de que me ensinem o equilíbrio necessário para prosseguir como humana. Tenho-me preocupado em como criar e viver Ubuntu, termo que caracteriza uma filosofia de vida africana, a partir da qual se preconiza apoio mútuo entre seres humanos. A filosofia vive da defesa do bem-estar mútuo, no qual se defende “eu sou, porque tu és”, ou seja, só estarei bem se o outro estiver, daí que o apoio mútuo seja sempre premente.

Idoso, mas não idiota

[Os dias da semana]

Idoso, mas não idiota

  É muito provável que Carlos San Juan de Laorden seja hoje o urologista mais conhecido de Espanha, ainda que não tenha sido a prática da medicina a conferir-lhe tamanha e tão fatigante notoriedade. Disse ele que estava cansado por, desde há semanas, ter de...

Memórias divertidas de uma escola do antigamente

[Nas margens da filosofia]

Memórias divertidas de uma escola do antigamente

Comecei a minha carreira de professora a ensinar na mesma escola que frequentei e que nessa altura se chamava liceu[1]. Continuo a morar no bairro dessa escola. O nome da mesma está escrito no passeio, em letras azuis que se destacam no empedrado branco. No seu exterior o edifício mantém-se igual e embora nele não entre há muitos anos presumo que no interior haja poucas alterações.

Milhares, milhões, biliões…

[Segunda leitura]

Milhares, milhões, biliões…

Estou preocupado com a Pfizer. Mesmo. Então não é que, no último trimestre de 2021, essa big pharma teve receitas de ‘apenas’ 23,8 mil milhões de dólares, quando as previsões dos analistas financeiros estavam a apontar para receitas de 24,1 mil milhões de dólares?!… Então isto faz-se?!…

As crónicas de Cristina Inogés Sanz no 7M: Um olhar de teóloga

As crónicas de Cristina Inogés Sanz no 7M: Um olhar de teóloga

O 7MARGENS inicia, com esta crónica, um espaço de colaboração regular de Cristina Inogés Sanz, teóloga espanhola que integra a comissão metodológica do Sínodo dos Bispos católicos. Teóloga pela Faculdade de Teologia Protestante de Madrid, Cristina Inogés colaborou já com a Faculdade de Teologia de Gotinga (Gottingen), Alemanha e actualmente é colaboradora regular de várias publicações, entre as quais a Vida Nueva.

Lembrar as vítimas do nazismo

Holocausto

Lembrar as vítimas do nazismo

27 de janeiro, a data em que o Exército Vermelho libertou Auschwitz, tornou-se o dia internacional em memória das vítimas do nazismo. Hoje quero lembrar Karl Stojka, e o seu aviso: “Não foi Hitler, nem Göring, nem Goebels, nem Himmler, nem nenhum desses quem me arrastou e espancou. Não. Foi o sapateiro, o vizinho, o leiteiro.”

Os ultracrepidários

[Os dias da semana]

Os ultracrepidários

O ultracrepidarianismo é um termo recente que designa um hábito antigo. Foi agora eleita na Bélgica como a palavra do ano de 2021 para assinalar a extraordinária generalização da prática de emitir juízos sobre assuntos que se desconhecem.

À cata de boas notícias

[Segunda leitura]

À cata de boas notícias

Não é fácil dar de caras com boas notícias, elas não abundam mesmo – pelo menos, nas nossas televisões, nos nossos jornais, nos sítios da net que frequentamos. Às vezes, no entanto, uma salta-nos aos olhos a partir do ecrã.

Uma palavra do ano

[Os dias da semana]

Uma palavra do ano

  Escolher a palavra em que melhor se pode encaixar um ano é uma prática comum em diversos países. Em Portugal, tem sido a Porto Editora a dinamizar esse exercício, que possibilitou que, até sexta-feira, 31, se pudesse seleccionar uma de entre dez palavras para...

A tralha natalícia

[Os dias da semana]

A tralha natalícia

No período do advento natalício, o frenesi consumista nota-se mais. O dinheiro esbanjado em coisas desnecessárias é mais ostensivo. Em vez de ser uma festa que aponta para a alegria e a liberdade, o Natal parece homenagear a tristeza de uma insaciabilidade cumulada de tralha.

Um livro da rua e do 7Margens

Crónicas de Ana Sofia Brito

Um livro da rua e do 7Margens

É um livro que começou no primeiro confinamento ditado pela pandemia, em Março de 2020. Ana Sofia Brito aproveitou os dias sem sair de casa para vasculhar todos os seus cadernos e papéis. Rasgou muito do que lhe entulhava as gavetas, mas também aproveitou muito – nas suas palavras, o que achava decente. O convite para escrever para o 7MARGENS e o encorajamento aí recebido levaram à ideia de um livro.

homens que são como a negação das estratégias

[D, de Daniel]

homens que são como a negação das estratégias

Gostava de poder perguntar ao Daniel o lado pelo qual ler este verso. Ouço-lhe o timbre da voz ao escrever esta frase. Perguntava-lhe se era a negação das estratégias que liberta os homens e os cola ao ritmo mineral e vegetal que há nas coisas, ou se era a negação das estratégias que fazem as coisas funcionar.

Não nos siga nas redes sociais

[Os Dias da Semana]

Não nos siga nas redes sociais

As redes sociais oferecerão vantagens que alguns terão competências para aproveitar, mas, hoje, é impossível desconhecer os seus abundantes inconvenientes, congénitos, há quem garanta. As vozes dos que têm denunciado que o modelo de negócio das redes sociais – a sua razão de ser, portanto – assenta na rendibilidade dos seus efeitos mais nefastos têm sido assaz audíveis. Muitos dos que se manifestam contra elas conhecem-nas internamente, por nelas terem desempenhado funções de relevo. Sabem, pois, muito bem do que falam. Entretanto, os que julgam que as desvantagens das redes sociais suplantam os benefícios têm-se multiplicado. Por essa razão, abandonam-nas, mesmo que daí resulte algum prejuízo. Não algum, mas imenso, foi o que a Lush, uma famosa marca de produtos de cosmética britânica com 400 lojas próprias em todo o mundo, teve ao encerrar milhares de contas do Facebook, Instagram, Snapchat e TikTok.

Um murro no estômago

[Segunda leitura]

Um murro no estômago

Não é muito difícil apanhar um murro no estômago, basta a gente pôr-se a jeito, e pôr-se a jeito pode ser abrir os olhos para as páginas de um jornal e ler um daqueles trabalhos que nos deixam a cara à banda, um aperto na garganta, um incómodo pelo corpo todo, um… um… um murro no estômago! Por exemplo: “Há crianças a trabalhar para nós neste preciso momento. Em toda a parte. Exatamente 160 milhões, segundo os dados oficiais. Os extraoficiais desconhecem-se”.

Tardes de Novembro

[Os dias da semana]

Tardes de Novembro

  Numa tarde de Novembro, um professor universitário aposentado lê e redescobre algo que, aliás, não ignorava. O que agora apreende de um modo novo é o que muitos desconhecem; compreende que o “movimento das pessoas através dos continentes já dura há milhares de...

Prrriiiuuu!… Cartão branco!

[Segunda leitura]

Prrriiiuuu!… Cartão branco!

Li esta história no jornal O Minho e também na página de Facebook do SC Vianense. Gostei muito, até porque não conhecia a coisa, nunca tinha ouvido falar do tal cartão branco, nunca o tinha visto em qualquer competição desportiva. E fui à procura de mais.

Tempo de sobriedade

[Os dias da semana]

Tempo de sobriedade

Suspensa no ano passado devido à crise mundial de saúde pública, a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) decorre até 12 de Novembro no Reino Unido. Os media têm concedido à iniciativa uma significativa e justificada atenção e o jornal digital francês Mediapart teve a boa ideia de lançar na quarta-feira, 27 de Outubro, uma newsletter quinzenal sobre ecologia, destacando uma pergunta assaz relevante: “Por onde anda a sobriedade?”

Morrer de “selfie”

[Segunda leitura]

Morrer de “selfie”

Anda imensa gente a morrer só por arriscar demais nessa atividade (que devia ser) lúdica a que chamamos (sem grande possibilidade de tradução) “tirar selfies”. Imensa gente mesmo. Lá voltamos à notícia: o estudo ali citado revela que, entre janeiro de 2008 e julho de 2021, morreram no mundo, no contexto de “tirar selfies”, pelo menos 379 pessoas. Trezentas e setenta e nove pessoas. Dá, em média, uma morte cada 13 dias.

há uma voz que bebo

[D, de Daniel]

há uma voz que bebo

Viajo para uma voz que escorre como um lado aberto, uma boca como uma abertura de lança, quer dizer, lugar directo ao coração, degrau onde ajoelhamos por ter chegado à nascente. Sou de um sítio em que a água era de colher: “Vai colher água à fraga”, foi um dos mandamentos aprendidos na infância. E eu fazia como vira fazer: a fraga era uma pedra grande mas humilde diante da qual o corpo se movia à oração.

Dá-me um abraço…

[Segunda leitura]

Dá-me um abraço…

Aqui há dias fui a um concerto. Um concerto mesmo, ao vivo, numa igreja, com um grande coro e alguns instrumentos, e mais um órgão, tudo uma maravilha. E as saudades que eu já tinha, as saudades que a gente tem, de ir a concertos assim, não só quando o rei faz anos, mas muito, tipo quase todas as semanas, e estarmos ali, todos juntos, perto uns dos outros, a ouvir e a sentir ao mesmo tempo, um pulsar cá do fundo tão bom…

Gente fina é outra coisa

[Segunda leitura]

Gente fina é outra coisa

João Rendeiro é um homem fino. Muito fino mesmo. Um finório de todo o tamanho. “Fino como um rato”, como se diz na minha terra. Vê-se no fugir (perdão: no ausentar-se…), vê-se no enganar, vê-se no mentir, vê-se no enriquecer, vê-se no gozar com a nossa cara e com a cara da justiça. Ai vê-se, vê-se. Mas agora ao longe, muito ao longe…

Crescimento ou Decrescimento, eis a questão

[Mãos à obra]

Crescimento ou Decrescimento, eis a questão

O conceito de desenvolvimento sustentável tem duas interpretações: para os intelectuais humanistas é um desenvolvimento que respeita o ambiente, de forma abstrata, sem contabilizar desenvolvimento ou impacte ambiental, mas pode levar a questionar o modelo económico e até o modo de vida actuais; para os industriais, políticos e economistas entende-se como um desenvolvimento que possa ser eterno.

A votar, a votar!

[Segunda leitura]

A votar, a votar!

“Começa hoje a campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 26 de setembro”. Juro que ouvi isto na passada terça-feira, dia 14 de setembro. Assim mesmo, sem tirar nem pôr, na abertura de um noticiário na rádio: “Começa hoje a campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 26 de setembro”. Juro.

A minha vida por uma medalha?

[Segunda leitura]

A minha vida por uma medalha?

Isto dos Jogos Olímpicos anda a dar-me que pensar. A coisa começou quando me pus a olhar para os corpos dos nadadores e das nadadoras. Viram? Aquilo são uns troncos (da cinta para cima, digo) tão desenvolvidos que mais parecem o que na gíria chamamos “grandes armários”. Ou “guarda-vestidos”.

Derrota no estádio, pancada em casa

[Os Dias da Semana]

Derrota no estádio, pancada em casa

A condescendência perante o machismo ou, pelo menos, perante as suas manifestações mais degradantes – dir-se-ia – acabou. Mas continua a haver demasiadas notícias que revelam existir ainda uma injustificada complacência perante a agressividade contra as mulheres e também contra os que, de algum modo, são mais vulneráveis.

“Mãe, pai, tirei um 20!”

[Segunda leitura]

“Mãe, pai, tirei um 20!”

Há um colégio no Porto que é barra no ensino da Educação Física. Sabia-se já há tempos e recordou-se por estes dias, pelas notícias. Há dois anos, nenhum dos alunos do 10º ano desse colégio teve menos de 18 valores a Educação Física. Grandes ginastas… Mas ainda os houve mais grandes, por assim dizer: metade desses alunos concluiu a disciplina com nada menos que 20 valores

E tudo a pandemia abalou…

E tudo a pandemia abalou…

A covid veio de mansinho e faz-nos lembrar aquelas noites que nunca mais acabam. O Papa Francisco, o lutador número um contra a pandemia e seus efeitos perversos, tem repetido à saciedade que de uma pandemia ninguém sai igual: ou saímos melhores ou saímos piores. E, quer queiramos quer não, a bola está do nosso lado!

A outra “Brigada do Reumático”

[Segunda leitura]

A outra “Brigada do Reumático”

E quem é, e o que faz, o Xico Santo Amaro? Ele é um dos elementos da “Brigada do Reumático”. Isso mesmo, “Brigada do Reumático”. Mas não aquela, a outra, a dos generais caquéticos que, em vésperas do 25 de Abril de 1974, se calhar já cheirando o esturro que por aí vinha, decidiram ir prestar homenagem à ditadura e a Marcelo Caetano, decerto por serviços prestados.

Os milagres na rádio

[Segunda leitura]

Os milagres na rádio

Gosto tanto de ouvir os “discos pedidos”. As conversas entre quem está ao microfone e quem liga, as dedicatórias, os desabafos, percebe-se tão bem como a rádio é a companhia insubstituível que preenche umas horas solitárias em cada dia. E como se não bastasse, pelo meio há remédio milagroso. Sim, milagroso até dizer chega. É, chamemos-lhe assim para disfarçar, a ‘XPTOLA+’. E que é que faz a ‘XPTOLA+’? Há que ouvir…

Isto não é gozar com quem…?

[Segunda Leitura]

Isto não é gozar com quem…?

Ler jornais é saber mais. Vamos, então, a alguma leitura. Esta notícia, por exemplo: “Relação diz que pontapés e palmadas não são violência doméstica” (JN, 28/5/2021). O caso diz respeito a um homem que foi condenado, em primeira instância, a ano e meio de prisão e ao pagamento de uma indemnização de mil euros, por ter sido o autor destes atos de violência para com a sua companheira.

Fugir das redes sociais

Os dias da semana

Fugir das redes sociais

Leïla Slimani tem “a impressão de que vivemos no mito da caverna de Platão e acreditamos que as sombras são a realidade. O que não é mais do que uma opinião faz-se passar por certeza, conhecimento, e colocamos todas as palavras ao mesmo nível”. Ao observar esta confusão, a escritora formula algumas questões: “Será que, na verdade, todas são iguais? A opinião de pancake44 sobre as vacinas ou a ameaça nuclear vale tanto quanto a de um professor de medicina ou a de um físico?”

Segunda leitura – “Vivo bem!”

Segunda leitura – “Vivo bem!”

Começam a multiplicar-se no Youtube pequenos vídeos com “os melhores momentos” de A, B, C ou D – membros do “Clube dos Grandes Devedores” – nas  Comissões Parlamentares de inquérito. São momentos imperdíveis. Melhores que muito filme cómico que para aí pulula. E o mais engraçado é que eles não dizem nada. Nada de nada. Valem apenas pelas perguntas das deputadas. Porque quanto a respostas, temos “não sei”, “não me lembro”, “não tenho ideia”, “a minha memória não chega a tudo”, “teria de ver os papéis”, “não sei”, “não sei”, “vou pensar e depois digo”, “não sei”, “não tenho memória”.

Mãos à obra (9) – Casa de Santa Isabel: Uma Comunidade de Vida

Mãos à obra (9) – Casa de Santa Isabel: Uma Comunidade de Vida

A Casa Santa Isabel situa-se em São Romão, no concelho de Seia, no sopé da Serra da Estrela e estende-se por uma área de cerca de 40 hectares. Carlos Páscoa, colaborador residente desde 1983 e membro da direção, apresenta os objetivos desta comunidade terapêutica que ao longo de 40 anos trilhou caminhos de irmandade, cuidado com o outro e respeito pela natureza. Numa segunda parte, apresentamos uma pequena entrevista telefónica com o mesmo responsável.

O Mercado e o Templo (15): Quando o conhecimento era um bem comum e gratuito

O Mercado e o Templo (15): Quando o conhecimento era um bem comum e gratuito

As proibições teológicas souberam gerar meios de liberdade para mercadores e intelectuais, como seguros e universidades. A antiga cultura sabia que bem precioso, mesmo divino, era o conhecimento e protegia-o do lucro. Agora, na lógica do capitalismo, vêem-se apenas custos e benefícios. Este é o décimo quinto dos textos da série de crónicas que o 7MARGENS publica todas as quartas-feiras e sábados, da autoria de Luigino Bruni.

Segunda leitura: O que é um proletário? [À volta do 1º de Maio]

Segunda leitura: O que é um proletário? [À volta do 1º de Maio]

Um proletário, portanto, é alguém que não tem nada de seu, nem terrenos, nem fortunas, nem heranças, nada, e que apenas vive de vender a força dos seus braços num qualquer trabalho, recebendo daí um salário para sobreviver. A única riqueza (que muitas vezes também acarreta até mais pobreza…) são os filhos. A única ‘coisa’ de seu, por assim dizer.

Mãos à obra (8) – Lápis que escrevem histórias felizes

Mãos à obra (8) – Lápis que escrevem histórias felizes

Fomos novamente à Covilhã, desta vez pela mão de Rosa Carreira. Ita, como é conhecida, conta-nos como pequenos gestos gizados na colaboração e no envolvimento da comunidade podem construir solidariedade e escrever histórias de esperança. Por opção, as campanhas “Lápis Solidários” decorrem apenas nas pequenas mercearias e minimercados como forma de apoiar a economia local.

Mãos à obra (7) – Musas: do futebol à horta comunitária

Mãos à obra (7) – Musas: do futebol à horta comunitária

O Sport Musas e Benfica, conhecido popularmente por Musas, foi criado em 15 de março de 1944, em pleno salazarismo e no final do horror que foi a II Guerra Mundial. Reunia então uma parte da comunidade de jovens das zonas do Bonjardim, da Fontinha e do Leal, na cidade do Porto. A prática do desporto, sobretudo do futebol, era um meio de convívio, mas também uma forma de resistência à vida sombria da época.

O Mercado e o Templo (11): Amor às pessoas do mundo é a “arte de negociar”

O Mercado e o Templo (11): Amor às pessoas do mundo é a “arte de negociar”

Comércio virtuoso e de sucesso é o de quem trabalha por dinheiro e, simultaneamente, por vocação. As duas coisas juntas. A riqueza, como a felicidade, chega procurando (também) outra coisa. É exemplar a criação de relações que tornou grande o toscano Francesco Datini. Pessimismo, cinismo, inveja e desconfiança são os grandes vícios capitais da empresa.

Os Dias da Semana – Socorrer urgentemente Cabo Delgado

Os Dias da Semana – Socorrer urgentemente Cabo Delgado

Moçambique tem um amplo destaque na primeira página da edição de hoje e de amanhã do diário francês Le Monde, por causa dos ataques mortais de jihadistas à cidade de Palma e da instabilidade na província de Cabo Delgado, qualificada como “antigo canto do paraíso”. No interior, as páginas 16, 17 e 18 são integralmente dedicadas ao que se passa na região entalada entre “as ambições da indústria do gás e a pressão jihadista”.

Mãos à obra (6) – Ferraria de São João: Fazer acontecer

Mãos à obra (6) – Ferraria de São João: Fazer acontecer

Desta vez, pela mão de Ana Sofia Soeiro, fomos até à aldeia de Ferraria de São João, concelho de Penela. Inserida na rede de “Aldeias do Xisto”, com uma população residente de cerca de 50 pessoas, alguns adolescentes e crianças, as gentes da terra, com o apoio da Associação de Moradores, decidiram fazer acontecer. E agora, outras gentes em outros lugares, lhes seguem as pisadas. Assim se exerce a cidadania.

Mãos à obra (5) – Vizinhos de Aveiro: Cidadania ativa em prol da comunidade

Mãos à obra (5) – Vizinhos de Aveiro: Cidadania ativa em prol da comunidade

A sexta-feira 13 de março de 2020 foi um dia marcante. Na sequência do agravamento dos casos de covid19 em Portugal, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa decretou o estado de emergência e avisou que a pandemia podia ser grave e duradoura, exortando os portugueses a mobilizarem-se. Nesse mesmo dia, respondendo ao apelo, surgiram os Vizinhos de Aveiro (VA), um coletivo cívico de apoio à comunidade, sobretudo aos grupos de risco.

Segunda leitura – A raspadinha e a raspadona

Segunda leitura – A raspadinha e a raspadona

Portugal é o campeão europeu da raspadinha! Sim, da raspadinha. E é-o há já uns anitos, revalidando o trunfo ano a ano com grande à-vontade face aos demais concorrentes. Porque a distância de Portugal para os outros significa “uma grande cabazada”, como se diz em futebolês…

Mãos à obra (4) – Troca-a-Tod@s: Economia e solidariedade

Mãos à obra (4) – Troca-a-Tod@s: Economia e solidariedade

 Da Covilhã, Graça Rojão, dirigente da Cooperativa CooLabora, conta-nos sobre o projeto Troca-a-Tod@s e o quanto este tipo de iniciativas são localmente importantes na construção de redes solidárias e de dinamização da economia local. Sobretudo em tempos de crise como o que agora vivemos.

O Mercado e o Templo (4): O tempo é bem comum, mas esquecemo-lo

O Mercado e o Templo (4): O tempo é bem comum, mas esquecemo-lo

Começámos a vender e a comprar tempo quando, no discurso religioso, entrou o Purgatório e, com ele, o negócio sobre tempo dos mortos e, portanto, também dos vivos. Vemos bem os efeitos da destruição do tempo na questão ambiental onde se faz destruição de futuro numa economia toda jogada no presente. No humanismo bíblico, há o Shabbat; no entanto, todos os dias são de Deus; depois, veio o “tempo misto”; e hoje…

Mãos à obra (3) – Sopa Para Todos: Combater a fome e apoiar a restauração

Mãos à obra (3) – Sopa Para Todos: Combater a fome e apoiar a restauração

Dia 2 de fevereiro, na zona de Benfica (Lisboa) Ana viu um senhor a pedir uma sopa para comer. Após várias recusas, uma senhora acabou por lhe pagar uma sopa num café que estava mesmo ali ao lado. “O que me motivou a criar o grupo do Facebook foi a procura de uma solução que respondesse e simplificasse a situação a que tinha assistido nesse dia de manhã. Como não encontrei uma aplicação ou um projeto a nível nacional que respondesse ao que tinha imaginado, acabei por sentir necessidade de o criar, dando assim apoio a quem mais precisa de bens alimentares e, ao mesmo tempo, ajudando a restauração, conta ela ao 7MARGENS.

Os Dias da Semana – As pedras da poesia

Os Dias da Semana – As pedras da poesia

O Dia Mundial da Poesia celebrou-se domingo passado, dia 21. Em diversos lugares a efeméride foi, talvez, aproveitada para tirar da estante alguma antologia de poemas sobre o amor, os gatos, o mar ou a saudade. Sobre pedras, não há ainda qualquer colectânea.

Segunda leitura – Uma moeda de trocas (e baldrocas)

Segunda leitura – Uma moeda de trocas (e baldrocas)

As vacinas contra a covid-19 são um assunto complicado. Muito complicado. Complicado, sim, e não só por razões sanitárias, por uma questão grave de saúde pública. Claro que há a falta de vacinas, o atraso nas entregas, a polémica dos efeitos secundários, a luta pelo acesso prioritário, os “golpes” na fila de espera, a dúvida sobre maior ou menor imunização, claro que sim, que há isso tudo – e é muito. Mas há mais.

O Mercado e o Templo (2) – Não para amar o mundo, mas para cuidar do humano

O Mercado e o Templo (2) – Não para amar o mundo, mas para cuidar do humano

Detenhamo-nos nas imagens dos Montepios. Antes de mais, a piedade, isto é, a imagem de Cristo morto nos braços de Maria. Porquê a piedade, como imagem dos edifícios, capelas, estandartes dos Montepios? Aquela imagem já era usada por entidades de assistência e pelos hospitais medievais. Simbolizava um dos momentos centrais da fé cristã, amadíssimo pelo povo que, naqueles séculos da vida conhecia sobretudo a dor, especialmente a das mães e das mulheres pela morte de muitos, demasiados, filhos e maridos.

Mãos à obra (2) – Cidadania Lab: Laboratório cidadão de aprendizagem coletiva

Mãos à obra (2) – Cidadania Lab: Laboratório cidadão de aprendizagem coletiva

Aveiro tem sido um terreno fértil para a cidadania, muito por culpa de uma rede densa e ativa de cidadãos próximos do tecido associativo, empresarial e da universidade, sem esquecer a adesão crescente das instituições locais a estas novas práticas, sobretudo as IPSS. Os projetos de cidadania sucedem-se ao longo dos anos [Vivacidade (2015), Vivobairro (2016), Aveiro Soup (2017), Lab Cívico de Santiago (2019) e, ultimamente, os Vizinhos de Aveiro (2020) e o Cidadania Lab (2021)] com linhas de continuidade, seja pelas pessoas envolvidas, seja pelas causas que as motivam.

Mais do que visitas oficiais. Os encontros do católico Marcelo com o Papa

Mais do que visitas oficiais. Os encontros do católico Marcelo com o Papa

Em novembro de 2015, Marcelo disse de Deus que é a “razão de ser da vida”, concretizado “através dos outros”, “um imperativo” que vem da sua condição de crente. A sua primeira viagem oficial em 2016 não era por isso apenas uma viagem oficial – e mesmo que o Presidente justifique com a História a razão de ser da visita, percebe-se que há outra razão mais funda. Tal e qual como agora, em 2021.

Mãos à obra (1) – Admiradores Secretos: fazer o bem sem saber a quem

Mãos à obra (1) – Admiradores Secretos: fazer o bem sem saber a quem

Foi nessa simplicidade e informalidade de sofá que criámos dois formulários que decidimos enviar aos nossos amigos com esse desafio: se puderem ajudar, inscrevam-se como doadores; se precisarem de ajuda ou souberem de alguém que precise, inscrevam-se para a receber. Aquilo a que nos comprometíamos era a fazer o cruzamento de necessidades e doações, por região, e pôr em contacto (discreto) as famílias. E de repente, nascia a Admiradores Secretos.

Os dias da semana – Barçagate ou como difamar para reinar

Os dias da semana – Barçagate ou como difamar para reinar

Sejam ou não provadas, as acusações contra Josep Maria Bartomeu são suficientemente exemplificativas do nível de degradação do dirigismo futebolístico, dessa singular ideologia de gestão que consiste em usar os clubes para proveito pessoal. O procedimento deveria merecer uma censura social vasta e veemente, mas a circunstância de as instâncias policiais e judiciais não se coibirem de investigar, julgar e punir os crimes cometidos nos subúrbios do mundo futebolístico oferece já um motivo de regozijo.

Segunda leitura – O caso, a sentença e o debate “na Net”

Segunda leitura – O caso, a sentença e o debate “na Net”

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a condenação de um homem ao pagamento de mais de 60 mil euros à ex-companheira pelo trabalho doméstico que esta desenvolveu ao longo de quase 30 anos de união de facto. (Público, 24-2-2021)
No acórdão, datado de 14 de Janeiro (…), o STJ refere que o exercício da actividade doméstica exclusivamente ou essencialmente por um dos membros da união de facto, sem contrapartida, “resulta num verdadeiro empobrecimento deste e a correspectiva libertação do outro membro da realização dessas tarefas”.

Os Dias da Semana – Cacofonia

Os Dias da Semana – Cacofonia

É cruel a guerra pelos dois ou três minutos de fama nos media; é feroz o combate por visualizações, partilhas e comentários nas redes sociais. A atenção é um bem escasso que é preciso disputar sem piedade. A intensificação da concorrência oferece uma cacofonia deplorável.

Segunda leitura – Quem dá o pão…

Segunda leitura – Quem dá o pão…

A reportagem era sobre as saudades da escola, sobre a falta que ela fazia. Melhor: sobre a falta que dela se sentia. Que não é exatamente a mesma coisa, mas adiante… Claro que sim, claro que sentiam a falta, meninas e meninos a uma só voz, e de quê?, pois de tudo, de estar com os amigos, de aprender muitas coisas novas, de estar com os amigos, de jogar e brincar no recreio, de estar com os amigos outra vez…

Os Dias da Semana – Um mau poema suja o mundo

Os Dias da Semana – Um mau poema suja o mundo

Bons espíritos sustentam que a poesia ocidental fala quase exclusivamente de amor e de morte. Não seria, também por isso, de estranhar o tema do poema inédito de Joan Margarit, que poderá ter sido escrito no período em que o autor teve de enfrentar o cancro que o vitimaria.

Segunda Leitura – À espera para dar

Segunda Leitura – À espera para dar

“Houve quem esperasse cinco horas.” Cinco horas? Cinco horas?… É obra. O motivo devia ser forte, a oportunidade interessante, apelativa. Ou então a necessidade muita. Cinco horas à espera, é preciso ter paciência.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Índia

Carnataca é o décimo Estado a aprovar lei anticonversão

O Estado de Carnataca, no sudoeste da Índia, tornou-se, no passado dia 15 de setembro, o décimo estado daquele país a adotar leis anticonversão no âmbito das quais cristãos e muçulmanos e outras minorias têm sido alvo de duras perseguições, noticiou nesta sexta-feira, 23, o Vatican News, portal de notícias do Vaticano.

Neste sábado, em Lisboa

“Famílias naturais” em convívio contra a ideologia de género

Prometem uma “tarde de convívio e proximidade”, um concerto, diversão e “múltiplas actividades para crianças e adultos: o “Encontro da Família no Parque” decorre esta tarde de sábado, 24 de Setembro, no Parque Eduardo VII (Lisboa), a partir das 15h45, e “pretende demonstrar um apoio incondicional à família natural e pela defesa das crianças”.

Fraternidade sem fronteiras

Fraternidade sem fronteiras novidade

A fraternidade é imprescindível na vida e na missão. No Congresso sobre o tema, a realizar nos dias 14 e 15 de Outubro, em Lisboa, queremos reflectir sobre a construção da fraternidade na sociedade, na política, na economia, na missão, no diálogo entre as religiões e na reconstrução da esperança.

Irmã Elis Santos: “São mais de 500 anos a sobreviver, e nós queremos existir”

Indígena do povo Mura em entrevista

Irmã Elis Santos: “São mais de 500 anos a sobreviver, e nós queremos existir” novidade

Aos 35 anos, Elis Santos, religiosa da Divina Providência, é uma das vozes mais ativas no Brasil na luta pelos direitos dos povos indígenas. Descendente do povo Mura e mestre em Antropologia Social, a irmã Elis falou ao 7MARGENS durante o encontro d’A Economia de Francisco, que decorreu na semana passada em Assis, e lamentou que no seu país continue a prevalecer “uma economia que mata”. 

Agenda

There are no upcoming events.

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This